Everything Everywhere All at Once é o que todo blockbuster deveria ser

Postado em: 22-05-2022 às 11h40
Por: Luan Monteiro
Engraçado, recheado de ação e, acima de tudo, consistente, o filme da A24 é um novo recomeço para o gênero. | Foto: Reprodução.

Sendo um blockbuster feito por um estúdio conhecido por produções “cults”, a A24, Everything Everywhere All at Once, ou “Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo”, em tradução livre, é uma obra prima do gênero que tem como obrigação, a partir de agora, seguir o modelo empregado nele.

O filme pode parecer confuso a quem lê sua premissa, porém, a construção feita aqui faz com que tudo se torne simples e facilmente compreensível. Mas vamos por partes.

A sinopse do filme é basicamente: Uma idosa imigrante chinesa se envolve em uma aventura louca, onde só ela pode salvar o mundo explorando outros universos que se conectam com as vidas que ela poderia ter levado.

A obra já está sendo considerada pela crítica especializada como um titã do gênero que lota cinemas ao redor do mundo mesmo com a bilheteria abaixo dos filmes da Marvel e DC, por exemplo. Entretanto, essa classificação se refere mais a qualidade feita com um orçamento baixo.

O filme da A24 competiu nos cinemas ao redor do mundo com uma das maiores estreias do momento, Dr. Estranho no Multiverso da Loucura, e, com um roteiro oito vezes menor conseguiu fazer 100 vezes mais. Vamos para a opinião desse jovem jornalista.

A princípio é importante explicar que não tive a oportunidade de assistir ao filme no cinema devido à ausência dele em onde estou no momento, isso não prejudicou o filme na minha opinião, mas se tiver a oportunidade de vê-lo em uma grande tela, o faça.

Everything Everywhere All at Once é um exemplo do que uma comédia com traços de ação pode fazer. Ele consegue aplicar o mais bobo dos conceitos de uma forma magistral e nos faz desarmar todos nossos sentidos em meio a cenas de ação impressionantes para que demos grandes risadas.

A protagonista, Evelyn Wang (Michelle Yeoh), é uma mãe que se vê perdendo sua filha por sua própria culpa. A relação das duas está longe de ser sequer boa, mas ela tem esperança em torna-la melhor, mesmo com tudo conspirando contra. Desiludida e exausta, Evelyn e seu marido Waymond (Ke Huy Quan) tentam afastar a auditora da “Receita Federal” Deirdre Beaubeirdra (Jamie Lee Curtis) que pede mais organização na coleta de impostos de sua lavanderia.

Com o passar dos anos, Evelyn se tornou uma sonhadora cheia de arrependimentos. Se perguntando como cada escolha feita por ela, que a levou a um casamento infeliz e uma vida negativamente conturbada, pudessem modificar o que ela se tornou. É um clássico caso de “e se?”.

Então, em um elevador no escritório de Receita, o normalmente plácido Waymond é transformado em uma versão de homem de ação de si mesmo de outro multiverso, em uma missão no estilo Matrix para encontrar “aquele” que pode salvá-los de Jobu Tupaki, um todo-poderoso “saltador de versos” que ameaça destruir a realidade. “Cada rejeição, cada decepção o levou a este momento”, insiste, revelando que um número infinito de possibilidades alternativas aguarda nossa anti-heroína e declarando que, embora esteja vivendo atualmente “o pior de você”, Evelyn é de fato “capaz de qualquer coisa… porque você é tão ruim em tudo”.

Apesar de todas as suas fantasias, este é um filme é carregado de preocupações realistas: mães e filhas, maridos e esposas, amadurecimento e saída do armário, sonhos e decepções, alteridade e pertencimento, lacunas de geração e sobrecarga de informações. Como as histórias de ficção científica do alter ego de Kurt Vonnegut, Kilgore Trout, ou o cada vez mais influente Guia do Mochileiro das Galáxias, de Douglas Adams, a narrativa pode estar fora deste mundo, mas os problemas que ela aborda, uma vida de “momentos fraturados, contradições e confusão” em que as coisas apenas fugazmente fazem sentido, são inconfundivelmente humanas.

Simplesmente espetacular em todos os sentidos possíveis. O roteiro, o estilo, os figurinos, a trilha sonora, a edição, a iluminação, as performances. Eu assistiria a um filme separado sobre a produção desse filme. Tão afirmativo da vida, doce e incrivelmente romântico.

Quando terminei de vê-lo, deitado na minha cama olhando aos créditos rolando, a única coisa que eu podia pensar era sobre quando eu teria tempo para vê-lo novamente.

O filme tem um coração e encontra o equilíbrio no caos e caos no equilíbrio; uma confusão de contradições que, na verdade, não é nada confusa, porque cada detalhe em cada sequência é claramente trabalhado com cuidado zeloso. Os diretores também se destacam em provar que cinema inteligente e humor “inteligente” não são mutuamente exclusivos.

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