Dias chuvosos exigem atenção redobrada no trânsito da capital

Somente nesta semana, cerca de 20 veículos se envolveram em acidentes devido os jamelões que caem dos canteiros centrais das avenidas

Postado em: 23-09-2022 às 08h26
Por: Alexandre Paes
Motorista deve verificar pneus e palhetas do limpador de para-brisas para enfrentar os dias chuvosos | Foto: Reprodução

Nesta semana cerca de 20 veículos se envolveram em acidentes incluindo um capotamento registrado no Jardim Goiás e um engavetamento no Parque Amazônia, ambos em Goiânia. As colisões foram causadas pelos frutos dos pés de jamelão que ficam no canteiro central da via, associado ao início das chuvas, o que deixou a pista molhada e escorregadia.

A aposentada Francisca Saraiva Nunes, 59, já viu alguns acidentes na porta de casa, segundo ela, por causa da pista escorregadia. “Já presenciei muitos acidentes. Quando caem muitas frutinhas no chão e junta com essas chuvas, o que eu mais vejo são os motoqueiros caindo ou dançando [escorregando] pela pista. Também já tiveram dois carros que rodaram nesta semana”, afirma a idosa.

Daiane de Souza Ferreira, estava entre um dos veículos envolvidos no engavetamento. Ela retornava para casa de motocicleta com o namorado, quando o veículo deslizou na pista e ambos caíram. “Estávamos andando tranquilamente e de repente a moto virou. Meu namorado entrou em desespero, mas caímos e quando fui me levantar, minha mão afundou naquela lama estranha. Eu achei que era óleo, mas uma moradora disse que era por conta dos jamelões da árvore”, explicou Daiane.

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A chuva pode interferir na segurança do trânsito, alterando as condições da via, diminuindo a capacidade visual do condutor e modificando padrões de condução e comportamento dos veículos, como a aderência e a estabilidade. E em dias de chuva, é importante redobrar a atenção no trânsito e seguir as orientações de direção defensiva. 

Mesmo uma chuva rápida e de pequena intensidade exige cuidados dos condutores, pois afeta a visibilidade e as condições de aderência do veículo na pista. “As condições de mau tempo podem se agravar a ponto de impedir o deslocamento seguro, e os pés de jamelão soltam um líquido além da poupa da própria fruta que cai na pista deixando tudo muito liso”, comentou o especialista em mobilidade urbana, Marcos Rothen.

Durante ou após as chuvas, a água acumulada sobre a pista também pode provocar situações especiais de perigo, como a aquaplanagem, que é o fenômeno no qual os pneus não conseguem remover a lâmina de água e, literalmente, perdem o contato com a pista. 

“Durante a aquaplanagem, a direção fica repentinamente leve e o condutor perde o controle do veículo. No caso das motocicletas, então, torna-se muito difícil controlá-la e a queda é praticamente inevitável”, explica Miguel Ângelo Pricinote, coordenador da Mova-se Fórum de Mobilidade.

Muitos motoristas que passaram um longo período dirigindo na rua seca se esquecem do efeito da água no asfalto. “O ideal é que o condutor tenha mais atenção, além de fazer a manutenção do veículo”, complementa Pricinote.

Árvores estão sendo substituídas 

A substituição dos pés de jamelão em Goiânia está acontecendo gradativamente. Em algumas avenidas foram plantadas mudas de ipês, por exemplo. A Agência Municipal Meio Ambiente (Amma) informou que essa troca é lenta para que não haja impacto ambiental na cidade. A poda dos Jamelões é realizada pela Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg).

Apenas em 2022, mais de 350 jamelões foram extirpados, seguindo um plano que reduz o impacto ambiental da capital. “Todas as árvores plantadas atualmente são recomendadas pela Amma, por serem apropriadas para as vias públicas”, pontua o presidente da agência, Luan Alves. 

O superintendente de Gestão Ambiental e Licenciamento da Amma, Ormando Pires, explica que o trabalho é feito de maneira que não cause danos ao meio ambiente. “As árvores novas são plantadas no canteiro central, e quando atingem a idade adulta, a Amma autoriza a extirpação dos jamelões”, ressalta.

Em nota, a Amma ressaltou que “o objetivo deste trabalho é garantir que os frutos das árvores caiam apenas sobre os canteiros centrais, evitando a queda no asfalto e os riscos para os motociclistas”, finaliza.

Como evitar situações de risco no trânsito

A secretária municipal de mobilidade (SMM), que, entre outras atribuições, é responsável por ações de fiscalização e educação para o trânsito, tem algumas dicas de segurança que os condutores de veículos automotores devem observar nos dias chuvosos.

“Os condutores precisam redobrar a atenção, pois a combinação de asfalto molhado, baixa visibilidade e poças d’água aumentam o risco de acidentes. O motorista precisa reduzir a velocidade, preferencialmente abaixo da máxima da via durante as chuvas. A distância de segmento em relação ao veículo da frente deve ser maior”, orienta Horácio Ferreira, gerente de educação de trânsito da pasta.

Outra dica fundamental é desacelerar o veículo e diminuir a velocidade, mas não frear bruscamente, pois se as rodas estiverem travadas no momento que voltar o contato com a pista, o veículo se desgovernará. “É dever do proprietário do veículo ficar atento e trocar os pneus sempre que a profundidade dos sulcos atingir 1,6 mm. Adiar a hora da troca é uma economia que não vale a pena, e coloca em risco a mobilidade nos centros urbanos”, destacou Ferreira.

Além de evitar colisões provocadas por freadas bruscas e pela pista escorregadia, trafegar a uma distância segura permite que o condutor tenha tempo de reagir em caso de imprevistos. “Evite passar a mão no vidro para desembaçar, pois isso piora a visibilidade. O ideal é usar um pano limpo, usar o ar-condicionado (nos carros que possuem o equipamento) ou o ventilador”, finalizou o gerente de educação no trânsito.

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