Frentistas de Goiânia entram em greve por falta de reajuste salarial

Sindicato aponta que não houve reajuste nos salários há cerca de três anos

Postado em: 13-09-2022 às 08h48
Por: Daniell Alves
O Sinpospetro, à frente da ação, representa cerca de 4,5 mil trabalhadores e informa que 1 mil postos devem ser atingidos | Foto: Divulgação

Após a mobilização dos enfermeiros de Goiânia, agora é a vez dos frentistas dos postos de combustíveis da Capital se manifestarem em função do reajuste salarial. Parte da categoria entrou em greve ontem (12) para pedir um aumento no salário da categoria de 21,42%. O Sindicato dos Empregados em Postos de Serviços de Combustíveis e Derivados de Petróleo no Estado (Sinpospetro), à frente da ação, representa cerca de 4,5 mil trabalhadores e informa que 1 mil postos devem ser atingidos. 

De acordo com a entidade, não houve reajuste nos salários há cerca de três anos. Na manhã de ontem, a greve começou em um posto que fica na Avenida 136. O Sinpospetro afirma que no decorrer dos próximos dias serão realizados atos em outros locais.

O gerente do Sindicato, Carlos Pereira da Silva, aponta que ainda há represálias pelos empresários para que os funcionários não realizam a greve. “Os patrões contratam muitos seguranças e ameaçam os funcionários com demissão. Mesmo assim, vários frentistas estão participando”, afirma. 

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Aqueles frentistas que forem ameaçados estarão protegidos. Isto porque o Sinpospetro se comprometeu a proteger juridicamente os trabalhadores que forem perseguidos ou demitidos injustamente por aderirem ao movimento. 

Reajustes voluntários

Já o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo no Estado de Goiás (Sindiposto) informa que o setor tem encontrado dificuldades para fechar um acordo com os trabalhadores em relação ao aumento de salário. Também pontua que os empresários “têm concedido reajustes voluntários, mantendo e aprimorando os benefícios aos seus colaboradores, conforme as possibilidades de cada empresa”.

O presidente do Sindiposto, Márcio Andrade, por sua vez, alega que há uma dificuldade do Sindicato laboral em não abrir mão de nada durante a negociação. Ele diz que o sindicato vai aguardar os próximos passos. Se a greve tivesse adesão, o Sindiposto deve analisar quais medidas devem ser tomadas. 

Sem acordo coletivo

Segundo Carlos Pereira, os frentistas do Estado estão sem acordo coletivo de trabalho desde 2020, quando a última convenção da classe venceu. A partir daí, o sindicato tentou uma negociação com o Sindiposto, porém não obteve sucesso até o momento e optaram pela greve. “O Sinpospetro já tentou inúmeras vezes, inclusive junto ao Ministério Público e Tribunal Regional do Trabalho (TRT). O Sindiposto fala que a proposta é zero, que não vão aceitar o pedido de aumento”, disse.

Agora, o Sinpospetro espera a adesão da maioria dos trabalhadores da categoria. A paralisação pode atingir mais de mil postos de combustível. A greve não tem previsão de término. “O TRT determinou que não vai aceitar o dissídio (acordo de trabalho coletivo) porque não houve acordo entre os sindicatos patronal e de empregados. Assim, só vamos conseguir o reconhecimento do órgão com a greve. Nosso movimento segue até conseguirmos o reajuste”, finaliza Carlos.

Direitos 

Para o presidente do Sinpospetro-GO, Hélio Araújo, a ação é de extrema importância e necessita da participação da classe. “Estamos firmes na luta pela garantia e melhoria dos direitos dos nossos associados. Precisamos estar juntos para dar um basta nessa situação em que nos encontramos”, destaca. 

Novo cenário 

A manifestação da categoria ocorre em um cenário que o preço da gasolina sofreu quedas consecutivas e se encontra em um valor acessível se comparado há alguns meses. Pela quarta vez desde julho, o preço da gasolina foi reduzido novamente neste mês. Desta vez, o percentual é de 7%, conforme anunciou a Petrobras. Os preços repassados às distribuidoras reduziram de R$ 3,53 para R$ 3,28 por litro, redução de R$ 0,25 no custo. 

A redução já pode ser considerada histórica, uma vez que chega perto do valor de R$ 3,32, pago pelos consumidores na gasolina em 2015, apontou Márcio Andrade. Os novos não devem ter impacto nos outros combustíveis. Contudo, redução nas refinarias não precisa chegar necessariamente às bombas, ou na mesma proporção, já que as distribuidoras e postos são livres para definir os preços. 

De acordo com o presidente do Sindiposto, estas reduções frequentes no preço da gasolina ocorrem por conta dos valores mais baixos do barril de petróleo e a cotação do dólar. A venda da gasolina pela Petrobras será de R$ 3,53. O valor anteriormente praticado era de R$ 3,71, que ficou em vigor pouco mais de duas semanas.

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