Alunos da UFG distribuem refeições a céu aberto após RU fechar devido protestos

Durante a manifestação, a empresa se recusou a continuar servindo refeições. Diante disso, os estudantes entraram no RU para servir os alimentos para os estudantes que estavam na fila.

Postado em: 05-07-2022 às 11h32
Por: Rodrigo Melo
Durante a manifestação, a empresa se recusou a continuar servindo refeições. Diante disso, os estudantes entraram no RU para servir os alimentos para os estudantes que estavam na fila | Foto: Redes sociais

Os estudantes da Universidade Federal de Goiás (UFG), no Câmpus Samambaia, prepararam e fizeram suas refeições a céu aberto na frente do Restaurante Universitário (RU) na noite desta segunda-feira (4/7) e manhã de terça-feira (5). Esta foi a saída encontrada pelos estudantes após a Vogue – empresa que administra o RU da UFG – anunciar que não serviria essas refeições.

Na noite de segunda-feira, após a manifestação, a empresa fixou cartazes na porta do restaurante localizado no Campus Samambaia, informando que houve ameaças e que os estudantes portavam armas brancas. Testemunhas relataram ao Portal 6 que os manifestantes pularam catracas e usaram facas e garfos para bater em panelas no protesto. A Polícia Militar (PM) foi acionada pela empresa e esteve no local para dar suporte.

Alunos de graduação e pós-graduação protestaram contra o aumento do valor pago pelos pós-graduandos, a má qualidade do serviço prestado e as longas filas em ambos os restaurantes administrados pela Vogue. O valor pago por esses estudantes foi alterado de R$4,00 para R$7,34 na última sexta-feira (1).

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Durante a manifestação, a empresa se recusou a continuar servindo refeições. Diante disso, os estudantes entraram no RU para servir os alimentos para os estudantes que estavam na fila.

Foto: Redes sociais

O cartaz foi retirado poralunos, que segundo os organizadores das refeições voluntárias, não fazem parte do movimento. Ourto foi colocado no lugar escrito “Cartaz não é arma”.

A versão da Vogue a respeito dos atos violentos é contestada por alguns estudantes. Arthur Ramos que é diretor Executivo de Assistência Estudantil da UEE Goiás usou as redes sociais afirmando que o ato foi passifico.

Outras manifestações

Essa não é a primeira manifestação que ocorre nos restaurantes universitários da capital após o retorno às atividades presenciais. Em 8 de junho deste ano, o Diretório Central dos Estudantes e a Associação de pós-graduandos da UFG realizaram um ato com pauta similar, após relatos de estudantes que passaram cerca de três horas na fila para o almoço.

O estudante de pós-graduação em Ciências Sociais e membro da APG, Leonardo Silva, alega que os problemas com a Vogue são recorrentes.

“Desde o retorno presencial, temos enfrentado situações em que insetos são encontrados na comida, as filas estão enormes e os trabalhadores e trabalhadoras estão claramente sobrecarregados, o que tem diminuído a qualidade do serviço prestado”, relata.

O estudante defende ainda que seja adotado um modelo diferente de gestão dos restaurantes universitários.

“A Vogue fechar as portas do RU, deixando mais de dois mil estudantes sem refeições, dos quais muitos não podem comer nos restaurantes próximos à UFG devido aos altos preços, mostra que precisamos repensar esse modelo de gestão. É preciso uma gestão pública, comprometida em servir aos estudantes e que não atue sobrecarregando os trabalhadores e trabalhadoras”, disse Leonardo.

Resposta da Reitoria da UFG

Em resposta ao O Hoje, a Reitoria da UFG informou que a “instituição está prestando todo o apoio para que estudantes de baixa renda que dependem dos serviços do restaurante tenham a sua alimentação garantida”. Também apontou que está tomando as providências cabíveis para que o funcionamento do RU Samambaia, interrompido pela empresa desde segunda-feira à noite, seja retomado o quanto antes.

No texto, descreve que os estudantes indígenas e quilombolas que possuem isenção total das refeições devem procurar o Espaço de Convivência, onde a Secretaria de Inclusão irá prestar as orientações quanto a alimentação deste terça-feira.

A Reitoria ainda ressaltou que os demais estudantes da UFG, com o curso sediado no Câmpus Samambaia, contemplados com a isenção total das refeições, podem ser alimentar, no valor de até 20 reais por refeição e apresentar nota fiscal nominal, de forma presencial na Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (PRAE) até o dia 25 de julho para obter ressarcimento.

Por fim, a Reitoria da UFG afirmou que é realizado “continuamente pesquisa sobre a qualidade dos serviços prestados pela empresa Vogue. A PRAE tem por rotina notificar a empresa das necessidades de adequação, a partir da fiscalização realizada diariamente pelo Serviço de Nutrição”.

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