Retorno dos cruzeiros acontecerá com mudanças nos portos e nos navios

Postado em: 16-10-2021 às 17h57
Por: Giovana Andrade
Entre os protocolos de segurança, deve ser adotado o embarque escalonado, dividido por horários. | Foto: Reprodução

Suspensos no país desde o início da pandemia de Covid-19, os cruzeiros marítimos retornarão à costa brasileira em novembro, conforme anunciado no início de outubro pelo Ministério do Turismo. O anúncio foi feito logo após a publicação da portaria nº 657, assinada pelos ministros da Casa Civil, Ciro Nogueira, da Justiça e Segurança Pública, Anderson Gustavo Torres, da Saúde, Rodrigo Moreira da Cruz (substituto) e da Infraestrutura, Tarcísio Filho.

Agora, aguarda-se a divulgação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de uma norma com os protocolos sanitários a serem seguidos. Além disso, as viagens também deverão respeitar as regras das cidades onde os navios atracarem.

Entre os protocolos a serem definidos, a Anvisa deve determinar regras do que diz respeito à realização de testes antes do embarque em todos os passageiros, vacinação e testagem dos tripulantes, uso de máscaras, distanciamento, ocupação reduzida nos navios, desinfecção e higienização constantes nas embarcações e fornecimento de ar fresco sem recirculação (nos moldes dos filtros especiais dos aviões).

Para a temporada de cruzeiros 2021/2022, que vai de novembro até abril do próximo ano, estão previstos sete navios, informou o Ministério do Turismo. Segundo o governo, a expectativa é gerar R$ 2,5 bilhões para a economia e criar 35 mil empregos, o que representaria crescimento de 11% em relação à temporada 2019/2020.

As embarcações devem ofertar mais de 566 mil leitos, 35 mil a mais que na temporada 2019/2020, e fazer cerca de 130 roteiros e 570 escalas em portos brasileiros. Entre os destinos previstos estão Rio de Janeiro, Santos, Salvador, Angra dos Reis, Balneário Camboriú, Búzios, Cabo Frio, Fortaleza, Ilha Grande, Ilhabela, Ilhéus, Itajaí, Maceió, Porto Belo, Recife e Ubatuba.

Depois da paralisação global da indústria de cruzeiros em março de 2020, o retorno dessas viagens já foi autorizado em 50 os países, segundo o Ministério do Turismo. No Brasil, a autorização só vale para roteiros em águas brasileiras, excluindo itinerários como Montevidéu, no Uruguai, e Buenos Aires, na Argentina, destinos populares para navios partindo dos portos de Santos (SP) e do Rio de Janeiro (RJ).

Adaptações

Embora a lista oficial de medidas determinadas pela Anvisa ainda não tenha sido divulgada, já se tem conhecimento sobre mudanças que os cruzeiristas encontrarão ao chegarem nos portos.

Além dos protocolos de segurança já conhecidos, também deve ser adotado o embarque escalonado, dividido por horários. O objetivo é evitar que muita gente chegue com antecedência desnecessária ao terminal, ou que a maioria se apresente para o embarque ao mesmo tempo, causando aglomeração nos portos.

Neste sistema, cada grupo de passageiros irá embarcar em um determinado horário. Assim, quando um grupo estiver chegando, o anterior já terá embarcado e o seguinte ainda não terá chegado. Lembrando que, na temporada 2021/2022, será necessário apresentar um teste PCR negativo, o que pode aumentar o tempo gasto por cada passageiro no processo de embarque.

Dessa maneira o fluxo de pessoas nos salões será menor, diz Sueli Martinez, diretora de operações da Concais, empresa que administra o terminal de passageiros do porto de Santos, o mais movimentado da temporada brasileira de cruzeiros.

— Esse modelo já é usual em alguns terminais muito movimentados, como o de Miami. Isso favorece muito um bom atendimento, e que a pessoa não chegue muito antes sem necessidade — explicou em entrevista ao jornal O Globo.

A medida é uma das que integra o protocolo sanitário desenvolvido pelas empresas de cruzeiros marítimos para ser adotado durante a pandemia. Segundo Sueli, ele já poderia ter sido usado para a temporada 2020/2021, caso ela tivesse acontecido.

O protocolo que virá a ser divulgado também determina o bloqueio de um terço dos assentos, aumentando o distanciamento entre as pessoas, instalação de placas de acrílico nos guichês de atendimento, pontos de distribuição de álcool em gel e uso obrigatório de máscaras por todas as pessoas.

Outra medida prevista é a desinfecção das malas antes de entrarem no navio. A bagagem será despachada através de uma área específica para esse fim. Lá, todas as malas e bolsas serão higienizadas, com produtos especiais, e então levadas a bordo. O processo acontecerá de forma inversa no desembarque: a bagagem sairá do navio, receberá essa limpeza reforçada já em terra, e só depois o passageiro poderá pegá-la.

A diretora considera que esse protocolo básico será o suficiente para garantir a segurança das cerca de 237 mil pessoas que, nas contas da Concais, deverão passar pelos cinco salões do terminal, cada um com 11 mil metros quadrados.

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