MPF quer suspender propaganda

Postado em: 11-02-2016 às 00h00
Por: Redação

Recomendação anterior feita pelo MPF/GO à Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, para suspender a campanha, não foi atendida

O Ministério Público Federal em Goiás (MPF/GO) ajuizou, na última quarta-feira, dia 3 de fevereiro, Ação Civil Pública (ACP) para que a campanha publicitária intitulada “Somos Todos Brasil”, do Governo Federal, promovida a pretexto da Olimpíada de 2016 na cidade do Rio de Janeiro, seja imediatamente suspensa. A ACP foi instaurada a partir da negativa de atendimento à recomendação feita pelo MPF/GO à Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República que recomendava a suspensão.

Para o MPF/GO, a campanha propagandística, realizada com recursos dos impostos pagos pela sociedade, não atende aos princípios da publicidade, legalidade, impessoalidade, moralidade e eficiência, que impõem ao Estado o dever de prestar informações verdadeiras ao cidadão e à sociedade. Isto porque as peças publicitárias não contribuem para informar, objetivamente, sobre aspectos reais e relevantes do torneio, como, por exemplo, as responsabilidades da União, do estado do Rio de Janeiro, da cidade do Rio de Janeiro, do Comitê Olímpico Internacional e do Comitê Olímpico Brasileiro; nem sobre as ações, políticas públicas e programas que foram estabelecidos entre as condições para que o evento se realizasse naquela cidade; as isenções fiscais concedidas; os financiamentos com recursos públicos subsidiados para a construção das edificações que sediarão as competições etc. 

O procurador da República Ailton Benedito, autor da recomendação, e da ACP, voltou a destacar que a campanha “Somos Todos Brasil”, ao ensejo dos “Jogos Rio 2016”, presta-se, precipuamente, a desinformar a sociedade sobre a verdade econômica, administrativa, política, social e moral experimentada pelo Brasil e pelos brasileiros, bem como estimular no inconsciente coletivo sentimento favorável não à Olimpíada, mas ao Governo Federal, sobremodo à Presidente da República e à coalização partidária que a sustenta politicamente, no que se desvela o caráter patrimonialista da aludida campanha”.

Na ACP, o MPF/GO pede que seja aplicada multa diária de R$ 5 milhões à União, caso a Justiça Federal determine a imediata suspensão e o Governo Federal insista na divulgação da campanha e de R$ 1 milhão de multa diária pessoal aos agentes que retardem o cumprimento das medidas postuladas.

 

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