Após um ano e meio de pandemia, protocolos são seguidos pela maioria

Isolamento social caiu pela metade no Estado, em comparação à março do ano passado, quando cerca de 65% da população estava em quarentena.

Postado em: 17-07-2021 às 09h07
Por: Daniell Alves
Isolamento social caiu pela metade no Estado, em comparação à março do ano passado, quando cerca de 65% da população estava em quarentena | Foto: Jota Euripedes

Em um ano e meio de pandemia da Covid-19, o estado teve altos e baixos e atualmente tem conseguido manter a desaceleração dos casos da doença. De lá para cá, a população sofreu com a falta de leitos em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), o comércio deixou de funcionar por um grande período e os estudantes precisaram se adaptar às aulas não presenciais. As medidas para evitar o contágio da Covid-19 na área do comércio passou por diversas flexibilizações e, agora, retorna ao normal gradativamente.

A reportagem do O Hoje percorreu bares e restaurantes, shoppings centers da Capital e  a região da 44 para observar quais foram as principais mudanças desde o último ano. Dentro desses estabelecimentos, foi observado que grande parte das pessoas têm respeitado as regras do uso da máscara e distanciamento. Os lojistas também adotaram o uso do álcool em gel e limitação de pessoas dentro de cada loja, revela a comerciante Débora Ester, que trabalha há cerca de três anos no local. “Como a loja é pequena, só permitimos a entrada de até quatro pessoas”, explica.  Ela conta que no início da pandemia, com as portas fechadas, a loja continuou o atendimento on-line, mas sofreu uma queda muito grande nos lucros. “Somente agora nesses últimos três meses que as vendas voltaram à normalizar”, revelou em entrevista ao O Hoje. 

Outro local visitado pelo O Hoje foi o Shopping Bougainville, que também adotou diversas medidas para atender o público. A Coordenadora de Marketing do centro de compras, Amanda Starling, ressalta que foi implementada uma série de protocolos especiais para garantir a limpeza de todos os ambientes e respeitando as orientações dos órgãos de saúde.

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“Entre eles a aferição de temperatura em todas as entradas; controle de fluxo; distanciamento de 2 metros sinalizado em todo shopping; limite de clientes por loja, respeitando o m²; praça de alimentação, cafés e restaurantes atendendo com capacidade reduzida e oferecendo a opção Delivery e Take Out, além de distribuição de dispenser de álcool em gel por todo o shopping”, informa. 

Questionada se houve resistência por parte dos clientes para seguir os protocolos, ela afirma que não foram registrados problemas. “O que podemos ver em algumas situações, é a retirada da máscara ou uso incorreto, mas nossa equipe de segurança treinada está sempre atenta à essas situações para  abordar e orientar o cliente quando necessário”, revela Amanda. Atualmente, o shopping trabalha com cerca de 30% da capacidade total.

Isolamento 

Cerca de 35% dos goianos estão em isolamento social atualmente, de acordo com a plataforma In Loco. Se comparado a março de 2020, houve uma mudança drástica nesse quesito. Na época, as ruas estavam mais vazias, o trânsito mais rápido e as lojas com pouco movimento. Atualmente, a realidade não é mais essa, já que a população tem circulado muito mais.

Em março do último ano, conforme mostrado pelo O Hoje, a maioria das pessoas estavam conscientes e seguiam em isolamento domiciliar após a pandemia do Coronavírus. O estado tinha 65% da população dentro de casa, que é uma das medidas preventivas anunciadas pelo Ministério da Saúde (MS). No mês seguinte, entre todos os estados brasileiros, Goiás estava em primeiro lugar no ranking de isolamento.

Vacinação 

Após o início da vacinação, os protocolos puderam ser flexibilizados, como ocorreu recentemente. A grande novidade foi a liberação dos cinemas e teatros que estavam há mais de 400 dias fechados por conta da Covid-19. O prefeito Rogério Cruz afirmou que esta flexibilização só está sendo possível por conta da parceria entre setor público e privado.

“O setor produtivo sempre se mostrou aberto ao diálogo. Quando precisávamos fechar, os dados epidemiológicos à época eram apresentados e eles nos atendiam. Agora, como estamos em uma situação mais segura, é possível flexibilizar um pouco mais as medidas”, afirmou Cruz.

Os bares e restaurantes podem funcionar até às 3 horas da manhã, aumentando o limite de 6 para 8 pessoas por mesa e com capacidade máxima de 50% de ocupação. Já os cinemas, teatros e circos, voltarão a abrir com a metade da capacidade de cada local, respeitando as medidas sanitárias como a utilização de máscara, aferição de temperatura e álcool em gel. Outra mudança fica por conta do comércio. Será liberado o funcionamento de acordo com o alvará de cada estabelecimento.

De acordo com o secretário de Governo, Arthur Bernardes, a manutenção das regras do decreto só é possível por conta do avanço da vacinação e uma leve queda nos números de ocupação de leitos nos hospitais. “As taxas de ocupação de leitos, que já ultrapassaram 90%, hoje estão na casa dos 75% para UTI e abaixo de 70% para enfermaria. Esse é o resultado da vacinação que avança cada dia mais e a conscientização da maioria da população”, afirma Bernardes.

Cerca de 3 mil estabelecimentos foram fechados 

De acordo com levantamento do Sindicato dos Bares e Restaurantes de Goiânia (Sindibares), desde o início da pandemia, foram cerca de 10 mil empregos perdidos e 3 mil estabelecimentos fechados na Capital. Entre eles estão bares, restaurantes, pizzarias, cafeterias, pamonharias e lanchonetes. Além disso, os reajustes nos preços dos produtos estão dificultando a recuperação do setor. 

Segundo o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação em Goiânia, alguns produtos e serviços acumulam reajustes pesados nos últimos 12 meses, como o óleo de soja, que subiu 88,5%, o arroz, que ficou 52% mais caro, e a costela, cujo preço já aumentou quase 49%. Mas, segundo os empresários, alguns insumos já subiram mais de 100% no período, como as embalagens e derivados de plástico. De acordo com o presidente do Sindibares Goiânia, Newton Pereira, os reajustes recorrentes são bastantes preocupantes. “É algo contraditório, que deixa a retomada bem mais difícil”, avalia. 

No último mês, Marco Soares, proprietário de um restaurante em Goiânia, anunciou a paralisação das atividades. Segundo a direção da unidade, os serviços só irão retornar quando tiver maior estabilidade. O dono do restaurante registrou uma queda de 80% no ano passado. 

Mesmo com capacidade para atender 80 pessoas, o estabelecimento recebia cerca de 20 clientes diariamente. Marco informou que havia adotado todas as medidas de segurança estabelecidas pela área da Saúde para impedir o contágio do novo Coronavírus. Enquanto estava aberto, clientes só podiam entrar com máscaras, as mesas possuíam distanciamento de dois metros, além da disponibilização de álcool em gel e capacidade de atendimento de 50%. (Especial para O Hoje). 

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