sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Sucesso de Celina prova que política não é questão de gênero

Nilson Gomespor em
celina
O tempo de TV e rádio, em pílulas e programas, é proporcionalmente maior para elas. Têm dinheiro específico no Fundão. Mesmo assim, a quantidade vem caindo - Foto: Lúcio Bernardo Jr./Agência Brasília

Em toda época de eleição se repete o sufoco dos partidos para preencher o que ficou conhecido como cota de mulheres

 

Em toda época de eleição se repete o sufoco dos partidos para preencher o que ficou conhecido como cota de mulheres. Muitos mandatos já foram cassados, inclusive em Goiás, por problemas com essa cláusula. O tempo de TV e rádio, em pílulas e programas, é proporcionalmente maior para elas. Têm dinheiro específico no Fundão. Mesmo assim, a quantidade vem caindo. Foram 3.717 candidatas a deputada federal em 2022 e, neste ano, 2.820. No pleito anterior, eram 38 tentando governos, agora são 34. Nenhuma de sigla com representante no Congresso disputando o Executivo federal ou o de Goiás. Em 2024, dos 246 municípios goianos, só 35 elegeram prefeitas. Vereadoras, só 1 de 25 em Aparecida, 5 de 37 em Goiânia.

O problema não está no gênero, mas na competência, que é individual. Tome-se de exemplo o caso do GDF. Duas goianas (Celina Leão, goianiense; Maria de Lourdes Abadia, de Bela Vista) foram vices de dois governadores do MDB (respectivamente, Ibaneis Rocha, piauiense, e Joaquim Roriz, também goiano). Eles saíram para tentar o Senado, elas assumiram e se candidataram à reeleição. E aí começam as diferenças. Abadia perdeu ainda no 1º turno, enquanto Celina é favorita. Roriz saiu no auge, com alta aprovação e ganhou para senador; Ibaneis tinha boa popularidade, mas foi atropelado pelo Caso Master e desistiu da candidatura ao Senado. Em meio ao caos que herdou, Celina se sobressaiu.

Além da Princesa Isabel, a única mulher que governou o Brasil, Dilma Rousseff, acabou sofrendo impeachment. A 1ª é lembrada como modelo de estadista, a outra tem um legado de trapalhadas. Então, não é o caso de ser homem ou mulher, mas de ter trabalho eficaz ou não, com cota ou não. (Especial para O HOJE)

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