Terça-feira, 27 de fevereiro de 2024

Frota mais antiga de veículos não gera problemas ambientais

Brasil tem a frota mais antiga desde 1995; veículos estão 10 anos mais velhos

Postado em: 28-10-2022 às 06h30
Por: Redação
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Brasil tem a frota mais antiga desde 1995; veículos estão 10 anos mais velhos | Foto: reprodução

Vinícius Marques

Cardoso Pimentel, 61, é uma dessas pessoas que tem uma paixão por carros antigos, mesmo afirmando ter condições de comprar um veículo novo, ele prefere sempre um carro mais velho na garagem. “Eu tinha um carro novo, mas não há nenhuma emoção nisso”, afirma o empresário que hoje tem um Fiat Elba 1992.

“Não há necessidade de comprar um veículo novo que não vale o que custa, tem manutenção cara e desmonta por qualquer coisa. Esse carro me leva onde eu quero, é barato, com uma manutenção acessível e ainda chama atenção por onde passo, por ser um carro antigo e bem conservado”, afirma Cardoso com orgulho pelo seu veículo.

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No caso do Cardoso, existe uma preferência por carros antigos, mas na verdade é necessário que sempre haja uma renovação da frota para que se cumpram normas ambientais estabelecidas em acordos internacionais.

Para o mercado de reposição de autopeças, podemos dizer que o envelhecimento da frota traz benefícios a curto prazo, uma vez que estes veículos demandam mais cuidados e aumentam a necessidade de manutenção. Entretanto, a longo prazo, faz com que tenhamos os problemas ambientais e de segurança exponenciados.

Isto porque o envelhecimento da frota tem impacto direto na segurança do consumidor e na preservação do meio ambiente, uma vez que veículos mais antigos, de um modo geral, não contam com o pacote de segurança solicitado pela legislação atual, como airbags, freios ABS, entre outros itens obrigatórios para carros novos. Além disso, carros com idade elevada tendem a apresentar defeitos com maior frequência. Esta é uma situação que pode se agravar ainda mais caso o proprietário não esteja com as revisões e manutenções em dia, o que pode gerar aumento no número de acidentes.

Frota mais velha

O Brasil hoje tem a frota de veículos mais velha desde 1995 e em menos de 10 anos, o número de veículos com mais de 20 anos de idade mais que dobrou. Os dados são do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores, o Sindipeças.

De acordo com o relatório, a idade média dos automóveis elevou-se em 1 ano e 10 meses, entre 2013 e 2021, alcançando a média de 10 anos e 3 meses. Ainda segundo o estudo, dos 38,2 milhões de automóveis em circulação no Brasil, 23,5% apresentavam idade média de até 5 anos, outros 57,1% com idade entre 6 e 15 anos e 19,4% apresentavam idade média superior a 16 anos.

De um modo geral, este cenário é um reflexo de uma série de fatores econômicos, como a redução do poder aquisitivo da população e o alto custo de vida no Brasil, cujos impostos e a oneração da cadeia produtiva fazem com que os veículos novos sejam caros e inacessíveis para uma grande parcela da população, aliado a uma alta taxa de juros e restrições de crédito.

O surgimento da pandemia intensificou ainda mais estes obstáculos, com a escassez na cadeia de fornecimento, falta de componentes para a produção de novos veículos, encarecimento de fretes e matérias primas, além da escalada de preços e juros. Tudo isso impacta negativamente na aquisição de veículos zero quilômetro ou até mesmo na troca do carro usado por um modelo mais novo. Assim, em cadeia, o envelhecimento da frota se acentua, também, como consequência do contexto pandêmico.

No último ano, a maioria dos veículos em circulação (18,4 dos 46 milhões totais) tinha entre 4 e 10 anos, menos do que os 19,4 milhões com a mesma idade em 2020. Por outro lado, cresceram os que têm mais de 11 anos.De 2020 para 2021, veículos com mais de 20 anos passaram de 2,5 para 3,6 milhões (eram 1,7 milhão em 2014).

Entre os segmentos, os comerciais leves têm a menor idade média, com 8 anos e 7 meses, seguidos pelos automóveis, com 10 anos e 5 meses. Os ônibus e caminhões têm as frotas mais antigas, com 11 anos e  1 mês e 11 anos e 11 meses, respectivamente.

Apesar disso, os caminhões foram os únicos a terem aumento entre unidades mais novas, passando de 256,7 mil em 2020 para 305,1 mil em 2021. Isso se deve, segundo o sindicato, graças aos bons resultados do agronegócio, mineração, exportação e construção civil, além do crescimento das entregas de e-commerce, que exigiram reforços nas frotas desde o início da pandemia.

Para o Sindipeças, a reversão do quadro de envelhecimento depende, entre outros, de políticas públicas para renovação de frota, incluindo a exigência da retirada de circulação de unidades mais antigas. Um programa de reciclagem veicular também está em discussão pelo governo federal junto a entidades setoriais e transportadores de cargas. 

Compromisso com o meio ambiente

Existe uma preocupação global com a redução da produção de veículos à combustão, para que haja uma melhor preservação do meio ambiente e redução da poluição mundial.

Várias montadoras têm feito compromisso com governos de vários países para eliminar gradativamente a produção de veículos que utilizam combustíveis fósseis. 

Alguns exemplos estão descritos abaixo:

  • Renault: não fará novos motores a combustão. Foco em híbridos e elétricos. GM: 30 novos carros elétricos até 2025 Nissan: a partir de 2031 só veículos elétricos na Europa, EUA, Japão e China. 
  • Volvo: até 2030 somente carros elétricos estarão no portfólio. 
  • Volkswagen: não vai mais investir em novos motores a combustão. 
  • Honda: fim do motor à combustão em 2040. 2/3 do portfólio de modelos híbridos e elétricos até 2030.
  • Audi: somente veículos elétricos a partir de 2035. 
  • Jaguar: somente veículos elétricos a partir de 2025. Ford: só veículos elétricos na Europa até 2026. Toda linha e elétricos até 2030. 
  • BMW: 25 modelos elétricos até 2023. Fiat: até 2030 somente veículos elétricos no portfólio. 
  • Hyundai: eletrificação completa do portfólio até 2040. Toyota: vai manter portfólio variado.

No caso dos veículos híbridos e/ ou elétricos, embora a quantidade ainda seja irrisória, registraram-se 65,3 mil unidades em 2021, com participação de 0,1% em relação à frota total. Os lançamentos e as importações realizadas a cada ano, a programação para ampliar a produção no país e a decisão de várias montadoras de interromper a produção de veículos a combustão até 2035 vão elevar progressivamente a presença desses veículos na frota. (Especial para O Hoje)

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