Produção industrial para de cair em julho (mas avança apenas 0,2%)
A indústria conseguiu interromper a tendência de baixa observada em maio e junho, mas a variação observada em julho ficou limitada a apenas 0,2% na série de dados dessazonalizados, que excluem aqueles eventos e outros fatores que sempre ocorrem nas mesmas épocas todos os anos. O suspiro anotado em julho, medição mais recente realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), aliviou pouco o cenário de desaquecimento observado na indústria já há algum tempo. Numa demonstração de fácil compreensão, os volumes produzidos pelo setor chegaram a acumular perda de 2,6% entre abril e junho deste ano, queda “aliviada” em julho, mas nem tanto. Na comparação com o mesmo mês de abril, a produção ainda acumulava, até julho, redução de 2,4%.
Outra forma de analisar o cenário presente na indústria, igualmente com base nas apurações da equipe técnica do IBGE, está na comparação dos níveis atuais alcançados pela atividade no setor frente ao já distante fevereiro de 2020, mês que antecedeu ao início declarado da pandemia de Covid-19 no Brasil. Em janeiro de 2021, apenas cinco setores da indústria ainda registravam queda frente ao fevereiro que antecedeu a pandemia, reforçando uma tendência de recuperação da produção industrial em seu conjunto. Naquele mês, a indústria geral passou a superar a produção realizada em fevereiro de 2020 em 3,7%.
Dois anos e meio depois, já em julho deste ano, a produção passou a apresentar variação de 2,1% frente a fevereiro de 2020, com 14 segmentos agora apresentando queda na mesma comparação, um número quase três vezes maior do que em janeiro de 2021. Alguns exemplos sugerem a extensão das dificuldades enfrentadas pelo setor como um todo. As indústrias de confecções, móveis, produtos farmoquímicos e farmacêuticos e têxteis haviam registrado, em janeiro de 2021, altas de 7,3%, de 10,1%, de 3,2% e de 18,4% respectivamente em relação a fevereiro de 2020. Em julho de 2026, igualmente na comparação com os níveis observados há quase seis anos, foram registradas quedas de 27,4%, de 24,1%, de 11,3% e de 9,2% na mesma sequência.
Tímida reação
Entre os grandes setores industriais, o desempenho medíocre em julho foi influenciado sobretudo pelo recuo de 0,2% na indústria de bens intermediários, caracterizando quase uma estagnação, no terceiro resultado mensal negativo, numa retração de 2,1% ao longo do período. A produção de bens de capital avançou 2,4% também depois de três meses no vermelho, com elevação de 3,2% no setor de bens duráveis, que vinha de baixa de 3,1% em junho. A indústria de bens semi e não duráveis igualmente apresentou alguma reação ao avançar 0,5% em julho, mas vinha de perdas de 0,3% em abril, de 1,8% em maio e de 3,7% em junho, mantendo-se em torno de 5,4% abaixo dos níveis atingidos em março deste ano.
Balanço
De acordo com o IBGE, ainda na comparação entre julho e junho deste ano, na série dessazonalizada, mais da metade dos ramos pesquisados (ou 13 entre 25) trafegaram por terreno positivo, com influências positivas mais relevantes registradas pelos segmentos de fabricação de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos, em alta de 12,2%; produtos alimentícios, num avanço de 1,0%; e coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, subindo 1,1%. Todos aqueles setores, lembra o instituto, interromperam “dois meses consecutivos de queda na produção, período em que acumularam recuos de 12,5%, 3,3% e 11,7%, respectivamente”.
O IBGE destaca ainda contribuições positivas dos setores de “outros equipamentos de transporte (11,2%), produtos do fumo (11,1%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (2,3%) e confecção de artigos do vestuário e acessórios (2,6%)”.
Na classificação do IBGE, entre os 12 ramos em queda, o principal impacto negativo na média de todo o setor veio das indústrias extrativas, que apresentou baixa de 1,0% na passagem de junho para julho. Foi o terceiro mês consecutivo de perdas no setor extrativo, que passou a acumular retração de 4,1% desde abril passado.
Também estiveram em queda as indústrias de impressão e reprodução de gravações, num tombo de 17,2%, produtos diversos (-9,0%), metalurgia e suas obras (-1,4%), produtos químicos (-0,8%) e celulose, papel e produtos de papel (-1,3%), seguindo ordem das influências mais negativas sobre o desempenho médio de todo o setor.
Na comparação com igual período do ano passado, depois de quatro meses de crescimento, a produção recuou 0,5% em julho, com perdas de 2,4% no segmento de bens de capital, no quarto mês negativo para aquela indústria, e de 2,9% no ramo de bens semi e não duráveis, que vinha de baixa de 1,3% em maio e variação positiva de apenas 0,1% em junho. Os bens intermediários alcançaram em julho o sétimo resultado mensal positivo, mas crescendo apenas 0,3% frente a julho do ano passado (o que se comparação com incremento de 2,6% em junho).
O desempenho negativo no setor de bens de capital, na comparação com julho do ano passado, ainda recebeu a contribuição mais negativa da fabricação de bens de capital para o setor agrícola, numa retração de 31,6%, mas com avanços de 4,1% na produção daqueles bens para o setor de equipamentos de transporte, de 9,8% para a indústria de confecção e de 2,5% no setor de energia elétrica.
Doze ramos seguiram em crescimento ao longo de julho e igual número realizou perdas, com um dos ramos pesquisados com variação nula. Em outro cálculo, conforme o IBGE, perto de 52% dos 789 produtos pesquisados apresentaram resultados positivos no mês.
As principais influências negativas vieram das indústrias de produtos químicos, num tombo de 6,9%, seguido pela queda de 2,6% na produção de alimentos e pela retração de 13,7% na fabricação de produtos farmoquímicos e farmacêuticos. Mas registrou-se ainda baixas de 6,3% na produção de máquinas e equipamentos, de 8,2% para confecções e de 6,8% na indústria têxtil.
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