Terça-feira, 07 de fevereiro de 2023

Sem ministra, produtores dizem ‘não’ ao governo

Com um clima político tenso, setor rural alinha discurso em prol da saída do governo petista em evento em Rio Verde

Postado em: 12-04-2016 às 06h00
Por: Sheyla Sousa

RHUDY CRYSTHIAN

Se o agronegócio ainda é considerado a mola propulsora da economia nacional em momento de crise, também pode ser o setor que mais deve exercer pressão nessa semana decisiva para a queda ou não do governo Dilma. Produtores, políticos e entidades se reuniram ontem (11), em Rio Verde, Sudoeste goiano, na abertura da Tecnoshow Comigo, considerada uma das maiores feiras do segmento no País. Governador Marconi Perillo (PSDB) não participou da abertura. A expectativa é que ele visite a feira hoje com um clima mais ameno.

Sem a presença da ministra dissidente, Kátia Abreu, que foi contra a decisão do PMDB de abandonar o governo, políticos aproveitaram o clima tenso e soltaram o verbo contra os últimos desmandes do governo federal. O anúncio da disponibilidade de R$ 6,6 bilhões para emendas constitucionais de parlamentares que votassem contra o impeachment, e a favor do governo, foi o principal ponto destacado pelo senador Ronaldo Caiado (DEM).

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Segundo ele, a presidente transformou o Palácio do Planalto em um grande palanque ou balcão de negócios onde as decisões são tomadas exclusivamente para sua manutenção no poder. O senador também não poupou críticas ao ex-presidente Lula e o acusou de disponibilizar um exército vermelho de manifestantes fantasmas, fazendo referência aos 587 mil beneficiários inexistentes de assentamentos revelados pelo Tribunal de Contas da União (TCU). “Vamos mostrar nosso apoio e nossa força política no próximo domingo (17), durante a votação do impeachment”, disse o senador.

Caiado foi ovacionado pelo público presente na abertura do evento e encabeçou o discurso ‘fora Dilma’. A expectativa ontem era ainda do anúncio de uma frente do agronegócio de combate à corrupção e contra o governo petista, mas os políticos não tocaram no assunto. A ausência da Kátia Abreu foi um dos motivos para o adiamento do anúncio, de acordo com informações de bastidores, ela tem evitado o confrontamento e está preocupada com sua imagem política depois que resolveu ir contra a decisão do partido.

O clima tenso também foi percebido entre o senador do DEM e o vice-governador, José Eliton. Os dois mal apertaram as mãos e um não citou o nome do outro em seus cumprimentos de autoridades. “Só vou cumprimentar quem realmente valha a pena”, alfinetou Caiado.

Já José Eliton adotou um discurso mais ‘panos quentes’ ao afirmar que é dialogando que será encontrado um denominador comum. Mas foi taxativo ao afirmar que o governo estadual não vai admitir conflitos em Goiás. “Aqui não haverá incentivo à desordem. Manifestantes criminosos serão tratados como tal”, garantiu. O vice- governador fazia referência às citações de um dirigente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) que defendeu no início do mês a invasão de terras para uso em reforma agrária.

Invasões de terra

O descontentamento foi unânime. Foi como mexer em um vespeiro. “A presidente está incitando a desordem e a criminalidade”, rebateu o presidente da Cooperativa Agroindustrial dos Produtores Rurais do Sudoeste Goiano (Comigo), Antônio Chavaglia, anfitrião do evento.

De acordo com ele, é vergonhoso o momento político nacional. “Só desastre e corrupção. Chega um momento que isso irrita qualquer cidadão. Precisamos enfrentar o que está acontecendo e mostrar para o governo toda nossa força política”, esbravejou bastante emocionado.

Para o presidente da Federação da Agricultura do Estado de Goiás (Faeg), José Mário Schreiner, chegou o momento que não tem mais como não assumir uma posição contundente. “Somos a favor do impeachment. Chega desse governo. Não temos condições de aceitar isso mais. Não acredito que nossa presidente tenha condições de governar o País”, disse o dirigente em tom de convite para o próximo dia 17. De todas as federações da agricultura no Brasil, apenas uma não apoia a retirada da presidente Dilma.

 

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