Trabalhar menos e ganhar mais é sonho de todos, mas quem banca?
Pesquisas mostram que 7 em cada 10 brasileiros apoiam o fim da jornada 6×1. Os outros 3 são pequenos e microempresários, autônomos, profissionais liberais e outros que cumprem a jornada 7×0, não 0x7 como quem vive de programas sociais. Nos rompantes, militantes dizem que trabalhar de segunda a sábado é escravidão – ou não sabem do que falam ou desrespeitam a memórias de milhões de vítimas escravizadas. Os parlamentares favoráveis ao novo regime vivem numa bolha lotada de assessores cuja jornada já é de no máximo 5×2, com seus chefes no 3×4. A redução da labuta será bancada por alguém e o dinheiro tem de sair de algum lugar. E será do bolso de quem está no horário de descanso, porque os preços de mercadorias e serviços não vão cair. Pelo contrário.
O argumento dos favoráveis a mais ócio se resume a citar países em que a jornada é menor. Com um porém: neles, em geral, a produtividade e a carga tributária são grandes como a industrialização e ostentam índices soberbos na educação. Não havia qualquer movimento para reduzir jornada, foi mobilização de quem já trabalha pouco e ganha bem e desconhece uma realidade: se reduzir o número de horas numa empresa, o funcionário vai procurar uma segunda ocupação, pois quem gosta de trabalhar como o pão com o suor do rosto, não com margarina. Aliás, as jornadas duplas são uma regra entre os que têm espírito empreendedor, mesmo ainda não sendo patrão. Ou seja, o trabalhador de verdade, não esses ligados a políticos como os que estão votando o fim do 6×1, quer ganhar mais, não trabalhar menos, pois sabe que essa graça não vem de graça. (Especial para O HOJE)