Vendas do comércio mantêm alta em fevereiro e batem novo recorde
As vendas o comércio cresceram pelo segundo mês consecutivo em fevereiro, atingindo seu maior nível na série histórica iniciada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2000 para o setor estritamente varejista – ou desde 2003, quando considerados os resultados da pesquisa realizada no varejo mais amplo, que inclui concessionárias de veículos, motos e autopeças, lojas e redes de acatado e varejo de materiais de construção, alimentos, bebidas e cigarros. A série leva em conta dados devidamente dessazonalizados, quer dizer, com a exclusão de eventos e fatores que sempre acontecem na mesma época a cada ano, para tornar possível a comparação mês a mês.
Em todo o País, o varejo tradicional anotou elevação de 0,6% em fevereiro frente a janeiro deste ano, quando já havia observado um variação de 0,4%. Nesta área, os dados do IBGE vêm oscilando entre ciclos bimestrais de altas, saindo sempre de meses mais negativos desde setembro do ano passado, quando havia recuado 0,1% em relação a agosto. Em outubro e novembro, as vendas haviam avançado 0,5% e 1,0% respectivamente, para recuarem 0,3% em dezembro. Nos dois meses seguintes, o setor voltou a transitar por números relativamente positivos, acumulando variação de 1,0% na comparação de fevereiro deste ano com dezembro do ano passado.
Ainda nos dados sazonalmente ajustados, super e hipermercados tiveram vendas elevadas em 1,1% em fevereiro, alcançando seu nível mais alto na série histórica. Na saída de dezembro para janeiro, o setor chegou a apresentar uma variação modesta de 0,3%. O resultado de fevereiro registrou influência ainda do incremento de 1,7% nas vendas de combustíveis e lubrificantes, recompondo-se da queda de 1,1% anotada em janeiro. Mais dependentes das condições no mercado de crédito, as vendas de móveis e eletrodomésticos chegaram ao terceiro mês sem crescimento em fevereiro, com leve recuo de 0,1% naquele mês, depois de variação nula em janeiro e baixa de 0,5% em dezembro. Idem para as lojas de equipamentos para escritório, informática e comunicação, que registrou tombos de 10,1% em janeiro e 2,7% em fevereiro, acumulando perdas de 12,5% no bimestre.
Números mais positivos
No varejo ampliado, as vendas haviam encerrado em dezembro um período de cinco altas consecutivas iniciado em julho do ano passado, com avanço acumulado de 4,9%. Depois da queda de 0,9% em dezembro, as vendas nesta área cresceram 0,9% e 1,0% em janeiro e fevereiro, numa elevação de quase 2,0% no bimestre. Os resultados mais positivos vieram empurrados pelas altas de 1,6% nas vendas de veículos, motos e peças (depois da alta de 2,9% em janeiro) e de 0,5% no segmento de materiais de construção, em desaceleração quando levada em conta a alta de 3,3% observada em janeiro.
Balanço
O varejo mais restrito, em Goiás, trafegou pelo terceiro mês consecutivo por terreno positivo, anotando variações de 1,1%, de 0,5% e de 1,9% respectivamente em dezembro do ano passado, janeiro e fevereiro deste ano, produzindo um avanço acumulado de 3,6% naquele intervalo na série de dados dessazonalizados. O comércio varejista ampliado respirou com certo alívio em fevereiro, ao crescer 2,4% em relação ao mês imediatamente anterior, saindo de duas quedas em sequência, com baixas de 2,1% e de 1,5% em dezembro e janeiro, pela ordem. Em ambos os casos, o comércio goiano registrou a sexta melhor marca entre as unidades da federação acompanhadas pelo IBGE.
Como já sabido, o instituto não divulga ainda dados dessazonalizados para cada um dos segmentos do comércio varejista regional. Portanto, pode-se ter alguma inferência a partir dos dados mensais comparados a idênticos períodos do ano imediatamente anterior.
Na comparação anual, o comércio goiano tem apresentado desempenho mais favorável do que aquele registrado para as vendas em todo o País, principalmente no varejo ampliado. As venda do setor varejista tradicional têm crescido desde abril do ano passado no Brasil como um todo, atingindo em fevereiro deste ano o 10º mês de alta, embora tenha registrado variação magra de 0,2% em fevereiro passado, na comparação com idêntico mês de 2025, saindo de avanços de 2,4% e de 2,7% em dezembro do ano passado e janeiro deste ano, respectivamente.
O varejo convencional em Goiás chegou a fevereiro ao sétimo mês de números positivos, com incremento de 3,0% em relação ao segundo mês do ano passado (depois de subir 3,4% em dezembro e 3,7% em janeiro). Nos 12 meses encerrados em fevereiro último, no entanto, os ganhos são quase equivalentes e relativamente “enxutos”, com variações de 1,4% na média brasileira e de 1,5% no Estado.
Antes de estragos eventuais trazidos pela guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã, as vendas de combustíveis e lubrificantes saltaram 19,0% em Goiás, frente a fevereiro do ano passado, seguido por avanços de 5,6% nas vendas de medicamentos e cosméticos e de 2,1% nos supermercados. Na média brasileira, os postos tiveram o segundo mês de perdas, ainda que modestas, correspondentes a recuo de 0,2% tanto em janeiro quanto em fevereiro. Mas supermercados e farmácias apresentaram ganhos de 1,5% e de 2,1% (com queda de 5,0% nas vendas de roupas e tecidos e de 1,2% para móveis e eletrodomésticos).
No varejo amplo, o cenário inverte-se ao indicar queda de 2,2% em todo o País, motivada por baixas de 7,8%, de 8,5% e de 1,0% nas vendas, respectivamente, de veículos, motos e peças, materiais de construção e no atacarejo de alimento, bebidas e fumo. Mas registrou-se elevação de 1,0% em Goiás, sustentada pelo atacarejo de alimentos, que apresentou avanço de 0,4% (sexto resultado mensal positivo), e pela ligeira elevação de 0,2% nas vendas de materiais de construção. As concessionárias de veículos e motores venderam 1,8% a menos em fevereiro. Nesta área, as vendas já haviam experimentado baixa de 4,4% em janeiro, resultado que interrompeu uma sequência de cinco meses de crescimento.