Com grande número de casos, saúde descarta possibilidade de falta de testes para dengue

Postado em: 18-05-2022 às 08h48
Por: Redação
Em Goiás foram notificados 73.652 casos da doença. Pelo menos 7 estados e o Distrito Federal relatam falta de exames para detecção da doença | Foto: Reprodução

Por Ítallo Antkiewicz e Sabrina Vilela

Apesar do aumento dos casos de Dengue em Goiás, não há riscos de faltar testes para detecção da doença em hospitais e postos de saúde, como ocorreu em outros estados. O Brasil registrou mais de 654,8 mil casos notificados da doença. Já o Estado apontou 73.652 casos da doença. Entre os municípios que mais tiveram casos estão Goiânia, que apresenta maior incidência, com 37.913 ocorrências, seguido por Aparecida de Goiânia com 10.885, Anápolis com 6.116, e Rio Verde com 5.680.

A Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO) informou que o Laboratório de Saúde Pública Dr. Giovanni Cysneiros (Lacen-GO) dispõe de 225 testes PCR fornecidos pelo Ministério da Saúde (MS), que estão sendo utilizados nesta semana, com outros adquiridos pelo Estado, e está prevista a chegada de nova remessa de testes moleculares também esta semana.

Ao mesmo tempo, o Lacen-GO tem em aberto compra de insumos próprios, até mesmo para tipificar a dengue (DENV1, DENV2, DENV3 e DENV4). De acordo com a SES-GO, os kits de testes moleculares têm sido enviados pelo Ministério da Saúde com periodicidade mensal ou semanal (em casos de pedidos urgentes).

“Esse fornecimento é vinculado às solicitações da unidade. Em maio, o Lacen-GO recebeu importante quantitativo de testes sorológicos para dengue e, atualmente, tem em estoque mais de 6 mil testes. Dessa forma, não há risco de falta em curto prazo, para sorologia. A demanda de amostras está se estabilizando e dando sinais de diminuição, o que indica que os estoques de sorologia para dengue no Lacen podem durar até julho”, pontua a pasta.

Rede particular

No pronto-atendimento do plano de saúde privado Unimed Goiás, a procura diária por testagem para a doença cresceu sete vezes em relação ao mesmo período do ano passado.

Em nota, a rede afirmou que o abastecimento dos insumos laboratoriais específicos para o teste NS1 é constante e generalizado em função da alta demanda dos casos de Dengue na região nos últimos dias e que não houve atraso na entrega dos fornecedores deste insumo para todos os laboratórios.

“Os pacientes com sintomas de Dengue estão sendo submetidos aos testes capazes de confirmar o diagnóstico e de orientar os tratamentos, tais como hemograma e testes de anticorpos, que seriam suficientes para orientar a conduta clínica, sendo o exame NS1 de natureza apenas complementar (confirmação diagnóstica)”, afirma trecho da nota.

Importância do teste

O teste rápido para Dengue auxilia no rastreamento, em caso de suspeita da doença, para pessoas com sintomas sugestivos ou sob risco. É um exame de detecção qualitativa e simultânea de anticorpos IgG, IgM e/ou do antígeno do vírus da Dengue NS1 dos quatro sorotipos.

O infectologista Robert Fabian Crespo Rosas, e professor de Medicina, explica que o teste é fundamental para diferenciar doenças que têm sintomas semelhantes à dengue. “O teste está facilitando a conduta médica nos casos duvidosos. Principalmente quando o resultado é positivo, pois permite iniciar o tratamento com segurança. Após o diagnóstico, o tratamento deve ser logo iniciado, mas o ideal mesmo é evitar ao máximo a doença por meio de prevenção (uso de repelentes, evitar acúmulo de água parada, colocar areia em vasos de plantas e tela nas janelas, etc).”, afirma.

Segundo o infectologista, os testes sorológicos ou de pesquisa de antígenos do vírus da Dengue não permitem detectar novas variantes. “Para realizar a detecção de variantes ou sorotipos da Dengue são utilizados os testes de biologia molecular (PCR)”, pontua.

Rosa ressalta que a Dengue se manifesta por tipos e intensidades diferentes, então, ao contraí-la, a pessoa pode lidar tanto com a sua forma mais branda quanto com a mais perigosa. “Um dos problemas da doença é que a fase leve pode evoluir para a mais complicada, caso não seja tratada o quanto antes. Por isso, uma simples suspeita já deve ser o suficiente para que o paciente procure um médico”, explica.  

Todo paciente com suspeita de dengue, precisa ser avaliado por um médico via exame físico. Neste exame, será possível determinar a gravidade do caso do paciente (isto é, se este apresenta sinais de alarme ou choque). Por meio dessa avaliação, ele terá uma classificação de risco de A a D, baseada em seus sinais e sintomas, considerando A o menor risco e D o maior risco”, afirma o infectologista.

Ele explica ainda que os testes sorológicos têm como objetivo identificar anticorpos em sangue de indivíduos doentes.”Para tal efeito são realizados estudos in vitro com cultura de células infectadas pelos diferentes subtipos do vírus da Dengue (den-1; den-2; den-3; den-4). O próximo passo é expor essa cultura celular com o soro de pacientes suspeitos de Dengue”, detalha o especialista. 

Segundo ele, se o soro desses pacientes conter anticorpos contra a dengue, esses anticorpos se ligam às partículas virais presentes. Sendo assim, resultado positivo para infecção pelo vírus da Dengue.

Goiás registra mais mortes por Dengue neste ano do que em 2021

A quantidade de mortes por Dengue em Goiás neste ano já supera o quantitativo total registrado ao longo de 2021. Após pouco mais de cinco meses de 2022, o Estado notificou 36 óbitos pela doença, enquanto foram confirmados 33 em todo o ano passado. Há ainda 127 mortes suspeitas de ter alguma relação com a dengue, todas registradas entre janeiro e maio, segundo os dados da Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO).

De acordo com os números contabilizados pela pasta, a quantidade de casos de dengue triplicou se compararmos as semanas 1 e 18 do último ano e do ano atual. Em 2021, no respectivo período, foram notificadas 36.462 infecções, enquanto neste ano, já são mais de 145 mil infectados pela doença no Estado. Mais de 110 municípios goianos possuem grau de risco considerado alto, de acordo com o Mapa de Incidência da dengue disponibilizado pela SES-GO.

De acordo com a superintendente em Vigilância de Saúde, Flúvia Amorim, até maio deste ano foram no total 36 mortes confirmadas. “O número de óbitos é bem maior que o do ano passado. Estamos nesse exato momento com 36 óbitos confirmados no 127 em investigação. No ano passado inteiro nós tivemos 33 óbitos confirmados”, afirma.

O último boletim da dengue da SES-GO mostra os dados obtidos entre 2 de janeiro e 7 de maio deste ano. O levantamento indica que Goiás teve aumento de 300,09% de casos confirmados e notificados em comparação com o mesmo período do ano passado.

Neste período em Goiás, foram 73.645 confirmados e 145.879 notificados, conforme o boletim. Veja abaixo as cidades com mais casos notificados de dengue, conforme boletim da SES.

A superintendente informou que em maio do ano passado a secretaria emitiu um alerta para as cidades goianas sobre uma possível epidemia. “Emitimos um alerta para todos os gestores municipais para que eles se atentassem a uma possível ocorrência de epidemia e de surtos de dengue e chikungunya e, infelizmente, estamos vendo que isso se concretizou em 2022”, afirma.

Conforme boletim epidemiológico do Ministério da Saúde (MS), Goiás tem cerca de cinco vezes mais casos de dengue por 100 mil habitantes que a média nacional. A informação é do boletim divulgado no dia 6 de maio deste ano, com dados levantados até a semana 17 de junho de 2022.

Segundo o levantamento, a cada 100 mil moradores de Goiás, 1.556,7 mil têm ou tiveram dengue este ano, segundo O órgão indica que essa incidência é de cerca de cinco vezes maior do que a média em todo o Brasil, que é de 307 diagnósticos para cada grupo do mesmo número de pessoas.

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