Com retorno lento às academias, alunos ainda preferem treinos ao ar livre

Postado em: 10-12-2021 às 08h23
Por: Nielton Soares
Parte de clientes da personal trainer Maysa Raquel optaram em cancelar os atendimentos | Foto: Reprodução

Embora tenha sido uma das atividades mais impactadas com os constantes fechamentos do comércio ao longo dos últimos 20 meses de pandemia,  o setor esportivo, incluindo academias de ginástica e musculação, começa a retomar o fôlego, mas o retorna à academias ainda anda devagar. De acordo com levantamento da Criteo – empresa de tecnologia global o volume de vendas de artigos esportivos aumentou em 127% neste ano em relação a 2020. Vale lembrar que o ano passado foi de incertezas e mais crítico do enfrentamento à Covid-19.

Com praias,  academias e parques livres para prática de atividades ao ar livre,  a tendência para voltar a mexer o corpo é de retomada. Outra pesquisa, da Visa Consulting Analytics (VCA) registrou  alta de 35% no número de transações (on-line e presenciais) referente a vendas de artigos e equipamentos esportivos realizadas no segundo trimestre deste ano (de abril a junho), em relação a igual período no ano passado. Além disso, as empresas do setor notaram um crescimento constante no ticket médio de compras.

Paralelo aos dois levantamentos, a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) realizaram um estudo. Nele, é mostrado que quase a totalidade de consumidores brasileiros (98%) estão procurando o melhor preço antes de concluir qualquer compra pela internet. O setor registrou também nos últimos anos um ‘boom’ de vendas de bicicletas ergométricas, esteiras e outros equipamentos para a prática esportiva em casa. Dados recentes da pesquisa Webshoppers, 43, elaborada pela consultoria Ebit/Nielsen junto com o Bexs Banco destacam que o comércio eletrônico obteve alta de 41% no Brasil em 2020, sendo que 13 milhões se tornaram e-consumidores. Assim, o número de compradores on-line alcançou os 29% ante o ano anterior (pré-pandemia).

Por outro lado, nas academias, a frequência de alunos ainda não é a mesma dos registrados antes da chegada da Covid-19 no país. Uma academia localizada em Goiânia, que oferece várias práticas esportivas, como aulas de pilates, zumba, alongamento, ergometria, jump, lutas, musculação, pilates, treinamento Funcional e outros; aos poucos começa a receber os alunos.

 O proprietário, Lucas Pereira, diz que, em comparação ao ano passado, a frequência melhorou, mas não aos patamares dos 20 meses atrás. Quando houve a reabertura das academias, em agosto do ano passado. Pereira lembra que a unidade atendia cerca de 15% da capacidade e, atualmente, está entre 60 e 70% dos alunos. “Se tudo continuar da forma que está, assim, se não vier outra onda (Covid-19), até o final do primeiro trimestre do ano que vem, 2022, a gente já consegue voltar a quantidade de alunos que tínhamos antes da primeira onde de 2020”, prevê.

Desafios da pandemia

De acordo com o empresário, durante a pandemia o principal desafio foi administrar as dívidas trabalhistas, com fornecedores e impostos, pois a empresa foi surpreendida com os constantes fechamentos para conter a disseminação do novo Coronavírus. “Mesmo que a mídia mostrava que vinha algo problemático. A gente não tinha caixa, a gente não se preparou, não tínhamos uma reserva de emergência”, lembra, acrescentando que o balanço ainda é negativo, tendo cerca de 60% de dívidas negociadas e em processo de pagamento.

Sem esperar que as portas ficassem fechadas por muito tempo, a equipe do Lucas buscou fazer aulas on-line, como forma para manter o negócio e motivar os alunos na continuação da prática de exercícios. “A gente não investiu recursos, dinheiro, mas tempo. Houve um movimento dos professores em manter os alunos ativos, com exercícios em casa ou, até mesmo, em praças. Mas não foi um movimento muito aceito pelos nossos alunos. Alguns engajaram, mas posso dizer, que eram no máximo 3% dos nossos alunos”, pontua. Ele cita ainda que com a paralisação, os alunos perderam o rendimento e condicionamento físico. Uma que muitos seguiam rotinas para perda de peso e ganho de massa muscular.

Artes Marciais

Do mesmo segmento, mas voltada para as artes marciais, uma tradicional academia da Capital também enfrentou o total de quatros meses de portas fechadas e mais outros meses com redução da capacidade de público. O proprietário, Sinval Bittencour, salienta que com o retorno das atividades, os alunos também retornaram e houve a procura de novos alunos. “Voltou como era antes. O pessoal voltou com a força toda. Até acho que com mais força”.  

Mas essa retomada não está para todos do segmento, como para quem faz atendimento e acompanhamento de atividades físicas a domicílio. Esse é o caso da personal trainer, Maysa Raquel, que os alunos começaram a retornar às aulas nos últimos três meses. “Porém, a quantidade é diferente, porque muita gente perdeu renda”, salienta, acrescentando que os clientes da classe média fizeram a opção de cortar os serviços. “Os clientes da classe A continuam malhando, com os cuidados”, cita.

Mercado de artes marciais crescerá US$ 249 milhões até 2025

O mercado de equipamentos para artes marciais deve crescer cerca de 249 milhões de dólares até 2025, com um fomento anual composto de 5%, segundo relatório divulgado pela Technavio, empresa global de pesquisa industrial. O relatório é segmentado por produto (equipamentos de proteção e de treinamento), usuário final (individual e organização), canal de distribuição (offline e online) e geografia (Américas do Norte e Sul, Europa, Ásia e África). A América do Norte lidera o ranking mundial, com previsão de crescimento de 45% no período analisado. Os Estados Unidos são a principal economia geradora de receita do mercado de equipamentos de MMA (artes marciais mistas), com cerca de 3,6 milhões praticantes ativos no país.

Embora a pandemia de covid-19 tenha impactado fortemente o setor em 2020, resultando no fechamento de academias e no adiamento de campeonatos, o aumento na adoção de tecnologias de condicionamento físico ajudou a impulsionar o setor, com o mercado global de sensores vestíveis estimado em 1,9 milhões de dólares em 2024.

Outro fator é o aumento da conscientização sobre a necessidade de manter um estilo de vida saudável. Segundo Frank Silverman, Diretor Executivo da Martial Arts Industry Association, a economia turbulenta em decorrência da pandemia não deve impactar de forma negativa o futuro das artes marciais. “Negócios bem administrados, que ensinam artes marciais respeitando os protocolos de segurança, têm tudo para prosperar nos próximos anos”, afirma. 

O brasileiro Bruno Munduruca, CEO da Fighters Market, uma das empresas líderes no varejo online de vestuário e acessórios para jiu-jitsu, aponta 2021 como o período de maior crescimento desde a fundação da companhia, em 2009. “Crescemos 50% em comparação a 2019, melhor ano da nossa história até então”, afirma o empresário e atleta faixa preta em jiu-jitsu.

Baseada na Califórnia, a Fighters Market oferece um mix de 3 mil produtos, com distribuição nos Estados Unidos, Europa, Austrália, Coréia, Japão e, a partir do ano que vem, no Brasil, incluindo uma loja física em São Paulo. “Por conta da carga tributária, nossa estratégia foi crescer primeiro no exterior para depois investir no Brasil, berço do esporte que ajudamos a expandir no mundo”, conta o empresário, que patrocina 22 atletas, incluindo os brasileiros Leandro Lo, campeão mundial de jiu-jitsu, e Ícaro Moreno, de 8 anos, três vezes campeão Pan-Americano na categoria infantil. “O crescimento no setor se deve, especialmente, à adesão de mais crianças e mulheres no esporte”, comenta Munduruca. De acordo com um estudo recente divulgado pela IBIS World, a indústria de artes marciais atende a um público diversificado mas os homens ainda são maioria, com 64,7% do mercado. Praticantes de até 17 anos geram a maior receita do segmento, 55,7%. O estudo revelou também que 35% dos atletas do setor fazem aulas de MMA, seguido de karatê com 22,2%, taekwondo com 12,8% e judô com 10,2%. A pesquisa registrou uma receita total do setor de 5 bilhões de dólares em 2019, com 80.559 empresas de artes marciais em operação.

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