terça-feira, 25 de agosto de 2026

PIB cresce 1,1% no primeiro trimestre e alcança maior nível na série histórica

Lauro Veiga Filhopor Lauro Veiga Filho em
PIB
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 1,1% no primeiro trimestre e alcançou o maior nível na série histórica. A economia voltou a experimentar avanço mais alentado no começo deste ano, saindo de três trimestres de resultados apenas modestos, numa descrição mais condescendente. Na série ajustada sazonalmente, quer dizer, com a exclusão de fatores e eventos que ocorrem ano a ano sempre na mesma época, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 1,1% na passagem do último trimestre do ano passado para o primeiro deste ano, alcançando seu maior nível na série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), iniciada em 1995.

Para o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), o crescimento observado no período teria sido “alavancado por políticas econômicas anticíclicas, que deram robustez sobretudo ao consumo das famílias e, em menor medida, também para parte do investimento”. Globalmente, embora esse tipo de comparação carregue uma série de problemas e distorções, sem de fato refletir a real situação econômica em cada país, o desempenho brasileiro foi o sexto melhor, segundo compilação realizada pela consultoria Austin Rating, atrás de Hong Kong, Taiwan, Dinamarca, Coreia do Sul e China, que chegaram a crescer, na mesma ordem, 2,9%, 2,8%, 1,9%, 1,7% e 1,3%. O Brasil ainda superou, novamente de acordo com a consultoria, economias muito mais desenvolvidas, a exemplo de Estados Unidos, Alemanha, Japão, Reino Unido e Itália.

Na comparação com igual período do ano passado, o PIB brasileiro repetiu a mesma taxa pelo terceiro trimestre em sequência, numa variação de 1,8% neste trimestre inicial de 2026. Para comparação, nos três primeiros meses de 2025, a economia chegou a crescer 2,4%. A taxa acumulada em 12 meses mostra alguma desaceleração, saindo de altas de 3,6% até o primeiro trimestre do ano passado para 2,3% no acumulado até o último trimestre do mesmo ano e para 2,0% nos quatro trimestres encerrados em março deste ano.

Principais “alavancas”

Sob a perspectiva da demanda geral na economia, novamente na comparação com os três meses finais do ano passado, a atividade econômica recebeu maior impulsão do consumo das famílias, responsável por 63,3% do PIB total nos 12 meses encerrados em março último, e do investimento, que teve sua participação limitada a 16,5% em igual período, saindo de 17,6% nos 12 meses imediatamente anteriores. A relação foi a mais baixa para um primeiro trimestre desde 2020, quando o percentual havia se limitado a 16,2%. As famílias elevaram seu consumo em quase 1,0% frente a uma alta de 3,5% para os investimentos registrados em toda a economia, no melhor desempenho em um trimestre desde a alta de 6,3% registrada nos três primeiros meses de 2021 em relação ao trimestre imediatamente anterior. O salto neste caso está relacionado em grande medida aos níveis muito achatados nos períodos anteriores pela crise causada pela pandemia.

Balanço

• No primeiro trimestre deste ano, da mesma forma, o aumento dos investimentos veio depois de uma redução expressiva, na faixa de 3,4% observada na comparação entre o terceiro e o quarto trimestres do ano passado. Na prática, o indicador retornou aos mesmos níveis do terceiro trimestre do ano passado. Nas palavras do Iedi, o incremento anotado pelo IBGE no primeiro trimestre deste ano, ainda no caso do investimento, “seria uma ótima notícia, não fosse o fato de ter sido suficiente apenas para compensar o tombo do trimestre anterior”.

• A expansão do investimento, sugere o Iedi, “também guarda relação com decisões de política econômica, como a liberação de parte do compulsório da poupança para crédito imobiliário, que sucedeu a ampliação do Minha Casa Minha Vida, com a criação de uma nova faixa”. Como outro fator, o instituto considera ainda a “aceleração do investimento dos Estados desde o final do ano passado”.

• “Na origem” do crescimento alcançado pelo conjunto da economia naquele período, prossegue o Iedi, deve ser considerado “um conjunto de ações de política econômica”, mencionando “o crédito consignado ao setor privado, a isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5,0 mil e redução para quem ganha até R$ 7,3 mil, gratuidade do botijão de gás por meio do Gás do Povo, que triplicou o número de beneficiários em relação ao Auxílio Gás, aumento real do salário mínimo” e outras medidas. Acrescente-se a todos esses fatores, prossegue o instituto, “uma conjuntura de mercado de trabalho bastante aquecido”.

• Nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua (PNADC), a população ocupada havia crescido 1,5% no primeiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado (mas recuo de 1,0% frente ao quarto trimestre de 2025), enquanto o rendimento real médio observou alta de 5,5% em 12 meses. Essa combinação elevou a massa total de rendimentos reais para um recorde de R$ 374,819 bilhões a valores de março deste ano, num ganho anual de 7,1%.

• No conceito desenvolvido pelo Banco Central (BC) para a renda nacional bruta disponível das famílias, que considera transferências públicas de renda, aluguéis, dividendos e outras rendas recebidas por donos de empresas, rendimentos de aluguéis, juros e demais rendimentos de aplicações financeiras, aposentadorias e pensões, além de salários, houve uma elevação nominal de 9,63% entre março do ano passado e o mesmo mês deste ano. Os dados aqui consideram a renda acumulada em 12 meses.

• Em outro fator mencionado pelo IBGE como fator de impulso para o consumo das famílias, o saldo do crédito ampliado contratado pelas famílias havia anotado variação de 12,34% entre março do ano passado e o mesmo mês deste ano, saindo de R$ 4,394 trilhões para R$ 4,938 trilhões.

• Somados os ganhos de renda e o aumento do crédito, o orçamento das famílias teria recebido uma injeção equivalente a R$ 1,367 trilhão, algo como 10,5% do PIB a valores brutos – quer dizer, sem descontar os gastos com juros exigidos pelo sistema financeiro, lembrando que o percentual da renda familiar consumido pelo pagamento de juros e amortizações sobre as dívidas bancárias havia alcançado 39,3% em março deste ano.

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