Quinta-feira, 29 de fevereiro de 2024

Goiânia registra mais de 33 mil casos de dengue

O crescimento expressivo colocou Goiás em segundo lugar entre os Estados com mais mortes pela doença, atrás apenas da Bahia.

Postado em: 03-05-2022 às 08h13
Por: Redação
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O crescimento expressivo colocou Goiás em segundo lugar entre os Estados com mais mortes pela doença, atrás apenas da Bahia | Foto: Reprodução

Por Ítallo Antkiewicz

O número de casos de doenças transmitidas pelo mosquito Aedes Aegypti explodiu em Goiás neste ano. Apenas na primeira semana de 2022, as notificações de dengue aumentaram 572% em comparação com a primeira semana de 2021. Desde o início do ano, foram 56.470 casos confirmados e 21 óbitos, no mesmo período de 2021 se registrou 20.282 casos e 15 óbitos. Goiânia apresenta o maior registro de casos de dengue, com 33.064 casos, o que representa uma incidência de 1.736 casos a cada 100 mil habitantes, segundo os dados da Secretaria Estadual de Saúde (SES-GO). 

O crescimento foi tão expressivo que colocou Goiás em segundo lugar entre os estados com mais mortes pela doença, atrás apenas da Bahia. Além da dengue, também cresceu o número de notificações para chikugunya de 1.171 casos notificados no ano passado para 2.704 casos neste ano, uma variação de 131% e de zika que saiu de 29 notificações no ano passado para 104 notificações neste ano, embora o número de casos de zika confirmados tenha caído de 15 para 11 até o momento. 

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Todas essas doenças são arboviroses, tratam-se de patologias causadas por vírus que são transmitidos pela picada de artrópodes (arbovirose é uma contração do termo em inglês arthropod-borne virus). São assim designados não somente pela sua veiculação através de artrópodes, mas principalmente pelo fato de parte de seu ciclo replicativo ocorrer nos insetos.

O coordenador estadual de Dengue, Zika e Chikungunya da Secretaria de Saúde de Goiás, Murilo do Carmo, afirma que vários fatores contribuíram para estes resultados ruins no estado, como a circulação concomitante de dois sorotipos do vírus da dengue, os tipos 1 e 2.

“Tivemos um intenso período chuvoso no Estado de Goiás, que fez com que aumentasse a oferta de água nos criadouros e favorece a multiplicação de Aedes aegypti. Somado a isso, tivemos baixa adesão da sociedade em campanhas de combate aos criadouros do mosquito”, ressalta o coordenador.

Período chuvoso 

O infectologista Sérgio Zanetta, esclarece que a entrada e circulação dos sorotipos 1 e 2 em uma população que ainda não se infectou é um dos fatores responsáveis pelo aumento dos casos de dengue. “Existem quatro tipos de dengue. Todos podem evoluir de maneira mais leve ou mais grave”, explica.

O especialista destaca que, neste ano, a estação chuvosa foi mais prolongada, o que permitiu a formação de mais criadouros do aedes aegypti. “Ainda vamos ter muitos casos de dengue, pois está muito quente e úmido, o que ajuda na proliferação do mosquito. A pandemia da Covid-19, com o fato de as pessoas não terem se deslocado muito, somado com um período de estiagem contribuiu para a redução dos casos de dengue nos últimos dois anos”, afirma o infectologista.

De acordo com Zanetta, a preocupação principal gira em torno de dois aspectos: o sorotipo 2 e as pessoas que já pegaram dengue pelo menos uma vez. “O sorotipo 2, que temos visto circular bastante aqui, possui uma fisiopatologia que torna ele responsável por casos mais graves. Além disso, existe uma preocupação com as pessoas que já se infectaram uma vez, pois elas não estão protegidas dos demais sorotipos e existe uma chance maior de elas terem gravidade caso adoeçam novamente”, ressalta.

21 mil toneladas de entulhos recolhidos

A primeira maratona de limpeza está sendo realizada desde o dia 12 de abril e já recolheu muito lixo pelos bairros de Goiânia. Em apenas 15 dias a Companhia de Urbanização do Município de Goiânia (Comurg) já atendeu mais de 450 bairros, mas o intuito é ir além disso, é atender cerca de 700 setores fazendo a limpeza de lotes baldios, calçadas e ruas da Capital. Outra meta é manter a cidade limpa e combater possíveis focos da Dengue.

Colchões, sofás, pedaços de madeira e restos de construção como tijolos, telhas e concreto são alguns dos objetos que a ação tem recolhido pelas ruas da cidade. Já foram removidas cerca de 21 mil toneladas de entulho, mais de 5 milhões de mato alto roçado, e cerca de 600 mil metros de meio fio foram pintados. Os servidores trabalham sem parar para alcançar a meta de limpar a cidade e evitar possíveis criadouros da dengue após o período chuvoso.

A assessora de comunicação da Comurg, Hacksa Oliveira, ressaltou sobre a importância da ação, e que agora cabe às pessoas se conscientizarem e evitarem jogar lixo nesses locais. “Estamos realizando uma força-tarefa contra a dengue, e a redução desses materiais auxilia no combate à proliferação dos mosquitos transmissores. Esperamos que não seja necessária uma segunda maratona”, afirmou.

Oliveira afirmou que a ação também contribui para deixar a Capital mais limpa e organizada, para oferecer uma melhor qualidade de vida aos moradores. “A atitude de descartar objetos em áreas públicas deve mudar, e a população precisa se conscientizar e saber que a prefeitura tem serviços que buscam esses entulhos e móveis velhos, além dos ecopontos existentes. Basta utilizar o app da Prefeitura 24 horas”, concluiu.

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