Sistema de OSs é bom para saúde, desde que honesto
As Organizações Sociais são uma ótima ideia que a ladroagem de políticos e empresários tornou ruim. Em Goiás, as OSs se popularizaram nos governos de Marconi Perillo e foram mantidas por seus aliados, depois inimigos, Alcides Rodrigues e Ronaldo Caiado (PSD). O atual governador pré-candidato à reeleição, Daniel Vilela (MDB), nada declarou ainda sobre mantê-las ou varrê-las. Seus concorrentes Marconi (PSDB), Wilder Morais (PL) e alguém da esquerda, possivelmente do PT, também precisam dizer como vão pinçar OSs honestas para gerir os bilhões da saúde dos goianos.
O sistema elimina a burocracia, o que agiliza atendimentos, consultas, cirurgias, aquisições, tratamentos. Como seus empregados podem ser demitidos, e nem à custa de macumba se consegue tirar um preguiçoso se for servidor efetivo, as OSs têm tudo das empresas privadas, inclusive a exigência de o sujeito trabalhar, o que no serviço público é visto como análogo à escravidão. A reforma de um hospital fica dez vezes mais rápida e muito mais barata com OS que nas licitações podres dos departamentos oficiais. Profissional concursado só vai ao serviço quando e se quiser, ainda ditando as regras, exigindo gratificação e diária, as exceções existem apenas confirmando a regra.
Se o dinheiro é de patrão particular, malandro só recebe se tiver sido indicado por algum integrante dos três Poderes. Aí está o defeito do sistema: se a OS negar um favor a qualquer autoridade, é possível que no dia seguinte se inicie uma campanha para tirá-la do mercado e prender seus dirigentes.
É um axioma para Daniel, Marconi, Wilder e o PT resolverem: as verbas públicas vão voltar a ser vítimas da roubalheira de décadas anteriores ou manterão as OSs? Se for mantido o sistema, não necessariamente com as atuais, seus donos serão laranjas do vencedor nas urnas ou a escolha se dará por qualidade e preço? Parece pouco, mas é tudo.
(Especial para O HOJE)