PC apresenta inquérito. Família espera respostas

Postado em: 20-02-2016 às 00h00
Por: Redação
Filha de vítima diz que “em paz a gente nunca vai estar”

Deivid Souza

Muitas das perguntas que cercam o mistério do desaparecimento da técnica de enfermagem, Deise Faria, 41, em 11 de julho de 2015, ainda persistem, mesmo após a prisão de dois suspeitos de envolvimento no caso e o inquérito estar sendo concluso pela Polícia Civil (PC). O delegado que preside o inquérito, Thiago Damasceno, está convencido que se trata de homicídio. No entanto, ainda não conseguiu esclarecer como ela foi morta, onde está o corpo e qual a motivação para o fato.

A apresentação do inquérito, feita ontem na Secretaria de Segurança Pública e Administração Penitenciária (SSPAP). Durante mais de uma hora, foram expostos elementos que colocam o engenheiro agrônomo, Antônio Davi dos Santos, 44, como suposto autor do homicídio de Deise. “Provamos que uma das peças de roupa que ela utilizava retornou dentro do veículo. Ele devolveu o veículo dela juntamente com a roupa que ela utiliza [no dia do desaparecimento]”, explica Damasceno.

O patriarca do Instituto “Céu do Patriarca e da Matriarca”, Cláudio Pereira Leite, 40, que está preso provisoriamente também será indiciado por ocultação de cadáver. De acordo com o delegado, Cláudio tentou, de várias formas, impedir que a PC chegasse ao corpo da vítima, inclusive tentando fazer com que as testemunhas alinhassem os depoimentos.

Dose a mais

A investigação apontou que o grupo que estava na chácara ingeriu o chá na manhã de sábado e repetiu a dose à noite. Como o chá era muito concentrado, Deise acabou ficando “transtornada”. Então, Cláudio pediu que Antônio a levasse para casa. Antônio manobrou o carro e apanhou Deise a poucos metros do portão, já fora da chácara. O veículo supostamente conduzido por Antônio foi visto em um posto de gasolina na madrugada. Roupas de Deise foram plantadas por Antônio em uma fazenda vizinha à chácara onde o grupo estava. Cláudio e Antônio fizeram buscas na manhã de domingo e depois comunicaram o desaparecimento à família.

Um dos elementos “fundamentais” para o esclarecimento dos fatos foi uma gravação feita pela família de Deise durante buscas realizadas em conjunto com Antônio. Ao confrontar as versões do depoimento e da gravação, a PC conseguiu descobrir várias incógnitas importantes.

Macumba

A  religiosa, Lindomar Carneiro das Chagas, mais conhecida como Llinda, que preparou o chá no dia 11 disse à polícia que Cláudio encomendou vários “trabalhos” contra políticos que acompanhavam o caso e veículos de comunicação da Capital, inclusive o jornal O HOJE.

A filha da enfermeira, Apoena Faria de Souza, 23, se diz satisfeita com o resultado do trabalho da polícia, mas ainda espera esclarecer os outros detalhes do caso. “Queremos  o corpo dela”, afirma e faz um apelo: “Quem viu um Celta prata no dia 11 e 12 de julho, em qualquer lugar, que faça a denúncia, porque às vezes pode ser um local que o Antônio desovou o corpo da minha mãe”.

Relembre

Deise Faria desapareceu no dia 11 de julho após participar de um ritual do Instituto “Céu do Patriarca e da Matriarca” que inclui a ingestão do chá alucinógeno de ayahuasca, no município de Nerópolis, na Região Metropolitana de Goiânia. Após o desaparecimento sobrou contradição nos depoimentos das testemunhas e o corpo ainda não foi encontrado. 

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