Segunda-feira, 26 de fevereiro de 2024

“Câncer não é sentença de morte”, diz Eva Taucci, jornalista que tirou peruca ao vivo

Eva Taucci, 41 anos, luta contra o Linfoma não-hodgkin de grandes células B primário de mediastino, câncer que costuma atingir mulheres jovens, na faixa etária dos 30 anos

Postado em: 09-02-2024 às 08h00
Por: Ronilma Pinheiro
Imagem Ilustrando a Notícia: “Câncer não é sentença de morte”, diz Eva Taucci, jornalista que tirou peruca ao vivo
Jornalista Eva Taucci, de 41 anos, segura tomografia que mostra diagnóstico de câncer | Foto: Arquivo Pessoal

A jornalista Eva Taucci, 41 anos, emocionou o público goiano na manhã desta quinta-feira (08) ao retirar a peruca durante a apresentação do jornal O Mundo em Sua Casa, da TV Brasil Central. Eva luta contra o Linfoma não-hodgkin de grandes células B primário de mediastino, câncer que costuma atingir mulheres jovens, na faixa etária dos 30 anos.

O convite do então presidente da rede de TV, Reginaldo Júnior, foi uma homenagem à jornalista que está afastada das atividades por recomendações médicas. Eva viu como uma oportunidade de levar representatividade e consolo aos pacientes de câncer que assim como ela, enfrentam as dores físicas e psicológicas da doença.

Em entrevista ao jornal O Hoje, a mulher conta que retirou a peruca como uma homenagem aos pacientes oncológicos que segundo ela, são tão julgados pela sociedade. “Eu quis mostrar que não é uma sentença de morte e que é possível viver, apesar de um diagnóstico de câncer. É possível ter tranquilidade, é possível ter alegria”, afirma.

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Taucci reitera que através da sua vivência e de muitas vezes, da sua dor, ela quer sempre levar uma mensagem de apoio, de alegria e de respeito. “As pessoas julgam muito, né? A cabeça desnuda, a cabeça da mulher sem cabelos. É possível a gente também ter dignidade, ver beleza onde as pessoas só enxergam tristeza”.

A manhã do dia 20 de dezembro do ano passado foi diferente para a jornalista que acordou com  deu entrada no hospital supostamente com um quadro de trombose. “O meu braço esquerdo amanheceu roxo e muito duro, aí eu fui para o hospital com essa suspeita de trombose”, relembra. No entanto, bastaram alguns exames para que a anomalia fosse detectada ainda no dia 22 daquele mês.

“Receber o diagnóstico de câncer é uma situação devastadora, dá muito medo, muita insegurança, porque a sociedade julga como sentença de morte você receber um diagnóstico de câncer”, comenta, ao tentar explicar à reportagem como recebeu a notícia de que a vida corrida do viver jornalístico precisaria de uma pausa devido aos tratamentos.

Apesar do choque com a informação que acabara de ouvir, Eva deixou de lado o medo de morrer, e como uma boa jornalista, começou a questionar o médico a respeito da doença com qual passaria a conviver, como eram feitos os tratamentos. Perguntas, dúvidas e questionamentos não lhes faltaram naquele momento. “ Eu perguntei quais eram as minhas chances de cura”, relembra.

Logo que descobriu o Linfoma, ela iniciou os tratamentos com uma medicação preparatória para o início da quimioterapia, uma vez que o procedimento para esse tipo de tumor é feito apenas com quimioterapia, sem a necessidade de passar por cirurgias. “Eu precisei fazer um implante de catéter para tomar a quimioterapia, porque vão ser várias sessões e toda vez ir para o hospital e ficar furando o braço, fazendo acesso, eu poderia me machucar muito”, explica. O procedimento do cateter foi feito no último dia 4 de janeiro e no dia 5 do mesmo mês Eva começou a fazer quimioterapia.

Ao todo, a paciente precisa passar por um período de seis ciclos do tratamento até ficar curada da doença. Como as chances do tumor voltar são raras segundo especialistas, Eva conta que está animada e com muita fé na ciência. “Eu decidi lutar essa luta de cabeça erguida, acreditando na ciência, na alta durabilidade para esse tipo de tumor”, afirma. “Eu decidi abandonar o medo e confiar na ciência, apostar na minha fé e poder levar essa mensagem de positividade, de que é possível viver com câncer”, acrescenta.

Rotina

Mãe de um bebê de 11 meses de vida, dona de casa, casada e temporariamente afastada das atividades jornalísticas, Eva Taucci conta que a rotina é resumida aos cuidados com o filho e em fazer as coisas que lhe trazem felicidade nesse momento.

“Nesse momento eu sou uma paciente que não posso pegar outras doenças, eu sou uma paciente imunossuprimida porque a quimioterapia baixa muito a defesa do nosso corpo, então uma gripe, um resfriado, uma Covid pode ser uma situação muito agravante para mim”, explica sobre o cuidado que precisa ter com a saúde, segundo as recomendações médicas.

Eva precisa seguir algumas recomendações como não poder sair para ir ao supermercado por exemplo, não frequentar lugares com aglomeração. Quando vai ao parque passear com o filho, a ordem é ir de máscara de proteção facial. “Quando eu encontro as pessoas eu não permito abraço, nem toque, eu mantenho um pouco de distância, as visitas também eu não estou recebendo aqui em casa justamente para poder me resguardar e as pessoas têm super entendido isso”, comenta.

É por meio de vídeos, por ligação telefônica, ou pelas redes sociais, ela recebe o carinho e cuidado das pessoas.

O que é o linfoma não-hodgkin

A reportagem, o médico oncologista clínico Gabriel Felipe Santiago, disse que este tipo de câncer ocorre nos gânglios e linfomas, e em estágio mais avançado pode ser visível e palpável. “Muitas vezes a apresentação pode ser um linfonodo ou um gânglio inchado na região do pescoço, na virilha, na axila ou a presença de linfonodos aumentados em regiões próximos a alguns órgãos específicos, como no estômago, intestino e os pulmões”, diz o especialista.

Com isso, os sintomas podem variar desde os mais leves como a perda de peso aos mais avançados como a inflamação e a febre. A causa, contudo, não é precisa, podendo apresentar uma variedade de fatores externos aos internos. “Não tem uma causa muito definida, pode ser exposições de agentes tóxicos como pesticida, exposição à radiação ionizante, muitas vezes você não tem uma exposição a alguns venenos, mas muitas vezes também não tem uma causa definida específica”. 

O tratamento oncológico para estes tipo de câncer não difere dos tratamentos usuais para outros como a quimioterapia inicial com anticorpos e a radioterapia para estágios mais avançados. Por isso é recomendado pelos médicos os exames clinicos anuais de check–up para a manutenção da boa saúde do corpo.

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