65% da população de rua já foi vítima de violência

Postado em: 25-02-2016 às 00h00
Por: Redação
44% dos moradores sofreu tentativa de assassinato. Aponta estudo da prefeitura de Goiânia

Deivid Souza

Sexo masculino (80,6%) idade média de 39,5 anos, baixa escolaridade e negras. Este é o perfil das 351 pessoas em situação de rua de Goiânia, revelado ontem pelo “Censo e perfil da população em situação de rua na cidade de Goiânia”. O documento foi elaborado pelo Núcleo de Estudos sobre Criminalidade e Violência (Necrivi) da Universidade Federal de Goiás (UFG) a pedido da Prefeitura de Goiânia.  

Um detalhe ficou claro na pesquisa: a mesma violência que motivou o estudo, uma série de mais de 30 assassinatos, foi amplamente relatada pelos entrevistados. O levantamento, ao qual O HOJE teve acesso na íntegra, apontou que quase metade da população em situação de rua revelou ter sofrido tentativa de assassinato (44%) e mais da metade (65%) disse ter sido vítima de violência. Os maiores agressores são agentes de polícia (41,3%) (Veja gráficos).

Dados levantados pela Associação dos Papiloscopistas Policiais do Estado de Goiás (Appego), incluídos no estudo do Necrivi, revelaram que em 2014 foram encontrados 102 corpos. Embora a pesquisa deixe claro que não há certeza de que esses corpos sejam de pessoas em situação de rua, existem suspeitas, colocadas por pessoas da Polícia Militar (PM) e da associação, da veracidade desta hipótese.

Os principais motivos que levaram essas pessoas a morarem nas ruas são problemas com familiares, desemprego e drogas. Apesar da grande maioria destas pessoas ser adulta, 21 crianças, 10 adolescentes e 22 idosos, inclusive um com 98 anos, fazem parte da população. A grande maioria está na rua a menos de um ano.

A baixa escolaridade e a cor da pele são fatores que também se destacam. Mais de 70% dos entrevistados estudaram até o primário completo. O índice é praticamente o mesmo do perfil de cor e raça que declarou ser pardo ou preto. Quanto à origem, apenas 30% das pessoas são de Goiás, sendo que 17,7% da capital. 

Trabalhar na rua não é o mesmo que morar 

Antes da pesquisa acreditava-se que a população em situação de rua fosse de aproximadamente 900 pessoas, mas o estudo revelou número bem menor: 351. O coordenador do censo, Djaci David de Oliveira, explica que existe uma distinção técnica que foi aplicada. “A metodologia nacional pede que a gente separe. Quem tem uma casa não é morador de rua, pode ser até um catador de papel, se ele tem uma moradia. Quem vê ele trabalhando pensa que ele é morador, mas não ele tem uma casa, é diferente”, destaca.

O objetivo agora, segundo a Secretária Municipal de Assistência Social (Semas), Maristela Alencar, é a elaboração de políticas públicas que contribuam com melhoria nas condições de vida deste público, inclusive com um projeto de lei que trata do assunto e será enviado em breve à Câmara. “Os próximos passos com os dados da pesquisa é desenvolver políticas sérias na garantia de direitos dessa população que se encontra na exclusão social, na vulnerabilidade social”, completa.

Atualmente, a principal iniciativa nesta área é o Centro Especializado para População em Situação de Rua (Centro Pop), que funciona na Rua 10, Setor Universitário. No local são atendidas em média 80 pessoas por dia com serviços de alimentação, higiene pessoal, lavandeira, guarda-volumes, salão de atividades e atendimento socioassistencial.

 

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