terça-feira, 12 de maio de 2026

Preços de bens exportados por Goiás sobem 17% no primeiro quadrimestre

Lauro Veiga Filhopor Lauro Veiga Filho em 12 de maio de 2026

A alta dos preços médios dos bens exportados pelo Estado nos quatro primeiros meses deste ano contribuiu para evitar perdas mais expressivas no setor ao longo do período e, especificamente em abril, foi decisiva para a recuperação das exportações realizadas a partir de Goiás, mesmo em tempos de turbulências geopolíticas. Na outra ponta, os preços de bens e insumos importados, em linhas gerais de maior valor agregado, subiram em proporção bem mais modesta e chegaram a experimentar algum recuo em abril, favorecendo uma melhora nos “termos de troca”, o que tende a levar a ganhos de receitas nas exportações e a uma melhora na renda doméstica, a depender de como aqueles ganhos venham a ser distribuídos.

Conforme já divulgado, as exportações estaduais anotaram decréscimo de 1,94% nos quatro meses iniciais deste ano diante de igual período do ano passado, recuando de US$ 4,305 bilhões para US$ 4,221 bilhões, numa queda amenizada pela alta de 6,64% registrada em abril, com as vendas externas alcançando US$ 2,615 bilhões em valores aproximados. A queda deveu-se exclusivamente a uma redução nos volumes embarcados, num tombo de 16,06% no primeiro quadrimestre, de 7,772 milhões para 6,524 milhões de toneladas, explicado principalmente pela redução nos embarques de soja em grão, que baixaram de 5,736 milhões para 4,228 milhões de toneladas.

Os preços médios das vendas externas, ao contrário, apontaram alta de 16,82% entre 2025 e 2026, sempre na comparação quadrimestral, movidos pelos aumentos nos preços da soja em grão e dos minérios. No lado das importações, embora a guerra tenha detonado pressões altistas nas principais cadeias associadas ao setor de energia, os preços médios dos bens importados pelo Estado registraram variação muito menos intensa, num incremento de 2,18%. Considerando apenas os dados de abril, as exportações registraram aumento de 12,20% nos preços médios praticados lá fora, o que se compara com leve baixa de 0,53% nos custos dos bens, insumos e matérias-primas importadas, conforme dados brutos da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), trabalhados pela coluna.

Termos de troca

A relação entre preços médios de produtos exportados e custos dos importados anotou avanços no período, refletindo a melhora nos termos de troca. Muito embora os valores médios na importação mantenham-se relativamente muito mais elevados, dado o perfil dos principais itens comprados lá fora pelo Estado, concentrados principalmente em produtos farmacêuticos, veículos, tratores, suas peças e acessórios, caldeiras, máquinas, aparelhos e instrumentos mecânicos e adubos. Em resumo, houve uma alta de 14,34% naquela relação. Os preços de cada tonelada exportada passou a corresponder a algo em torno de 27,41% dos custos dos bens importados, diante de menos de 24,0% no primeiro quadrimestre do ano passado. Na prática, o Estado teve que despender proporcionalmente menos dólares a cada unidade importada dada a melhora nos preços de exportação.

Balanço

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