Saneago aumenta lucro em 16% no 2º trimestre, para R$ 173,45 milhões
A última linha das demonstrações financeiras da Saneamento de Goiás S.A. (Saneago) apontou recuperação vigorosa no segundo trimestre, impulsionada pelo avanço mais firme das receitas líquidas totais frente ao crescimento experimentado por custos e despesas. O resultado líquido saltou de R$ 149,562 milhões entre abril e junho do ano passado para R$ 173,452 milhões no mesmo trimestre deste ano, correspondendo a uma variação nominal de 15,97% – dado que embute um incremento real igualmente substantivo, quando considerada a inflação de 5,41% acumulada em Goiânia nos 12 meses finalizados em junho deste ano, conforme acompanhamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
As receitas experimentaram crescimento de 8,85% naquela mesma comparação, igualmente em termos nominais, quer dizer, sem descontar o impacto da inflação, subindo de R$ 874,831 milhões para R$ 952,247 milhões, num ganho de R$ 77,416 milhões. De acordo com a empresa, o aumento na ponta das receitas veio sustentado pelos avanços de 2,71% e de 2,95% respectivamente para o número de economias de água e de esgoto, ou seja, no total de unidades consumidores conectadas à rede. Adicionalmente, as receitas foram ainda favorecidas pelo reajuste médio de 4,85% na tarifa, em vigor desde abril deste ano.
Os ganhos na área das receitas líquidas foram praticamente um terço mais elevados do que o aumento absoluto registrado para despesas e custos, que subiram de R$ 666,628 milhões para R$ 724,671 milhões. Nessa comparação, registrou-se uma elevação de R$ 58,043 milhões, numa variação de 8,71%. Entre outros fatores, houve pressão significativa do aumento dos custos com energia elétrica, que cresceram 21,36% e passaram de R$ 64,596 milhões para R$ 78,396 milhões, quer dizer, R$ 13,800 milhões a mais. As despesas tributárias aumentaram 63,01% entre o segundo trimestre do ano passado e o mesmo período deste ano, elevadas de R$ 8,758 milhões para R$ 14,276 milhões, correspondendo a R$ 5,518 milhões adicionais.
Ganho financeiro
A linha final das demonstrações de resultado foi beneficiada ainda por ganhos financeiros de R$ 12,297 milhões realizadas entre abril e junho deste ano, o que se compara com um gasto líquido (já descontadas as receitas financeiras) de R$ 1,481 milhão em idêntico período do ano passado. Mas o recolhimento do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) consumiu R$ 66,421 milhões, crescendo 16,20% em comparação com R$ 57,160 milhões no segundo trimestre do ano passado.
Balanço
A recuperação veio na sequência de um tombo de 33,73% observado para o resultado líquido no primeiro trimestre deste ano e ajudou a reduzir as perdas acumuladas no semestre, como mostram as contas financeiras apresentadas pela companhia. No acumulado dos primeiros seis meses deste ano, despesas e custos ainda mantêm alta mais relevante do que a receita líquida, mas a diferença ficou menor.
Ao longo do primeiro trimestre, as despesas haviam acumulado elevação de R$ 77,557 milhões, diante de uma evolução, em termos absolutos ainda, de R$ 54,421 milhões. Vale dizer, registrou-se uma diferença entre aqueles dois valores de praticamente 43%, com evidente vantagem para custos e despesas. No final do primeiro semestre, a Saneago anotou um incremento de R$ 129,924 milhões para custos e despesas, em valores aproximados, frente a uma variação de pouco menos de R$ 104,977 milhões para a receita líquida. Desta vez, a diferença baixou para 23,76%.
Os números ajudam a dar uma visão mais precisa, resultando em uma redução muito menos severa para o resultado líquido acumulado no período. Entre janeiro e junho do ano passado, as receitas líquidas haviam alcançado R$ 1,694 bilhão, avançando para pouco mais de R$ 1,799 bilhão nos seis meses iniciais deste ano, numa variação nominal de 6,20%. Custos e despesas passaram de R$ 1,327 bilhão para R$ 1,457 bilhão, crescendo 9,79%.
Na coluna das despesas, as influências mais relevantes vieram da alta de R$ 63,438 milhões no gasto com pessoal, equivalente a uma variação de 9,47%, saindo de R$ 669,974 milhões para R$ 733,411 milhões; e da variação de R$ 31,329 milhões na fatura da energia. O custo, neste caso, experimentou elevação de 24,74% com a conta subindo de aproximadamente R$ 126,614 milhões para quase R$ 157,943 milhões. Somadas, as duas contas responderam por 72,94% do crescimento total anotada para despesas e custos durante o primeiro semestre.
Compras de materiais e gastos com serviços de terceiros seguiram tendências inversas, com elevação de 15,83% no primeiro caso – saindo de R$ 60,316 milhões para R$ 69,865 milhões – e queda de 6,61% no segundo, baixando de R$ 182,778 milhões para R$ 170,698 milhões.
As despesas gerais aumentaram 34,47% (de R$ 17,496 milhões para R$ 23,527 milhões), com saltos de 78,08% para as despesas de caráter tributário (pulando de R$ 26,541 milhões para R$ 47,266 milhões) e de 62,04% para outras despesas operacionais (saindo de R$ 43,299 milhões para R$ 70,163 milhões). As altas foram parcialmente compensadas pelo tombo de 87,70% nas provisões para fazer frente a créditos de difícil recuperação, que desabaram de R$ 46,938 milhões para R$ 5,772 milhões.
O resultado líquido encerrou o primeiro semestre deste ano próximo de R$ 252,470 milhões, numa redução de 6,08% em relação ao lucro de R$ 268,801 milhões em igual período do ano passado. A margem líquida, aferida pela relação entre o resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortizações (Ebitda) ajustado (excluídos itens que não afetam a geração de caixa) e a receita líquida, manteve-se elevado, mas recuou de 29,72% no ano passado para 27,21%.
Depois de saltar 38,16% entre 2024 e 2025, o investimento encerrou o primeiro semestre deste ano com recuo de 2,01% em relação a idêntico período do ano passado, baixando de R$ 438,981 milhões para R$ 430,167 milhões. Mas os valores destinados à expansão e melhorias na rede de água e esgoto registrou alta de 42,63% naquela mesma comparação, avançando de R$ 232,763 milhões para R$ 331,999 milhões – com destaque absoluto para o sistema de captação e tratamento de água, que teve o investimento elevado de R$ 139,741 milhões para R$ 271,665 milhões, num salto de 94,41%.
Os recursos investidos na rede de esgoto foram reduzidos em 35,14%, de R$ 93,022 milhões para R$ 60,334 milhões. Para relembrar, no ano passado, o investimento nesta área havia crescido 42,22%.
Na soma geral, a redução do investimento ficou concentrada no segundo trimestre, quando registrou-se baixa de 19,65% em relação aos mesmos três meses do ano passado, saindo de R$ 280,488 milhões para R$ 225,380 milhões. No primeiro trimestre, a companhia havia elevado o investimento em 29,21%.
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