Foragido, líder de quadrilha de roubo de cargas ameaça policiais

Goulão é um dos maiores ladrões de cargas de Goiás

Postado em: 23-09-2021 às 08h50
Por: Redação
Goulão é um dos maiores ladrões de cargas de Goiás | Foto: Reprodução

Por Yago Sales

No rol de grandes diretores de filmes policiais, Doug Liman, Neill Blomkamp, John McTiernan, Matthew Vaughn colocar nas telinhas histórias como a trilhada pelo goiano Rodrigo Fernandes Goulão de Almeida, apontado como líder de uma violenta quadrilha de roubo de cargas nas rodovias federais brasileiras.

É dele um áudio enviado a comparsas afirmando que mataria policiais. Em uma das falas intimidatórias, ele diz, irritado: “Estou com uns pentão caracol, eu estou com quase mil balas. Sai para a porta aí, põe a cara. Põe a cara, ladrão, põe a cara”.

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Em outra gravação, outro integrante do bando tenta driblar uma patrulha policial. “Deixa eu te falar, desce para cá não. Não desce não, de jeito nenhum. Se tu for descer, vem pelo Centro. Olha, nos viadutos tudinho aqui o menino falou, até no outro posto, está topado de polícia. E na estrada, onde sobe para casa e dá o retorno, cheio de polícia. Nem invente de descer para cá”, disse.

Na manhã de ontem (22), Goulão foi alvo da operação “Ponto Final”, liderada pelo titular da Delegacia Estadual de Repressão a Furtos e Roubos de Cargas (Decar), Alexandre Bruno, com apoio da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e da Rondas Ostensivas Táticas Metropolitana (Rotam).

Goulão foi procurado por policiais para prendê-lo em uma casa com concertina no muro no Jardim América. Na residência, uma faixa branca com letras vermelhas de aluga-se não conseguiu enganar os policiais, que descobriram que ele residia ali com a mulher e dois filhos, mas que havia viajado. Dentro da casa, encontraram motocicleta, carro e documentos.

Três anos atrás, Goulão foi preso pela mesma delegacia que o identificou como um dos líderes do grupo indicado como de alta periculosidade durante roubo de cargas, principalmente combustíveis. Nas ações, usava da violência física e psicológica contra caminhoneiros. Antes de ter sido preso em uma clínica de estética, ele tinha sido preso pela Decar, de onde conseguiu fugir inexplicavelmente.

Desde 2012 o criminoso acumula, no judiciário federal e estadual, protagonismo em crimes como roubo, uso de documentos falsos, receptação e associação criminosa. A trajetória no crime lhe concedeu fama pela periculosidade, deixando policiais atentos quanto às operações que envolvam seu nome.

Quando foi preso na última vez, o criminoso usava um nome falso: Clariston Rodrigo de Souza. Na fotografia do documento adulterado, ele aparece com cabelo. À época, ele pretendia fazer plástica no rosto, com a clara intenção de se disfarçar.

Na operação desencadeada ontem, foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão em Goiás, Minas Gerais, Tocantins, Distrito Federal e em estados do Nordeste. No território goiano, oito integrantes da organização foram presos. O prejuízo causado às empresas de transportes soma-se a de R$ 80 milhões.

Segundo a Polícia Civil, o grupo de Goulão praticava os crimes há 10 anos no Brasil e abordavam caminhoneiros em rodovias e roubavam combustível, cerveja, medicamentos e produtos alimentícios. Nos roubos, os criminosos armados abordavam os motoristas com violência e os mantinham em cárcere privado. A investigação descobriu que as cargas furtadas eram levadas para centros de distribuição em Goiânia e Anápolis, e depois revendidas para supermercados e postos.

Segundo a Polícia Civil, documentos devem apontar a atuação de donos de estabelecimentos, inclusive de um supermercado. Caso sejam comprovadas qualquer ligação deles com o bando, devem responder pelo crime de receptação. (Especial para O Hoje)

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