terça-feira, 23 de junho de 2026

Preços de bens exportados por Goiás sobem 17% no primeiro quadrimestre

Lauro Veiga Filhopor Lauro Veiga Filho em 12 de maio de 2026

A alta dos preços médios dos bens exportados pelo Estado nos quatro primeiros meses deste ano contribuiu para evitar perdas mais expressivas no setor ao longo do período e, especificamente em abril, foi decisiva para a recuperação das exportações realizadas a partir de Goiás, mesmo em tempos de turbulências geopolíticas. Na outra ponta, os preços de bens e insumos importados, em linhas gerais de maior valor agregado, subiram em proporção bem mais modesta e chegaram a experimentar algum recuo em abril, favorecendo uma melhora nos “termos de troca”, o que tende a levar a ganhos de receitas nas exportações e a uma melhora na renda doméstica, a depender de como aqueles ganhos venham a ser distribuídos.

Conforme já divulgado, as exportações estaduais anotaram decréscimo de 1,94% nos quatro meses iniciais deste ano diante de igual período do ano passado, recuando de US$ 4,305 bilhões para US$ 4,221 bilhões, numa queda amenizada pela alta de 6,64% registrada em abril, com as vendas externas alcançando US$ 2,615 bilhões em valores aproximados. A queda deveu-se exclusivamente a uma redução nos volumes embarcados, num tombo de 16,06% no primeiro quadrimestre, de 7,772 milhões para 6,524 milhões de toneladas, explicado principalmente pela redução nos embarques de soja em grão, que baixaram de 5,736 milhões para 4,228 milhões de toneladas.

Os preços médios das vendas externas, ao contrário, apontaram alta de 16,82% entre 2025 e 2026, sempre na comparação quadrimestral, movidos pelos aumentos nos preços da soja em grão e dos minérios. No lado das importações, embora a guerra tenha detonado pressões altistas nas principais cadeias associadas ao setor de energia, os preços médios dos bens importados pelo Estado registraram variação muito menos intensa, num incremento de 2,18%. Considerando apenas os dados de abril, as exportações registraram aumento de 12,20% nos preços médios praticados lá fora, o que se compara com leve baixa de 0,53% nos custos dos bens, insumos e matérias-primas importadas, conforme dados brutos da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), trabalhados pela coluna.

Termos de troca

A relação entre preços médios de produtos exportados e custos dos importados anotou avanços no período, refletindo a melhora nos termos de troca. Muito embora os valores médios na importação mantenham-se relativamente muito mais elevados, dado o perfil dos principais itens comprados lá fora pelo Estado, concentrados principalmente em produtos farmacêuticos, veículos, tratores, suas peças e acessórios, caldeiras, máquinas, aparelhos e instrumentos mecânicos e adubos. Em resumo, houve uma alta de 14,34% naquela relação. Os preços de cada tonelada exportada passou a corresponder a algo em torno de 27,41% dos custos dos bens importados, diante de menos de 24,0% no primeiro quadrimestre do ano passado. Na prática, o Estado teve que despender proporcionalmente menos dólares a cada unidade importada dada a melhora nos preços de exportação.

Balanço

  • Ainda assim, cada tonelada de bens comprada lá fora custava ainda 3,65 mais do que a mesma unidade vendida no mercado internacional. Isso porque a pauta de exportações mantém-se altamente concentrada em bens de menor valor agregado de base agrícola e/ou mineral de baixo processamento. Entre janeiro e abril deste ano, num exemplo, os embarques de soja em grão e farelo, carnes bovina e de aves, ferroligas (principalmente ferroníquel e ferronióbio) e minérios de cobre responderam em conjunto por 78,48% do total exportado.
  • No lado das importações, apenas o grupo produtos farmacêuticos, que inclui a compra de medicamentos e suas matérias primas, respondeu por 37,06% do total, com veículos partes e peças participando com 14,61% – ou seja, apenas dois itens concentraram 51,67% de todas as compras realizadas lá fora pelo Estado. Incluindo caldeiras, máquinas e aparelhos mecânicos, com suas partes e acessórios, e ainda adubos e fertilizantes, a fatia sobe para 72,37%.
  • No acumulado entre janeiro e abril deste ano, as compras no exterior de produtos farmacêuticos encolheram 7,74% frente aos mesmos quatro meses do ano passado, baixando de US$ 699,176 milhões para US$ 644,925 milhões, numa redução de quase US$ 54,251 milhões. O setor isoladamente respondeu por algo próximo de 83% da variação negativa anotada pelo total das compras internacionais do Estado. Para refrescar a memória, o Estado viu suas importações caírem de US$ 1,805 bilhão para menos de US$ 1,740 bilhão, correspondendo a US$ 65,275 milhões a menos.
  • O recuo das exportações, por outro lado, foi determinado pela baixa nos embarques de soja em grão em larga medida, que saíram de US$ 2,081 bilhões para US$ 1,742 bilhão, em torno de US$ 338,654 milhões a menos. A perda deve ser debitada quase integralmente ás compras menores realizadas pela China, que reduziu suas importações de soja goiana de US$ 1,743 bilhão para US$ 1,388 bilhão, num tombo de 20,35% (tendência amenizada pela alta de 9,29% registrada em abril). A despeito da queda, o mercado chinês continuou sendo o destino de 79,7% de toda a exportação de soja do Estado.
  • No geral, as vendas de Goiás para os chineses baixaram 15,2% no quadrimestre analisado, saindo de US$ 2,160 bilhões em 2025 para US$ 1,832 bilhão. Como as importações goianas de produtos chineses cresceram 22,0%, para US$ 441,755 milhões (diante de US$ 361,493 milhões entre janeiro e abril de 2025), o saldo comercial goiano com a China ficou 22,72% menor, reduzido de US$ 1,799 bilhão (71,95% de todo o superávit estadual) para US$ 1,390 bilhão (correspondendo a 56,02% do saldo comercial de Goiás).
  • Outros destinos apresentaram relação mais favorável, ainda que em valores muito inferiores à corrente de comércio estabelecida entre Goiás e China, que ainda foi destino de 32,10% da carne bovina exportada pelo Estado. O saldo com os Estados Unidos disparou de US$ 20,718 milhões para US$ 94,374 milhões, em alta de 355,5%. O resultado mostra que os impactos eventualmente trazidos pelo tarifaço trumpista no ano passado foram superados.
  • O superávit comercial de Goiás com a Holanda (Países Baixos) e o Canadá igualmente apresentou incremento vigoroso na mesma comparação, com avanços de 117,0% e de 83,70% respectivamente. No primeiro caso, o saldo passou de US$ 61,888 milhões para US$ 134,313 milhões. Na relação com o mercado canadense, o superávit subiu de US$ 69,506 milhões para US$ 127,675 milhões, o ajudou a compensar parcialmente as perdas no mercado chinês.
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