Nem igreja escapa de roubos na Região Metropolitana de Goiânia

Só a proteção divina não está dando conta dos casos de roubo e furto. Igrejas procuram investir em sistema de segurança

Postado em: 27-04-2018 às 06h00
Por: Sheyla Sousa
Só a proteção divina não está dando conta dos casos de roubo e furto. Igrejas procuram investir em sistema de segurança

Marcus Vinícius Beck*

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O número de assalto a igrejas subiu pelo menos 30% na Região Metropolitana de Goiânia. Nos três primeiros meses deste ano, O Hoje levantou que cerca de seis templos foram alvo de ações criminosas em diversos pontos da Capital goianiense. Já no mesmo período de 2017 esses casos não passaram de quatro. Cada vez mais, fiéis estão sendo movidos pela máxima de que nem as igrejas estão a salvo das ações provocadas por bandidos, e que tampouco elas conseguem dar conta de evitar roubos a relicários, equipamentos de som, lâmpadas e crucifixos. 

Na semana passada, a reportagem foi até o Condomínio Residencial Paulo Pacheco, na região noroeste da Capital, e ouviu relatos de moradores que temem pelo aumento de roubos em paróquias. Ao chegar ao bairro, O Hoje perguntou a um homem que estava em frente a uma casa se ele tinha conhecimento dos roubos praticados na Igreja João Paulo II. O morador, com medo, disse que não sabia nada sobre casos de assaltos que aconteceram no local. 

Independente de horário ou turno, a criadora da Igreja João Paulo II, Edileuza Ferreira da Silva, 47, relatou que os criminosos vêm praticando seguidos casos de roubo em seu templo. De acordo com ela, os bandidos esperam a missa acabar para entrar na paróquia. “Deixamos o cofre aberto para mostrar que não há dinheiro algum lá”, diz ela, que foi a fundadora do santuário em 2009. Os seguidos casos de roubo no templo, além de pôr a igreja às mínguas, deixou a fundadora com profunda depressão. “Nem quero mais cantar no coral como antes, pois não sinto vontade”. 

Apesar dos casos de roubo, o altar das igrejas passaram a ser como um motel para várias pessoas. “Quem limpa os resquícios dessa pouca vergonha são os fiéis, que já chegaram a encontrar até preservativos espalhados por aqui”, afirma Edileuza. De acordo com ela, mesmo após diversas ações de bandidos, vários aparelhos conseguiram ser recuperados. “Compramos uma nova aparelhagem de som, mas hoje acabou a missa levo para minha casa”, explica. Atualmente, as missas são realizadas sem crucifixo e relicários. “Roubaram todos”, disse.

Fé não basta

Edileuza disse que várias paróquias da região noroeste sofrem com assaltos. “Várias igrejas da região noroeste de Goiânia contam com esse problema”, destaca. Depois de sofrer vários roubos, igrejas espalhadas por diversas regiões da Capital passaram a não poupar dinheiro quando o assunto é segurança. Algumas, inclusive, contam com a presença de vigilantes e câmeras. “Mas, na periferia, a situação é sempre mais difícil porque quase nunca dispomos de aparelhos de última tecnologia para fazer a segurança”. 

Em 2015, um caso de roubo às igrejas da Capital chamou a atenção de todo o Brasil. Dentro de um templo, quatro câmeras registraram um homem se aproximando de uma fiel que estava rezando durante um culto sem preocupação que pudesse ser assaltada. O homem chega perto da mulher e joga seu casaco e, ao puxá-lo, ele sai com a bolsa dela. Dias antes, porém, essa ação chegou a se repetir na cidade com o mesmo criminoso a praticando, o que provocou temor nos fiéis. 

Pelo Brasilinsegurança é grande e só reza não basta. Igrejas e templos pelo Brasil também são alvo de ações criminosas. Em São Luiz, vigilantes armados ficam na porta de várias igrejas para evitar ações de bandidos. A decisão foi tomada para evitar que fiéis tivessem seus carros levados por assaltantes. Em São Paulo, tanto capital quanto interior, os vários casos de roubo fizeram com que os templos destinassem dinheiro para o sistema de segurança. Já em Minas Gerais e Alagoas o dinheiro do dízimo e as doações da comunidade foram levados dos cofres.  

Manutenção de câmeras custam em torno de R$ 1 mil 

Só proteção divina não basta mais. Para se precaver da violência, é necessário refletir sobre a questão da segurança. Em meio aos altares, relicários e imagens sacras, o monitoramento por câmeras é onipresente em várias paróquias de Goiânia. A manutenção desses serviços de segurança custa em torno de R$ 1 mil ao mês. Mas nem sempre essas medidas tem sido a salvação: casos de assalto ainda não flagrados por imagens. 

Em fevereiro, um caso de roubo à igreja provocou comoção na opinião pública e gerou apreensão aos fiéis. O coral de um templo no Residencial Campos Dourados, na região Sudoeste de Goiânia, ensaiava quando um homem entrou e anunciou o assalto. Na ação, o criminoso levou seis celulares e uma carteira com documentos pessoais. O autor do crime chegou a ser procurado por policiais à paisana que eram moradores do bairro. Ao ser localizado, o bandido entrou numa mata e trocou tiros com policiais e morreu no confronto. 

Por meio de câmeras de segurança, foi possível identificar outro crime relacionado a roubos de igreja. Weder Francisco da Cunha de 40 anos foi preso pela Polícia Militar (PM) após ser flagrado pelo sistema de segurança do templo. Com a ajuda do Soldado Junior, que estava de folga no momento da confusão e também era frequentador do santuário, o endereço do autor foi informado a equipe da Polícia Militar (PM).

Ao chegar à residência do autor dos crimes, visualizaram o homem saindo em uma motocicleta semelhante a utilizada no assalto. Com o suspeito, somente o tablet e a arma foram encontrados. Ao ser indagado sobre o assalto, Wader confessou o crime. O jovem foi conduzido à Delegacia de Polícia, podendo cumprir até quatro de prisão. (Marcus Vinícius Beck é estagiário do jornal O Hoje, sob orientação do editor de Cidades Rhudy Crysthian) 

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