60% dos atendimentos de vítimas de trânsito são motociclistas

Maior parte das vítimas de violência no trânsito é homem, jovem e em fase economicamente ativa

Postado em: 14-09-2016 às 06h00
Por: Redação
Maior parte das vítimas de violência no trânsito é homem, jovem e em fase economicamente ativa

Karla Araújo

Mais de 60% dos atendimentos a vítimas de acidentes de trânsito realizados nos maiores hospitais públicos de Goiânia são a motociclistas. De janeiro a agosto deste ano o Hospital de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (Hugol) realizou 3.615 assistências relacionadas a acidentes de trânsito. O número representa quase 20% do total dos atendimentos de urgência e emergência realizados na unidade. Destes, 63% referem-se a acidentes envolvendo motociclistas, 27% a outros tipos de veículos e 10% a atendimentos para vítimas de atropelamento.

Já os profissionais do Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo) realizaram no ano passado 8.490 atendimentos de vítimas de acidentes de trânsito. Destes, 5.436 eram motociclistas, o que representa 64,03%. De janeiro a julho deste ano, foram realizados no Hugo 2.575 atendimentos a motociclistas acidentados, o número corresponde a 66,52% do total de atendimentos às vítimas de trânsito realizados pela unidade no período. No ano passado, foram 3.490 assistências a motociclista no período destacado.

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A titular da Delegacia Especializada em Investigação de Crimes de Trânsito de Goiânia (Dict), Nilda Limas de Andrade afirma que, no geral, 80% dos acidentes de trânsito envolvem motos. “A relação entre os condutores de carros e motos é complicada por causa da imprudência de ambas as partes. Acidentes em que um deles desrespeita o cruzamento são comuns”, explica a delegada. Nilda lembra que os casos tornam-se ainda mais graves devido ao excesso de velocidade. 

Acidentes

Um destes casos aconteceu no início da semana, quando uma mulher e duas crianças de 5 e 9 anos ficaram feriadas após a colisão entre um carro e uma moto, no Setor Cidade Jardim, em Goiânia. As três vítimas estavam na moto e foram levadas ao Hospital de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (Hugol). De acordo com a assessoria do Hugol, Maria das Graças Dias da Glória está em estado gravíssimo e respira por meio de aparelhos. 

Outro caso, desta vez de atropelamento, aconteceu ontem (13), quando uma idosa de 78 anos morreu após ser atropelada por uma motocicleta na Avenida Berlim, no Parque Anhanguera II. De acordo com informações divulgadas pela Dict, o motociclista alegou que uma arvore atrapalhou sua visão e, por isso, não conseguiu parar a moto a tempo. 

Recuperação

José Roberto Augusto, 35 anos, já sofreu dois acidentes de moto. O último aconteceu há três meses. Ele passou por três cirurgias no joelho esquerdo e atualmente faz tratamento de recuperação no Centro de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo (Crer). “Em um dos acidentes eu estava passando por uma avenida e o condutor de um carro não parou no cruzamento e me acertou. No outro, que aconteceu há cinco anos, o motorista não parou em um cruzamento. A preferência era minha, mas fui acertado”, conta José Roberto, que é casado, tem dois filhos e está desempregado. 

O diretor Técnico do Hugo, Ricardo Furtado, afirma que o impacto financeiro do alto número de motociclistas é incalculável, pois não se trata apenas dos gastos com os procedimentos médicos, já que a recuperação da vítima demandará tempo que além da internação hospitalar. Furtado explica que a maior parte das vítimas é homem, jovem e está em fase economicamente ativa. “Toda a família sofre. A renda desta pessoa provavelmente é importante para o controle dos gastos familiares e o tempo de recuperação pode trazer diversos transtornos.

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