Santa Casa pede socorro ao Estado e a prefeitura

Postado em: 02-02-2016 às 00h00
Por: Redação
Superintendência administrativa da instituição aguarda posição sobre complementação de consultas que pode diminuir filas no hospital

Deivid Souza

Diante dos problemas provocados pelo “subfinanciamento” do Sistema Único de Saúde (SUS) e pelo crescimento na demanda, a superintendência da Santa Casa de Misericórdia de Goiânia busca alternativas de recursos junto à Prefeitura e a Secretaria de Estado da Saúde (SES). Segundo o superintendente administrativo da instituição, Aderrone Vieira Mendes, R$ 5 milhões fariam grande diferença no atendimento às consultas.

A ideia é complementar o valor repassado pelo SUS por consulta, hoje em R$ 10. Ele sustenta que com o acréscimo, teria poder de barganha junto aos médicos e teria condições de reduzir as filas e os transtornos como aconteceu ontem (leia mais abaixo). “Nós trabalhamos juntos, tanto com o Município como principalmente como Estado, para verificar se existe a possibilidade de nós criarmos uma necessidade diferenciada de assistência, onde a gente não fique na dependência exclusivamente dos 10 reais do SUS”, explica.

A organização do SUS não responsabiliza o Estado pelo atendimento às consultas médicas como às da Santa Casa. No entanto, segundo Aderrone, já existe uma parceria semelhante no funcionamento dos leitos de UTI com o Estado. 

Pacientes continuam atrás de atendimento 

Parte dos usuários que procurou a Santa Casa ontem voltou para casa sem atendimento. Embora a unidade tenha enviado um comunicado à imprensa na sexta-feira, que  O Hoje publicou, avisando que não haveria disponibilidade de consultas para as especialidades: cardiologia, urologia e risco cirúrgico. Mesmo assim, muitas pessoas se dirigiram até o local. Na porta do estabelecimento também havia cartazes informando o não atendimento. Assim que as portas foram abertas, no início da manhã, o funcionário que controla a entrada e saída teve dificuldade devido ao tamanho da fila que só acabou no meio da manhã.

O aposentado, José Moreira dos Santos, 71, esperava a hora de voltar para Aurilândia, que fica a 130 quilômetros de Goiânia, na Região Central do Estado. Com o resultado de uma biópsia da próstata para entregar, ele contou ao O Hoje que tenta retorno com o urologista desde setembro do ano passado. “A cirurgia já está até liberada, mas até agora não consegui a consulta. Falaram para eu ligar depois do Carnaval”, relatou. 

Cerca de 15 mil pessoas foram prejudicadas 

A dona de casa, Ana Pereira Xavier, 53, contou que chegou às 1h da madrugada para garantir a consulta com um reumatologista e deu certo. “Eu fui atendida e ficou marcado para abril”, comemorava.

A administração da Santa Casa explicou que a não oferta das consultas para as especialidades descritas acima foi motivada pelo acúmulo de demanda provocado pelas paralisações de dezembro e janeiro, quando funcionários entraram em greve por não ter recebido salários. Cerca de 15 mil pessoas foram prejudicadas. A Prefeitura de Goiânia atrasou o repasse nas duas ocasiões.

“Nós já prevemos que em março o hospital em si, não a população, terá dificuldade financeira. Por que não consegui cumprir minhas metas de janeiro, porque eu não recebi da Prefeitura. E aí em março eles vão me imputar uma multa. Então nós vamos buscar medidas legais para representar a Prefeitura porque ela está impingindo a nós um risco que não é nosso”, afirmou Mendes. Atualmente, os repasses estão em dia. 

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