Canadá divulga língua portuguesa e cultura brasileira ao som do batuque

Postado em: 08-02-2016 às 14h11
Por: Redação
O grupo Samba Squad usa o batuque para promover a língua portuguesa e a cultura brasileira no Canadá

O batuque é a “arma” preferida do
grupo Samba Squad para promover a língua portuguesa e a cultura
brasileira no Canadá, numa mistura de ritmos de vários pontos do mundo
transmitidos por meio dos tambores do samba afro-brasileiro.

“Temos filhos de imigrantes de várias
partes do mundo, que não têm identificação com a cultura brasileira. Isto de
certa forma representa Toronto, porque é uma cidade multicultural”, disse
à agência Lusa Victor Rebelo, de 43 anos.

O luso canadense, natural da Lourinhã, no
distrito de Lisboa, toca tambor no grupo, e não tem dúvidas que o crescimento
da comunidade brasileira no Canadá, nos últimos 20 anos, ajudou na promoção da
língua portuguesa e da cultura brasileira.

“Nos últimos 20 anos, a comunidade
brasileira em Toronto tinha pouca expressão. Ajudou bastante o fato de muitos
músicos brasileiros, e também cubanos, mas especialmente brasileiros, terem se
mudado para aqui, formado os seus próprios grupos e estão espalhando a língua
portuguesa, e a música brasileira pelo Canadá”, frisou.

Victor Rebelo reconheceu ainda que os
portugueses tiveram “dificuldades ou então optaram por fazer música”
para um consumo mais interno, junto da sua comunidade.

No sentido inverso, os brasileiros que
tiveram como público-alvo os canadenses, têm muitos grupos espalhados, quer por
Nova Iorque, quer por Chicago, nos Estados Unidos, ou até por Londres, na
Inglaterra, e muitos dos integrantes não estão identificados com a cultura
brasileira.

O Samba Squad já passou por diversos canais
da televisão canadense, atuando ainda no intervalo de jogos de campeonatos
profissionais na América do Norte, nomeadamente no basquetebol da NBA, nos Toronto
Raptors e no basebol dos Toronto Blue Jays da liga
norte-americana.

Os direitos de um dos temas do grupo,
“É pra Valer”, foram adquiridos pela produção da sagaTwilight:
Breaking Down, e integrou a banda sonora original do filme.

“O especial que a arte de batucar tem
é o aspeto social. Junta as pessoas, numa expressão de alegria. As pessoas no
Brasil gozam a vida. Há uma grande diferença nas classes sociais, vemos uma
favela e uma casa de milhões de dólares”, disse o mestre Rick Lazar.

O percussionista multi-galardoado canadense
salientou que as pessoas “desfrutam a vida e a música”, pois todos
conhecem a letra das músicas.

Em Toronto, uma cidade multicultural, com a
área das artes a ser bastante requisitada, oSamba Squad “é um
complemento importante no panorama musical de Toronto”, fator que nos
últimos 20 anos tem sido muito importante, as pessoas começam já a dançar
samba”, sublinhou Lyba Spring, de 67 anos, integrante do grupo há 17 anos.

“Quando as pessoas ouvem samba, ficam
felizes, quando dançam, ficam entusiasmadas”, enalteceu a canadense
proveniente do leste da Europa.

O Samba Squad foi fundado em 1999
pelo seu mestre Rick Lazar, um professor de música latina na Universidade de
York, no norte de Toronto, e tem 35 integrantes, filhos de imigrantes de várias
minorias étnicas, adaptando diversos ritmos de música mundial ao som dos
batuques.

O docente da Universidade de York,
especializado em música brasileira e cubana, tem angariado integrantes para o
grupo na instituição de ensino.

Amanda Fata, de 25 anos, filha de
imigrantes italianos, é uma das vozes do grupo há quatro anos, e desconhecia a
música brasileira, mas desde o primeiro encontro proporcionado na universidade
ficou “viciada no samba”.

Outro integrante é Dani Kwan, de 37 anos,
uma canadense de origem chinesa e francesa.

“Acho que os canadenses sentem esta
energia positiva, com todos estes sorrisos, e estas caras”, disse.

O grupo Samba Squad tem
também uma escola com um programa destinado a crianças de várias idades, muitas
delas já com passagens pelo grupo.

No dia 18 de fevereiro, o grupo vai atuar
no “Global Carnival”, num evento destinado a celebrar o carnaval, e
terá lugar no ‘Lula Lounge’, na Dundas Street West, em Toronto, um espaço
destinado a espetáculos de world music.

Foto: reprodução 

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