Municípios brasileiros têm alto risco de desenvolver poliomielite

Campanha nacional contra a doença e outras vacinas se estende até o dia 9 de setembro

Postado em: 11-08-2022 às 07h37
Por: Sabrina Vilela
Desde 1989 não há registro de casos da doença no Brasil.Trata-se de uma doença grave que pode levar a hospitalização e ao óbito |Foto: Arquivo Pessoal

O estado de Goiás por meio da Secretaria de Estado da Saúde (SES-GO) promove campanha de vacinação para a poliomielite e outras 17 vacinas que fazem parte do esquema vacinal até o dia 9 de setembro. Embora o público alvo seja as crianças – poliomielite são para crianças de 1 ano a 5 anos e as outras até a idade de 15 anos – nada impede que pessoas acima da faixa etária de atualizarem o cartão. 

Basta chegar em qualquer posto de saúde e verificar a disponibilidade da dose. O dia D de vacinação será realizado no dia 20 de agosto, e todos os postos estarão com funcionamento normal para receber a população. A meta da Ses é alcançar no mínimo 11.572.563 crianças menores de 5 anos. Não é necessário aguardar o intervalo da vacina contra a Covid-19

Gerente de Imunização da SES-GO, Clarice Carvalho explica que a poliomielite é conhecida como paralisia infantil. Desde 1989 não há registro de casos da doença no Brasil. Ela esclarece que trata-se de uma doença grave que pode levar a hospitalização e ao óbito. Uma das formas mais importantes para a prevenção dessa doença é a vacinação.  Por isso, as autoridades de saúde alertam a população e os pais da importância de vacinar as crianças para prevenir a doença. 

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Contudo, ao longo dos anos as coberturas vacinais estão em queda. No Brasil, a diminuição da cobertura começou em 2015, ou seja, a cobertura mínima recomendada pelo Ministério da Saúde que é de 95% não é atendida no estado de Goiás. Isso traz risco para reintrodução dessa doença no país e no Estado. 

Esquema vacinal e falta da BCG

Para as crianças que já estiverem com a caderneta em dia, inclusive com  a da poliomielite, é possível receber a dose da vacina oral da vacina. A poliomielite é uma doença oral fecal que pode pegar ao entrar em contato com objetos contaminados, ao falar, tossir e espirrar. A gerente esclarece que as crianças são o público mais exposto porque ainda não desenvolveu o hábito de higienização das mãos de forma correta e outras medidas. As doses da vacina de poliomielite são três, que são tomadas aos 2 meses de idade, 4 meses e depois o reforço oral. 

Algumas sequelas que o problema acarreta são dificuldade para andar, problemas para respirar, atraso no desenvolvimento da criança e até a morte. Os sintomas mais comuns são febre alta, mal estar, diarreia, vômitos, espasmos e a paralisação começa a se manifestar nos membros inferiores. 

Disponibilidade menor

A gerente garante que as unidades de saúde estão prontas para receber a população para a atualização do cartão. No entanto, a BCG vem para Goiás e para o resto do país em número menor disponível para que o Ministério consiga fazer uma distribuição de doses. “A gente tem trabalhado com os municípios de forma estratégica para conseguir atender a essas demandas. Nesse momento precisa entrar em contato com as secretarias de saúde sobre as salas de vacina”, informa Carvalho.

Diretora de Vigilância em Saúde da Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia, Grécia Carolina Pessoni conta que Goiânia conta com 72 salas de vacinação que vão atender as vacinas do calendário básico de imunização. “Hoje a gente não está com nenhuma vacina em falta. Com exceção da BCG – vacina que é tomada a criança ao nascer. Como o Ministério da Saúde está mandando em quantidade reduzida, foi necessário montar um esquema para evitar a perda da dose,visto que o frasco tem 20 doses que vale 6 horas depois de aberto”. 

Com o objetivo de otimizar e evitar a falta dessa vacina, a SMS destinou sete unidades no município de Goiânia onde essas doses da BCG são aplicadas. Já as demais vacinas para do calendário vacinal são aplicadas em 72 salas de vacinas no horário das 8h às 17h .

A cobertura vacinal infantil de rotina em Goiânia está em 70%. “A gente espera vacinar 95% até o final do ano as crianças de 1 ano a 4 anos com a vacina oral contra a poliomielite, que é a gotinha”. A campanha visa incentivar a atualização do cartão de vacina. A média é de que 50% das crianças estejam com o cartão de vacinação em dia. Estima-se que na Capital, cerca de 80 mil crianças devem ser vacinadas contra a poliomielite.

Sociedade brasileira de imunização chama a atenção para vacinas em atraso 

A Sociedade Brasileira de Imunizações (SBim) destaca que o engajamento da população é de extrema importância para o Brasil se manter livre de doenças que podem levar à morte e deixar sequelas. A diretora da SBlm, Flávia Bravo, destaca que o Brasil está vivendo com baixas coberturas, com nenhuma das vacinas do calendário infantil atingindo a meta de 95% já a alguns anos. Cerca de 84% dos municípios brasileiros estão em risco alto e muito alto de desenvolver a poliomielite em decorrência das baixas coberturas vacinais. 

A diretora informa que para saber quais vacinas tomar “será feito uma análise do passado vacinal e uma recomendação de atualização de vacinas que estejam atrasadas”. Caso os pais percam o cartão de vacina é possível resgatar as vacinas que já foram tomadas por meio eletrônico no próprio local de vacinação, independente de ter o cartão ou não a pessoa pode ter acesso aos dados. Porém, não são todos os locais que disponibilizam tal ferramenta. 

“A ausência de cartão não deve impedir que a família  leve a criança e o adoslecente vacinar. Essa análise vai ser feita no local pelo profissional de saúde que vai analisar a situação e recuperar esse passado para fornecer outro registro de vacinação. Também estabelecer uma programação para aqueles mais velhos que não têm mais nenhum registro e cujas as vacinas não foram incorporadas aos sistemas eletrônicos”, ressalta.

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