domingo, 13 de setembro de 2026
SAÚDE E BEM-ESTAR

Pilates vira febre entre jovens no Brasil com aulas coletivas e crescimento de 141% em dois anos

Modalidade associada à fisioterapia ganhou novos estúdios, ritmo acelerado e presença nas redes sociais; especialistas apontam diferenças importantes entre os formatos antes de escolher

Luana Avelarpor em
Pilates

Fileiras de aparelhos iguais, aulas coletivas, música e ambientes pensados para permanecer também nas redes sociais começam a mudar a imagem do pilates no Brasil. Durante muito tempo associado à fisioterapia, à reabilitação e a turmas reduzidas, o método passou a disputar a atenção de um público mais jovem, especialmente de mulheres que procuram exercício, força, mobilidade e atividades feitas em grupo.

A mudança aparece nos números. Entre 2022 e 2024, os check-ins de pilates cresceram 141% no país pela Wellhub, antiga Gympass. A alta foi de 68% entre 2022 e 2023 e de outros 43% no ano seguinte. Em 2023, as reservas de aulas avançaram 92%, de acordo com dados da empresa de tendências WGSN.

Parte desse avanço coincide com a chegada de estúdios inspirados em modelos difundidos em cidades como Nova York. No lugar de poucos alunos acompanhados individualmente, várias pessoas executam as mesmas sequências ao mesmo tempo. O formato aproxima o pilates da dinâmica já conhecida em academias e outras modalidades coletivas e acrescenta à prática um componente de convivência.

A estética também participa dessa aproximação. Espaços mais elaborados, treinos de ritmo mais acelerado e conteúdos produzidos para as redes ajudam a afastar a modalidade da ideia de atividade destinada apenas a quem está em tratamento ou procura exercícios de baixa intensidade. Esse modelo tem atraído sobretudo mulheres jovens e pessoas interessadas em bem-estar e longevidade.

O contraste é curioso porque o pilates nasceu justamente da combinação entre exercício, estudo do corpo e adaptação de movimentos. Joseph Hubertus Pilates, alemão nascido em 1880, estudou anatomia, fisiologia e biomecânica de forma autodidata e praticou ginástica e boxe. Durante a Primeira Guerra Mundial, enquanto estava em um campo de prisioneiros na Inglaterra, utilizou molas de colchões para criar resistência em exercícios, experiência posteriormente relacionada ao desenvolvimento dos aparelhos usados no método.

Chamado inicialmente de Contrologia, o sistema reunia referências da ginástica, dos esportes de luta e da ioga. Em 1926, Joseph Pilates mudou-se para os Estados Unidos e abriu um estúdio em Nova York. A aproximação com bailarinos nas décadas seguintes acrescentou outras influências à prática, que continuou sendo difundida após sua morte por Clara Pilates e por seus seguidores.

O mesmo nome, aulas diferentes

A expansão atual tornou mais visível uma diferença importante entre os formatos. No modelo tradicional, turmas pequenas permitem ao profissional acompanhar movimentos e adaptar exercícios a lesões, limitações e objetivos individuais. Nas aulas coletivas, o programa tende a ser mais padronizado e oferece menor espaço para correções específicas.

Isso significa que a escolha não depende apenas da preferência por uma sala mais animada ou silenciosa. Pessoas em reabilitação ou que precisam de adaptações podem demandar acompanhamento mais próximo. Para quem busca atividade física regular e não apresenta necessidades específicas, as turmas maiores oferecem outra forma de contato com o método.

A intensidade também varia. Pilates pode exigir força considerável e permite progressões de dificuldade, embora o trabalho muscular não siga a mesma lógica de modalidades de alta carga, como musculação e crossfit.

A popularização entre os mais jovens, portanto, não depende de uma reinvenção completa da técnica. O que se altera é a maneira como ela chega ao praticante. Uma modalidade criada há mais de um século passou a caber tanto em sessões individualizadas quanto em salas cheias, acompanhando uma geração para a qual exercício físico também pode significar encontro, rotina social e pertencimento.

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