De olho na concorrência com Elon Musk, Amazon quer lançar até 83 foguetes para criar internet própria

Gigante do setor de logística fechou acordo com três empresas para entrar no mercado da Starlink

Postado em: 05-04-2022 às 19h54
Por: Augusto Diniz
Gigante do setor de logística fechou acordo com três empresas para entrar no mercado da Starlink | Foto: Divulgação/Blue Origin

A Amazon vai investir na criação de uma rede própria de internet banda larga. Para isso, a empresa anunciou nesta terça-feira (5/3) que fechou contrato com as empresas Arianespace, Blue Origin, de Jeff Bezos, e United Launch Alliance (ULA). A intenção da Amazon é lançar até 83 foguetes para colocar satélites em órbita baixa na Terra. Até o momento, o projeto surge como a maior aquisição na indústria espacial.

O jornal Financial Times noticiou que o Projeto Kuiper será a banda larga de alta velocidade da Amazon, que terá como público-alvo consumidores, agências de governo, empresas e usuários que sofrem com problemas na conexão. “Os contratos prevêem até 83 lançamentos ao longo de um período de cinco anos, permitindo que a Amazon implante a maioria de sua constelação de 3.236 satélites”, informou um comunicado da Amazon.

A proposta da Amazon tem como mira uma concorrente. A Starlink, de Elon Musk, o homem que pode ficar trilionário até 2024, já lançou mais de 2 mil satélites, o que garante 200 megabits por segundo em velocidade de download. Do e-commerce para a banda larga, a Amazon disse que o Projeto Kuiper tem mais de 1 mil funcionários, em especial nas áreas de desenvolvimento e engenharia.

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Para atingir o objetivo de disponibilizar internet para comunidades carentes, a empresa precisa desenvolver um antena de recebimento de sinal de baixo custo. Os cursos do projeto não foram divulgados. Mas a Amazon afirma que vai investir “bilhões de dólares” nos três contratos, de acordo com um executivo da empresa em entrevista ao Financial Times. O investimento seria de “não menos de US$ 10 bilhões”, o que daria hoje R$ 46,5 bilhões.

Muito a fazer

Dave Limp, vice-presidente da empresa, descreve que a Amazon ainda tem muito trabalho a fazer, “mas a equipe continuou a alcançar marco após marco em todos os aspectos do nosso sistema de satélites”. O Projeto Kuiper tem o desafio de colocar no mínimo metade dos satélites na órbita baixa da Terra até julho de 2026 pelo prazo dado pelo órgão regulador de comunicações dos Estados Unidos.

Em 2022, a Amazon pretende lançar duas missões com um provedor diferente do que será projetado. Será usado nos primeiros foguetes a ABL Space Systems. Com 38 lançamentos a serem realizados no Vulcan Centaur, a ULA foi quem ficou com o maior número de contratos. Será usada infraestrutura em Cabo Canaveral, na Flórida, como parte do acordo com a joint venture pertencente à Boeing e à Lockheed Martin. Outros nove lançamentos da Amazon vão usar o foguete Atlas da ULA.

Com a Blue Origin, serão 12 lançamentos pelo Projeto Kuiper. O foguete usado será o New Glenn, que pode chegar a 15 missões. O New Glenn seria lançado em 2020, mas ficou para depois de 2023. A Blue Origin, assim como a Amazon, foi fundada por Jeff Bezos, que vai se beneficiar do contrato da empresa com a ULA. A Blue Origin fabrica motores para o foguete Vulcan Centaur.

Empresa francesa

A francesa Arianespace irá usar 18 foguetes durante três anos no Projeto Kuiper. “Este é de longe o contrato mais importante já alocado para lançadores”, afirma o — disse o executivo-chefe da Arianespace, Stéphane Israël. A Arianespace pertence à Aribus e à Safran, que não quis dizer o valor do contrato com a Amazon. O contrato é o maior já firmado pela empresa europeia.

O foguete Ariane 5, da Arianespace, concluiu 15 missões em 2021, inclusive no lançamento do telescópio espacial James Webb, da Nasa. O voo inaugural do novo foguete da empresa francesa, o Ariane 6, está marcado para o final do ano, já como parte do acordo com a Amazon.

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