Joia rara

Postado em: 15-02-2016 às 00h00
Por: Redação
Capital do Uruguai, a tranquila e bela Montevidéu tem atrações que vão da história à arquitetura, além de rica gastronomia e belas praias

Adalberto Araújo

O escritor Eduardo Galeano, uma das referências literárias uruguaias, definia Montevidéu, a capital do nosso vizinho e simpático Uruguai, como a ci­dade em que “as pessoas se amam sem dizer e se abraçam sem se tocar”. Limpa e arborizada, com muito verde nas ruas e banhada pelo Rio da Prata, Montevidéu, a maior cidade uruguaia, com 1,3 milhão de habitantes, é composta por avenidas largas e prédios baixos, o que lhe confere um clima dos anos 50, época dourada na qual era uma das cidades mais prósperas da América Latina. 

Para voltar no tempo, basta passear pelas Ramblas, avenidas que ficam à beira do rio, e admirar os apartamentos antigos e espaçosos, ou dar uma volta pela Ciudad Vieja (Cidade Velha), que, como o nome indica, é a parte mais antiga. Localizado perto do porto, o bairro man­tém a arquitetura original. Se quiser conhecer melhor a cidade, é só caminhar, uma vez que Montevidéu é plana e, por isso, ideal para ser percorrida a pé. Além disso, é muito segura, as ruas são extremamente limpas e os motoristas respeitam as faixas de pedestre. Mesmo à noite, não há problemas em andar pelo Centro ou pelos bairros menos movimentados.

Comece sua aventura pela Ciudad Vieja, o Centro antigo, uma das principais atrações da cidade. Construções da época colonial, livrarias e bons museus estão aqui localizados. A Puerta de la Ciudadela demarca o início do Centro Histórico e é um dos poucos resquícios remanescentes do período em que a cidade era cercada por uma muralha. Se gosta de café, faça uma parada no centenário Café Brasileiro, na Calle Ituzaingó, nº 1.447, o mais antigo da cidade (1877) e considerado a segunda casa do jornalista e escritor uruguaio Eduardo Galeano.

Montevidéu é uma cidade com um grande patrimônio arquitetônico, que conta, além disso, com mui­tas árvores. Uma volta pela cidade não pode ignorar a maravilhosa Rambla, a avenida oceânica que percorre quase por completo os 30 km de costa da cidade, onde pedestres, ciclistas e patinadores convivem em harmonia com os locais e os turistas. Também não se pode esquecer dos museus que, diferente da grande maioria dos museus do mundo, têm entrada fran­ca, com ingresso grátis em qua­se sua totalidade. 

Ciudad Vieja

A Ciudad Vieja é o bairro histórico de Montevidéu. Nascido como uma praça-forte fundada pelos por­tugueses, no ano seguinte passou às mãos dos espanhóis, que fundaram a cidade entre 1724 e 1726, com imigrantes das Ilhas Canárias. Nela, estão algumas das melhores atrações turísticas da cidade, como o Mercado del Puerto. Ideal para degustar uma saborosa parrillada, o típico churrasco uruguaio, tido como o melhor do mundo, o Mercado fica no cruzamento da Peatonal Sarandí com a Rambla 25 de Agosto e é a principal praça gastronômica da cidade, onde se pode também desfrutar de espetáculos ao vivo, lojas de lem­branças e bancas de artesanato. O mercado abre todos os dias ao meio-dia e durante a noite. Há restaurantes dentro e fora do mercado. Atrás do Mercado del Puerto está o Museo del Carnaval, onde se pode conhecer o diverso material sobre a história do Carnaval. O museu abre de terça a domingo entre as 11h e as 17h.

Na Ciudad Vieja também está o Teatro Solís. De 1856, o refinado palco da cultura no país, tem visita guiada que dura cerca de uma hora. O Teatro foi inaugurado em 1856 e homenageia o navegante espanhol Juan Díaz de Solís, comandante da primeira expedição européia a penetrar no Rio da Prata. A fachada principal de Solís tem semelhanças à do Teatro Carlo Felice, de Gênova, Itália, e uma forma ligeiramente elíptica, como a do Teatro alla Scala, de Milão também na Itália. O prédio possui as características típicas dos teatros líricos, com orquestra e quatro anéis conhecidos como Baixo Tertulia, Tertulia Alto, Panela e Paraíso.

Praça Independência

Dali, vá até a Praça Independência. Situada no final da Avenida 18 de Julio, é a artéria mais importante da cidade e o trajeto é pontuado por praças acolhedoras, lojas, restaurantes e hotéis. Ao desembocar na praça, há um monumento em homenagem ao general Artigas, responsável pelo movimento de independência do país. Dali é possível avistar o Palácio Salvo, que já foi sede do Governo e ainda é um dos prédios mais emblemáticos de Montevideo. 

O Palácio Salvo é um edifício desenhado pelo arquiteto italiano Mario Palanti, imigrante italiano que vivia em Buenos Aires. Foi inaugurado em 1928, com seus 95 metros e 27 andares, foi a torre mais alta da América do Sul por vários anos e está no mesmo lugar onde antes estava a Confeitaria La Giralda, lugar onde Gerardo Matos Rodríguez apresentou o tango uruguaio mais famoso e difundido do mundo, La Cumparsita. De estilo eclético – duvidoso e muito criticado pelos arquitetos da sua época – e silhueta característica, tornou-se um edifício emblemático da cidade, que remete aos anos de prosperidade das primeiras décadas do século XX.

Ainda na Praça Independência, desenhada pelo arquiteto Carlo Zucchi em 1837 e modificada por Bernardo Poncini em 1860, se pode ver uma grande estátua de José Gervasio Artigas, enquanto que debaixo dela fica o mausoléu subterrâneo onde estão as cinzas do herói uruguaio. Para o oeste se encontra a Puerta de la Ciudadela, que é onde começa o Peatonal Sarandí.

Peatonal Sarandí

O Peatonal Sarandí (em português Calçadão Saran­dí) é onde estão livrarias, loja e cafés e onde praticamente todos os turistas se encontram. Um bom lugar para se perder entre tragos de mate, colheradas de doce de leite ou taças de vinho. Um passeio pelo Sarandí permite observar as construções históricas, começando pela Puerta de la Ciudadela, que alternam lojas, livrarias, restaurantes e galerias de arte. A três quadras está a Praça Matriz, primeira praça da cidade, onde se encontra o Cabildo, que sedia o Museo y Archivo Histórico Municipal, aberto de terças a sextas de 12h30 a 16h30 e nos fins de semana, entre 11h30 e 16h30 horas. 

Catedral Metropolitana

Ainda ali, está a Catedral Metropolitana, aberta ao público de segundas a sextas entre 15h e 18h. No fim  de semana há missas, aos sábados às 17h e nos domingos às 11h e às 17h. A primeira matriz da Igreja Católica no Uruguai ruiu parcialmente em 1788, quando as celebrações religiosas passaram para a antiga igreja dos jesuítas da cidade. Decidiu-se, então, pela reconstrução da nova matriz, no mesmo local, seguindo uma planta muito mais ampla e ambiciosa, o que deu origem ao atual edifício de 1808. 

Museu Torres García

Ali perto está o Museu Torres Gar­cía, um dos mais interessantes da cidade, em homenagem ao principal artista plástico uruguaio Joaquín Torres García, que tem entre as suas criações o mapa invertido da América do Sul, obra que demonstra o amor do professor e escritor pe­lo seu país, pois o mapa posicio­na o Uruguai no topo do mundo. Foi fundado logo após a morte de Torres García em 1949. Fica na Avenida Sarandí, nº 683.

CONTINUA NA PÁGINA 9

 

Compartilhe: