Queimem todos os professores: contos revelam desafios da rotina escolar
O C.U.L.P.E. tem um lema forte e claro: Queimem todos os professores. Sigla para “culto pedagógico”, essa plêiade é uma aliança formada entre extremos ideológicos e se tornou a principal algoz das escolas no universo ficcional dos oito contos que compõem o lançamento literário do escritor Arthur V. F. Furtado.
A denominação chegou ao Brasil há muitos anos, com a promessa de que faria mudanças radicais no ensino e sob a defesa de que todos os métodos pedagógicos
A mudança causou o desmantelamento das escolas, e os educadores que continuam nos cargos não conseguem exercer seu trabalho mais fundamental – o ensino. Isso porque até provas deixaram de existir, e qualquer aluno pode ganhar um diploma, mesmo que seja um analfabeto funcional.
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― A culpa é do professor, que não sabe cativar os seus próprios alunos ― concluiu a zelosa mãe, ignorando o comentário da docente. ― Eu vou além: por que ainda existe nota vermelha? É algo tão arcaico e deprimente. Troquem essas notas sangrentas por um recadinho aos pais: “Caros responsáveis, o seu filho não foi tão bem neste bimestre, mas esperamos que ele melhore no próximo, com muito esforço e dedicação. Estaremos à disposição para ajudá-lo em tudo o que for necessário”. Seria muito mais estimulante para nossos adolescentes. (Queimem todos os professores, p. 49)
Diante de um contexto distópico,
As histórias desta publicação estão interconectadas, mas também podem ser lidas separadamente. Em contos que mesclam gêneros como listas, índices, manchetes e receitas, a obra utiliza a ficção para denunciar as condições de trabalho no sistema de ensino brasileiro e para defender a importância de uma formação cidadã.
“O livro surgiu dos meus estudos de doutorado e da minha experiência como docente em escolas públicas e privadas. Unindo teoria e prática, percebi uma profissão totalmente inviabilizada, atacada à esquerda e à direita, e uma crescente culpabilização daquele que carrega tudo nas costas e ainda sofre com a violência e a precarização das escolas: o professor”, explica Arthur V. F. Furtado.
Sobre o autor

Arthur Vinícius Feitosa Furtado é professor de Português e coordenador de uma Escola Técnica Estadual (ETEC), em São Paulo. Doutor em Educação Escolar pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), além de mestre em Processos de Ensino, Gestão e Inovação pela Universidade de Araraquara (Uniara), o educador também tem formação em Direito, Letras e Pedagogia. Em paralelo ao trabalho pedagógico, é autor de livros como “O Poeta Maldito e a Rainha da Noite” (2022), “O Corvo Escarlate e o Navio dos Mortos” (2024) e Queimem todos os professores (2026).