Cinquenta anos depois, Serra Dourada passa por sua maior reforma sem abrir mão do brutalismo
Modernização do Complexo Serra Dourada preserva o legado de Paulo Mendes da Rocha
O Serra Dourada vai mudar pela primeira vez em cinco décadas. A reforma que se anuncia é a mais abrangente desde a inauguração do estádio, em 1975, e traz uma definição que orienta todas as decisões do projeto: o concreto aparente de Paulo Mendes da Rocha não será alterado.
O brutalismo que define o estádio prescinde de ornamentos. A estrutura é o próprio acabamento: concreto exposto, formas geométricas sem disfarces, materiais industriais à vista. Foi essa linguagem que Paulo Mendes da Rocha aplicou ao Serra Dourada, ao Jóquei Clube de Goiás e ao antigo Terminal Rodoviário da cidade. O arquiteto capixaba, vencedor do Prêmio Pritzker em 2006, é uma das principais referências da chamada Escola Paulista, vertente do modernismo que defende a funcionalidade como critério central de beleza.
O projeto de modernização foi confiado à BCMF Arquitetos. A proposta se organiza em torno de três eixos: preservação da escala e sobriedade originais, melhoria de acessibilidade e segurança, e introdução de tecnologia de forma discreta, sem competir visualmente com a estrutura existente.
Camarotes e áreas de hospitalidade serão instalados nos espaços já construídos. A cobertura, as arquibancadas superiores e os vãos livres que definem a silhueta do estádio permanecem como estão. “Entendemos que o maior compromisso com um patrimônio dessa relevância é assegurar que continue vivo e funcional. Nosso papel é reconhecer a inteligência do desenho original do artista e garantir que ela continue plenamente legível”, afirma o arquiteto Bruno Campos.
Antes das intervenções físicas, a equipe de engenharia realizou inspeções, levantamentos e modelagens para mapear o estado atual da estrutura. “Todo esse trabalho permite que as soluções de engenharia sejam planejadas de forma precisa e preservando os elementos originais, especialmente as superfícies de concreto aparente que fazem parte da identidade arquitetônica do Serra Dourada”, explica Diogo Bertarini, superintendente de operações.
O entorno também será transformado
A intervenção prevista no entorno amplia o uso cotidiano do espaço. As áreas asfaltadas ao redor do estádio darão lugar a um parque poliesportivo de 16 mil m² com pista de corrida, ciclovia e paisagismo com espécies nativas do Cerrado.
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