Segundo turno incerto para Lula sem os votos do centro
Daqui a menos de três meses, o tabuleiro se monta ao contrário. E, dessa vez, quem sorri é a oposição
A eleição de 2022 ficou marcada por um centro ideologicamente inclinado mais à esquerda. Ciro Gomes (PDT) e Simone Tebet (MDB), dois nomes de maior peso político, ficaram fora da polarização no primeiro turno. Dividiram entre si um eleitorado que, no fundo, já flertava com o campo progressista. Quando o segundo turno chegou, não foi surpresa nenhuma ver a maioria desses votos pular, sem muito custo, para o colo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Daqui a menos de três meses, o tabuleiro se monta ao contrário. E, dessa vez, quem sorri é a oposição. O centro está ocupado por Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), ambos de perfil mais à direita, o que favorece diretamente Flávio Bolsonaro (PL) num eventual segundo turno.
Como esquerda e centro-esquerda não devem apresentar nome relevante além do próprio Lula, a conclusão que já preocupa quem frequenta os corredores do Palácio do Planalto é que o presidente não terá novos votos no segundo turno. Seu piso no primeiro turno já é, resignadamente, o seu teto. Flávio Bolsonaro, ao contrário, larga com a vantagem de poder buscar os votos de Caiado, Zema e Renan. Os dois primeiros, aliás, já deixaram claro que o inimigo é Lula. Já o candidato do Missão tende à neutralidade, mas seu eleitorado também pende para a direita e não gostaria de mais um governo petista. O segundo pelotão, formado por Renan, Caiado e Zema, varia, conforme pesquisas, entre 8% e 19%, um contingente generoso para Flávio, mas disperso. Somado aos votos de Flávio, a oposição alcança ou supera Lula em todos os levantamentos. O problema da oposição, portanto, não é de voto. É de excesso de candidato.
Desafio de Flávio é unir o centro
Não há garantia de que esses votos migrem automaticamente para Flávio Bolsonaro caso ele dispute o segundo turno. Resta ao candidato do PL o desafio de segurar essa herança e não deixá-la evaporar em votos brancos, nulos ou abstenção. Caberá a ele convencer o eleitor de centro de que mais quatro anos de lulopetismo seriam receita garantida de desastre. Por outro lado, existe um limite importante para Lula. Dificilmente alguém que vota em Caiado, Zema ou Renan no primeiro turno votará no PT no segundo. No máximo, vai preferir a neutralidade ou a abstenção, o que, para o Planalto, já seria um alívio e tanto.
Herança tucana
Reduzido a um décimo do que já foi, o PSDB é aquele parente pobre que ninguém chama para a festa, mas cuja herança ainda importa. Em Goiás, aliados de Marconi Perillo (PSDB) já buscam o apoio de Wilder Morais (PL) num eventual segundo turno contra Daniel Vilela (MDB). Em troca, oferecem apoio a Flávio Bolsonaro (PL) contra Lula (PT).
Caiado sem agenda
Bolsonaristas se divertiram com a presença de Ronaldo Caiado (PSD) no encontro governista em Campos Belos, no último sábado (11). “Será que Caiado acha que vai ganhar a eleição com os votos de comissionados da prefeitura de Campos Belos?”, ironizou um apoiador de Flávio Bolsonaro (PL). Aliados de Marconi Perillo também disseram que as lideranças presentes no encontro “foram convocadas em quase toda a região”.
Cambão, Pábio e…
… Joscilene Mangão (Agir) caminham para serem os mais bem votados no Entorno Sul. Pesquisas feitas a pedido deles para avaliarem estratégias e prospectarem demandas da região apontam potencial de votos acima de 40 mil cada um. O deputado Wilde Cambão (União Brasil) tem o apoio do prefeito de Luziânia, Diego Sorgatto (União Brasil), bem como do deputado federal Célio Silveira (MDB). Pábio Mossoró (MDB) não fica atrás em termos de aliado. O prefeito de Valparaíso, Marcos Vinicius (MDB), é uma das lideranças que trabalham para eleger Pábio. Na outra ponta, a ex-secretária de Promoção Social, Joscilene Mangão (Agir), tem como principal aliado seu marido e prefeito de Novo Gama, Carlinhos do Mangão (PL).
Republicanos com Celina – Nesta segunda-feira (13), a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), recebeu os pré-candidatos do Republicanos. Na oportunidade, o partido indicou Gustavo Rocha para a vice e declarou apoio a Bia Kicis (PL) para o Senado.
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