terça-feira, 26 de maio de 2026

Saneago planeja investir quase R$ 2 bilhões em 2024 e 2025

Lauro Veiga Filhopor Lauro Veiga Filho em 2 de outubro de 2024
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Foto: Divulgação/Saneago

Depois de investir perto de R$ 1,321 bilhão em 2022 e 2023, a Saneamento de Goiás S.A. (Saneago) planeja acelerar seus projetos para o biênio 2024 e 2025, programando investimentos de praticamente R$ 1,909 bilhão para o período, com foco principalmente na expansão dos sistemas de coleta e tratamento de água e esgoto e maior concentração no próximo ano. Na comparação entre os dois períodos, o investimento tenderá a avançar 44,5%, registrando aceleração mais acentuada no próximo ano, conforme dados da companhia. A se confirmarem aqueles valores, a concessionária terá investido qualquer coisa em torno de R$ 3,713 bilhões entre 2020 e o próximo ano, um valor relevante quando se considera que o patrimônio líquido da Saneago atingiu R$ 4,298 bilhões ao final de junho deste ano.

As projeções da companhia sugerem que o investimento programado para 2024 e o ano que vem tenderá a representar em torno de 28,5% da receita operacional líquida, prevista em pouco menos de R$ 6,690 bilhões na soma daqueles dois anos. Os números projetados pela empresa indicam o investimento saindo de R$ 853,321 milhões na previsão para 2024, em torno de 2,03% a mais do que os R$ 836,376 milhões investidos no ano passado, para algo próximo a R$ 1,056 bilhão em 2025, algo como 55,3% do valor total previsto para o biênio. Na comparação com este ano, espera-se um incremento de 23,7% em valores nominais, o que faria o investimento corresponder a 30,6% da receita líquida, diante de uma participação de 26,4% neste ano.

Desempenho no semestre

Ao longo da primeira metade deste ano, considerando os investimentos destinados unicamente aos sistemas de água e esgoto, a Saneago mais do que dobrou os valores aplicados na comparação com o primeiro semestre do ano passado. Entre janeiro e junho deste ano, aqueles dois setores receberam investimentos de R$ 315,206 milhões, frente a R$ 149,829 milhões em igual semestre de 2023, num salto de 110,38%. O investimento total apresentou variação mais moderada, avançando 5,59% na mesma comparação, de R$ 378,859 milhões para R$ 400,035 milhões (valor ainda assim 34,6% mais alto do que no primeiro semestre de 2022). A variação menos intensa no dado agregado refletiu o tombo de 72,48% em “outros investimentos”, saindo de R$ 82,315 milhões para R$ 22,653 milhões, e ainda a queda de 57,62% nos valores investidos por meio de parcerias estratégicas, que saíram de R$ 146,715 milhões nos seis primeiros meses do ano passado para R$ 62,176 milhões.

Balanço

  • Com recuo de 0,63% nos custos e despesas totais e elevação de 8,17% na receita líquida, comparando o segundo trimestre deste ano e igual período de 2023, a empresa conseguiu fazer frente ao aumento das despesas financeiras e tributárias, gerando um resultado líquido final de R$ 147,696 milhões. O lucro cresceu nada menos do que 43,65% em relação ao resultado de R$ 102,820 milhões apresentado no segundo trimestre do ano passado.
  • O resultado antes de juros, tributos, amortizações e depreciação (Ebtida, na sigla em inglês), já com ajustes, quer dizer, com exclusão de itens que não afetam o fluxo de caixa, anotou variação de apenas 1,17% entre os dois trimestres analisados, saindo de R$ 239,005 milhões para R$ 241,806 milhões. A margem líquida (Ebitda sobre a receita líquida) recuou levemente de 31,41% para 29,38%.
  • No semestre, a receita líquida cresceu 11,14% em relação ao mesmo período do ano passado, avançando de R$ 1,429 bilhão para R$ 1,589 bilhão, numa variação mais vigorosa do que aquela registrada por custos e despesas totais. Na mesma comparação, gastos e custos operacionais cresceram 8,58%, saindo de pouco menos do que R$ 1,092 bilhão para pouco mais de R$ 1,185 bilhão.
  • Entre janeiro e junho deste ano, a empresa realizou lucro de R$ 279,452 milhões, crescendo 20,16% em relação ao resultado líquido de R$ 232,561 milhões alcançado na primeira metade do ano passado. O Ebitda ajustado cresceu 10,99% no semestre, graças aos números mais vigorosos observados no primeiro trimestre deste ano, passando de R$ 438,934 milhões para R$ 487,176 milhões.
  • O ritmo dos investimentos aparentemente tem influído nos níveis de endividamento, contribuindo para o avanço de 31,6% da dívida líquida na comparação entre junho deste ano e o mesmo mês de 2023, passando de R$ 324,874 milhões para R$ 427,577 milhões. Mas a alavancagem continuou bem mais baixa do que os parâmetros adotados pela companhia. A relação entre dívida e Ebitda anualizado, que poderia chegar a três vezes, chegou a 0,38 (ligeiramente acima do índice de 0,35 anotado em junho do ano passado).
  • Ao final do exercício, na previsão da Saneago, a dívida líquida tende a crescer 107,4% em relação ao ano passado, alcançando R$ 405,929 milhões, o que seria equivalente a 37% do Ebitda, estimado em R$ 1,093 bilhão. Para o próximo ano, a companhia trabalha com a perspectiva de aumento de 80,4% em sua dívida líquida, para R$ 732,102 milhões, o que seria correspondente a 61,2% do Ebitda, projetado em R$ 1,197 bilhão.
  • Diante de uma elevação de 14,1% realizado pela receita líquida no ano passado, com alta de 45,4% para o resultado líquido, a Saneago espera crescer mais 5,4% neste ano, elevando as receitas para R$ 3,456 bilhões. O lucro líquido está projetado em R$ 679,553 milhões, subindo 16,4% diante de R$ 583,856 milhões no ano passado.
  • A concessionária já adequou todos os seus contratos nos termos do Novo Marco Legal do Saneamento, definido pela Lei 14.026/2020, incluindo metas de universalização obrigatórias para todos os municípios nos quais opera, além de ter comprovado capacidade econômico-financeira para cumprir os investimentos necessários para o cumprimento daquelas metas. De acordo com a empresa, a cobertura de água e esgoto avançou respectivamente de 59,83% e 96,99% em 2018 para 73,62% e 98,07% na sua área de atuação. O índice de perdas foi reduzido de 29,5% para 25,0% entre 2018 e 2023, com a empresa antecipando-se em uma década aos níveis exigidos pelo marco regulatório.
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