Clima Econômico da América Latina fica abaixo da média dos últimos 10 anos

A queda mais acentuada do indicador se deu no Brasil, onde o ICE, ao variar 20 pontos, foi de 79 para 59 pontos entre abril e julho

Postado em: 10-08-2017 às 09h50
Por: Thais Tomás
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A queda mais acentuada do indicador se deu no Brasil, onde o ICE, ao variar 20 pontos, foi de 79 para 59 pontos entre abril e julho

O Clima Econômico da América Latina (ICE) recuou 5,5 pontos
entre abril e julho, atingindo 72 pontos e ficando 17 pontos abaixo da média
histórica dos últimos dez anos. A constatação é do Indicador Ifo/FGV de Clima
Econômico da América Latina, elaborado numa parceria pelo Instituto alemão Ifo
e a Fundação Getúlio Vargas.

Os dados divulgados hoje (10), no Rio de Janeiro, indicam
que a queda entre abril e julho é explicada “tanto pela situação corrente que
se encontra a América Latina quanto pelas perspectivas de curto prazo: o
Indicador da Situação Atual (ISA) caiu 2,2 pontos indo para 37,4 pontos; e o
Indicador das Expectativas (IE) recuou 10,3, ficando em 116,5 pontos.

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A queda mais acentuada do indicador se deu no Brasil, onde o
ICE, ao variar 20 pontos, foi de 79 para 59 pontos entre abril e julho. Segundo
a divulgação, apesar de se manter na zona favorável de 134,6 pontos em julho, o
Indicador das Expectativas foi o que mais contribuiu negativamente para queda
da ICE ao cair 54,7 pontos em relação a abril. Já o Indicador da Situação
Atual, mesmo recuando 3 pontos, se manteve na zona desfavorável (7,7 pontos) em
relação a abril.

Ao analisar a publicação, a pesquisadora da FGV/Ibre, Lia
Valls Pereira, disse que o indicador do clima econômico do mundo ficou estável
na zona favorável, com o ICE até melhorando nos países/regiões das economias de
renda alta.

“Mas, em algumas regiões de economias emergentes/em
desenvolvimento, como na América Latina, o ICE piorou”, afirmou. Ela ressaltou
que essa piora ocorre num cenário externo favorável com preços das commodities em
alta e crescimento do comércio mundial. “Na América Latina, questões domésticas
de cunho econômico e/ou político explicam o recuo do ICE”, acentuou.

“Incertezas quanto aos resultados de eleições (Chile e
Argentina); piora na avaliação de riscos por agências de rating (Chile
e Brasil); temas de corrupção (Peru e Brasil, por exemplo), baixo crescimento
econômico generalizado na região e questões fiscais envolvendo vários países”
são fatores que dominam o cenário da região, explica Lia.

Segundo ela, “chama a atenção”, porém, o fato de que “se
tiramos o Brasil, os países do Mercosul apresentaram resultados mais favoráveis
de clima econômico que os da Aliança do Pacifico”.

Clima Econômico

Os dados da Ifo/FGV indicam, também, que o Índice de
Situação Econômica do Mundo ficou estável em julho, fenômeno que vem de uma
trajetória de melhora desde julho de 2016.

“Nas principais economias mundiais desenvolvidas, o ICE está
na zona favorável, sendo exceção o Reino Unido, que teve uma queda de 51 pontos
e está na zona desfavorável. Entre o Brics (grupo de países chamados emergentes
e que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), o Brasil só não está
pior que a África do Sul”, destaca o relatório.

O estudo comprova que a Rússia e a China estão próximas da
zona favorável e a Índia desponta como o país de melhor avaliação entre os
cinco do grupo. A piora na América Latina se dá, apesar da tendência de melhora
a partir de janeiro de 2016, com interrupções entre outubro de 2016 e janeiro
de 2017 e agora em julho. “Ainda assim, o ICE da América Latina não conseguiu
voltar para a zona de avaliação favorável que havia sido dominante na primeira
década do século XXI e no período de boom das commodities”,
ressalta o estudo.

Queda na América Latina

O Clima Econômico da América Latina cai na comparação entre
abril e julho para 7 dos 11 países analisados mais detalhadamente no relatório
da Sondagem da América Latina. Há melhora para a Argentina (+ 0,6 ponto),
Bolívia (+20,1 pontos) e México (+18,5 pontos) e a Venezuela permanece no
patamar mínimo do indicador.

Apesar da queda no ICE, os países do Mercosul (Argentina,
Brasil, Paraguai e Uruguai), exceto o Brasil, estão na zona favorável de
avaliação. Em contrapartida, nações da Aliança do Pacífico (Chile, Colômbia,
México e Peru) encontram-se na zona desfavorável. 

Agência Brasil

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