Festival destaca a crise dos refugiados na disputa pelo Urso de Ouro

Postado em: 17-02-2016 às 00h00
Por: Redação
Após levar às telas os dramas dos sírios, iraquianos e afegãos, Berlim exibe documentário que aborda questão dos imigrantes ilegais nos EUA

Os movimentos mi­gratórios voltaram à pauta da 66ª edição do Festival de Berlim nesta terça-feira, sexto dia de competição, com a exibição de Soy Nero, coprodução entre Alemanha, França e México. Diferentemente do documentário Fuocoammare, do italiano Gianfranco Rosi, foca­do no fluxo de imigrantes entre a África e a Europa a partir da realidade da ilha de Lampedusa, exibido em con­­curso no último sábado, o filme de Rafi Pitts se detém em outra rota, aquela entre o México e os Estados Uni­dos.

É na fronteira entre os dois países do la­do de cá do Atlântico que conhecemos Nero (Johnny Ortiz), jovem mexicano determina­do a retornar ao país de onde fora deporta­do. Depois de vencer os perigos do deserto, ele chega a Los Angeles, onde o irmão parece viver uma vida de luxo em uma mansão de Beverly Hills. Mas a ilusão logo se desfaz, e Nero retoma o projeto de obter a cidadania alistando-se nas For­ças Armadas. Em sua primeira missão, no Oriente Médio, descobre que as diferenças persistem mesmo sob um uniforme do Exército.

“Não queria fazer um filme sobre o pro­ble­ma da imigração em um único país. Então, procurei pela fronteira mais absurda que poderia haver e percebi que essa era a americana. “Os Estados Unidos foram construídos por imigrantes de várias partes do mundo, mas eles acabaram erguen­do um muro ao seu redor”, disse Pitts, lembrando, no entanto, que a rejeição ao estrangei­ro não tem fronteiras. “Não entendo como alguém possa ter medo de imigrantes. Raros são os países no planeta que não receberam populações vindas de outros territórios.

Genius

A maratona teve seu momento hollywoodi­a­no com Genius, que mar­ca a estreia do ator britânico Michael Gran­dage (As Loucuras do Rei George), de 1994, na direção. É um dra­ma biográfico que descreve a relação entre o comedido editor Max Perkins (Colin Firth) e o exuberante escritor Thomas Wolfe (Jude Law), na Nova York dos anos 1930. Perkins ajudou a moldar o estilo e a carreira do autor de O Trem e a Cidade, mas a proximidade entre os dois acabou afetando o casamento de Wolfe com a geniosa Aline Berstein (Nicole Kidman).

Perkins foi o primeiro editor a acreditar no potencial da prosa de Wolfe, rejeitado por diversas outras companhias. Look Homeward, Angel (1929), o primeiro livro publicado com a ru­brica de Perkins, pro­vou-se um best-seller instantâneo, dando início a uma parceria profissional e afetiva que duraria até a morte do escritor, em 1938. Genius é baseado em Max Perkins: Editor of Genius, biografia escri­ta por A. Scott Berg e adaptada para o cine­ma pelo roteirista John Logan, o mesmo de 007 – Operação Skyfall (2012), da franquia James Bond. “Ajustar a energia entre os dois personagens tão distintos foi o meu maior desafio”, desabafou Firth. (Agência O Globo) 

Pior estreia 

Michael Moore é o responsável pe­lo documentário de maior sucesso na História, Farenheit 11 de Setembro, que arrecadou mais de US$ 200 milhões em todo o mundo. Seu filme mais recente, entretanto, parece não ter fôlego para chegar perto disso. Where to Invade Next (Onde inva dir agora, em tradução livre), exibido pela primeira vez no Festival de Toronto, em setembro, foi a pior estreia da carreira do diretor, que aconteceu na sex­ta-feira na maior parte dos EUA (em Nova York, estreou em dezembro de 2015). Para completar, o cineasta anun­ciou nesta terça-feira que não vai mais ao Festival de Berlim para a première europeia do longa, por conta de uma pneumonia. 

Considerado por Moore não um filme “político, mas humano”, Where to Invade Next é o primeiro trabalho dele em seis anos. Com exibição em 308 cinemas nor­te-americanos, o longa arrecadou US$ 897.034 durante o fim de semana, segundo o site Box Office Mojo, uma média de US$ 2.912 por sala.

Pelo Twitter, entretanto, Moore comemorou os resultados, agradecendo o público por fazer o documentário ter o “melhor resultado de cinema independente” do fim de semana. 

Mas, na prática, o resultado é ainda pior do que seu único filme de ficção, Operação Canadá (1995), que conquistou uma média de US$ 3.810. O detalhe é que o filme estrelado por John Candy estreou em apenas 14 salas.

No documentário, que o New York Times definiu como “um conto de fadas com uma moral da história”, uma “invasão” é feita a países com políticas que poderiam inspirar mudanças positivas nos EUA. Alguns exemplos são a merenda escolar francesa ou o sistema de saúde pública sueco. Curiosamente, o longa, que ainda não tem data de estreia no Brasil, foi bem recebido em Toronto. Ele chegou a integrar a lista dos pré-candidatos ao Oscar, mas acabou ficando de fora. (Agência O Globo) 

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