Quarta-feira, 28 de fevereiro de 2024

A história do fazendeiro que teve câncer de pele

Homem percebeu manchas no rosto, que antecederam diagnóstico que atinge 185 mil pessoas no brasil segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA)

Postado em: 09-12-2023 às 08h00
Por: Ronilma Pinheiro
Imagem Ilustrando a Notícia: A história do fazendeiro que teve câncer de pele
O câncer de pele é caracterizado pelo crescimento anormal e desordenado das células da pele | Foto: Arquivo Pessoal

“Eu tive um ferimento um pouco a baixo da orelha, preocupado, porque já tive histórico de câncer de pele na família, fui ao médico. Foi quando descobri que estava com câncer de pele melanoma”, esse é o relato do agropecuarista Edmar Ferreira de Paiva, de 60 anos, que faz tratamentos  no Hospital do Câncer Araújo Jorge há cerca de oito anos.

A cada seis meses o agropecuarista fazia consultas de rotina para evitar uma possível surpresa da doença. No entanto, com a chegada da pandemia de covid-19 em 2020, ele ficou mais de um ano sem retornar ao médico. Foi nesse período que surgiu o ferimento que não cicatrizava na sua pele. “ Eu me distanciei e fiquei um ano e três meses sem vir. Quando retornei, já descobri a doença”, conta. Edimar que já tinha acompanhado a luta do pai contra a doença, agora estava com o câncer de pele melanoma.

A princípio não foi possível identificar o câncer, apesar da desconfiança do especialista que acompanha o quadro do agropecuarista. A confirmação de que o homem estava com câncer de pele melanoma – que tem origem nos melanócitos, células que produzem a melanina, o pigmento que dá cor à pele – veio após o exame de biópsia. “Foi onde eu descobriu que já tinha uma lesão cancerosa”.

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Após fazer a cirurgia e eliminar o tumor, há cerca de um ano e meio, Edimar segue fazendo acompanhamento no hospital. “Agora, de quatro em quatro meses eu estou vindo e graças a Deus está bem tranquilo, não tem problema, só acompanhamento mesmo!, comemora o agropecuarista ao falar da importância da conscientização e prevenção da doença. “A gente tem que sempre influenciar e divulgar para as pessoas que qualquer uma mancha, qualquer uma irritaçãozinha na pele já pode ser um começo. E no meu caso, que tenho pele clara, é mais propício ainda”, alerta.

Os trabalhos na fazenda não param, mas nesses momentos de exposição ao sol, o protetor solar é um aliado indispensável do agropecuarista. “No meu caso, que eu sou agropecuarista, no meu segmento eu fico exposto no sol sempre. Eu uso quatro, cinco vezes ao dia, ao usar o protetor a gente visualmente vê que é outra pele, a proteção é muito grande”, afirma.

O câncer de pele é caracterizado pelo crescimento anormal e desordenado das células da pele. Seja da camada mais superficial, conhecida como epiderme, ou na camada mais profunda, que é a derme, onde algumas neoplasias se desenvolvem. A explicação é o do Cirurgião Oncológico do Hospital Araújo Jorge, Fernando Ferreira Chaves.

Como a doença é assintomática, “ou seja, o paciente apresenta uma lesão na pele que não costuma causar dor e não costuma causar coceira, não costuma trazer sintomas”. Apesar disso, no geral, a enfermidade se apresenta como um nódulo ou uma ferida na pele. “Geralmente essa ferida não cicatriza e tem a tendência de crescer cada vez mais no decorrer dos anos. “Existem casos em que esse ferimento não é tão acelerado, mas existem outras neoplasias que crescem mais rapidamente”, explica.

Os tratamentos para o câncer de pele com potencial curativo seria o tratamento cirúrgico, onde há a ressecção da lesão de pele, segundo especialista. Como existem vários tipos e subtipos de câncer de pele, os tratamentos precisam ser condicionados aos tipos de anomalias. No entanto, a cirurgia é essencial nesse processo, já que oferece as melhores chances de cura, segundo Chaves.

“ Nos casos em que não é possível o tratamento cirúrgico, aqueles que o paciente apresenta algumas comorbidades, alguns problemas de saúde, nós podemos lançar mão de tratamentos tópicos com utilização de pomadas ou até tratamento radioterápico”, explica.

Hospital promove Mutirão de Tratamento Cirúrgico do Câncer de Pele

O câncer de pele é o mais comum no Brasil, com cerca de 185 mil novos casos registrados anualmente, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA). Ainda segundo o instituto, espera-se 704 mil novos casos da neoplasia no País, para cada ano do triênio 2023-2025.

O tumor maligno de pele não melanoma é o mais incidente no Brasil, com um total 31,3% de casos, em seguida vem o de mama feminina, com 10,5%, próstata, com 10,2%, cólon e reto, que juntos somam 6,5%, pulmão, com 4,6% e estômago que concentra uma porcentagem de 3,1%.

O mês de Dezembro é conhecido como o “Dezembro Laranja”, período que intensifica a conscientização da população sobre a prevenção e diagnóstico precoce da doença. A campanha foi criada em 2014 pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).

Em Goiânia, o Hospital de Câncer Araújo Jorge (HAJ) promoverá no próximo dia 9 deste mês, a 2ª edição do Mutirão de Tratamento Cirúrgico do Câncer de Pele. O evento que acontece no sábado, deve iniciar a partir das 7h30 e segue até às 12h30. Além da conscientização, a ação beneficiará 25 pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) que estão na fila à espera da cirurgia para ressecção de tumores.

O diagnóstico é feito a partir de um exame físico, onde o profissional consegue identificar uma lesão suspeita de câncer de pele. “Uma ferramenta muito útil para o diagnóstico é a dermatoscopia, que é a utilização de um aparelho que aumenta a visualização das células da pele”, pontua o Cirurgião Oncológico do Hospital Araújo Jorge, Fernando Ferreira Chaves. É através desse aparelho que é possível identificar as estruturas que levam à suspeição de um câncer de pele, ou até mesmo dar um diagnóstico clínico. O especialista destaca que a biópsia segue sendo essencial para a confirmação do diagnóstico.

O cirurgião destaca que o principal fator de risco para o câncer de pele é a exposição solar crônica. “A radiação ultravioleta que o sol emite, ela causa um dano no DNA da pele”, afirma o especialista. Essa exposição excessiva ao longo de 10 a 15 anos causa estes danos que prejudicam o reparo das células da pele, que por sua vez, passam a crescer de forma desenfreada, gerando uma neoplasia de pele.

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