Pequenos negócios ganham força no mercado de trabalho no primeiro semestre de 2022

Os saldos positivos nos negócios de empreendedorismo acumularam 533 mil vagas entre as micro e macros empresas

Postado em: 08-08-2022 às 09h03
Por: Victória Vieira
Os resultados estão atrelados a falta de oportunidades no mercado de trabalho | Foto: Reprodução

Um levantamento realizado pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) constatou que cerca de 1,33 milhão de postos de trabalho formais criados no Brasil dos meses janeiro a junho, 961,2 mil, o equivalente a 72,1% do total, vieram de pequenos negócios. Diante esse cenário, é possível perceber que a priorização de começar um novo negócio tem se tornado algo comum na realidade dos brasileiros.

Em alguns casos, abrir o próprio negócio advém por uma vontade própria, já outros, é necessidade. O desempenho das Micros e Pequenas Empresas (MPE) é bastante superior ao das médias e grandes empresas, que abriram 279,1 mil vagas nos seis primeiros meses de 2022.

Os resultados estão atrelados a falta de oportunidades no mercado de trabalho, já que neste ano, a área das micro e macro empresas ofereceram 73,9 mil vagas, ou seja, 26,6% do total.

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Com isso, a saída de alguns indivíduos é começar o próprio negócio, estabelecendo uma independência financeira para pagar as contas e ainda equilibrar os gastos, iniciando essa nova etapa. 

Pandemia

“Eu acabei ficando um pouco nervosa. Poxa, e agora, o que é que eu vou fazer? Aí eu fui empreender. Falei: ‘Vou conseguir, nem que seja para pagar minha luz, água. Vou conseguir’”, contou Patrícia Menegheli, empreendedora de uma pequena empresa de crochês.

A mulher conta que estava desesperada, pois tinha acabado de perder o emprego. Então, cinco meses depois, o mundo se deparava com uma das maiores dificuldades a serem enfrentadas, a pandemia. Menegheli disse que ficou pensando como iria sair dessa situação, então, surgiu a ideia de utilizar os dons de crochê ensinados pela sua avó.

Eventualmente, com o talento, apoio e perseverança nas redes sociais, algo que era considerado seu hobby, acabou virando renda. Os pedidos ainda não são muitos, mas são o suficiente para um sustento.

“Sempre tem uma encomenda ou outra. Não é uma coisa que substitua o que você tinha antes, mas te ajuda. Acho que se eu me profissionalizar no que eu estou fazendo, eu acredito que vou ter muito mais cliente e talvez eu consiga ganhar até um pouco mais do que eu ganhava antes”, revelou.

O gerente regional do Sebrae, Weliton Perdomo, explica que o motivo do empreendedorismo estar em alta após um período de crise é em relação a escassez de empregos, afinal, um a cada dois empreendedores ainda abre negócio por necessidade. Segundo a pesquisa feita pela Global Entrepreneurship Monitor (GEM) no ano passado, 48,9% dos novos negócios são abertos ou mantidos como obrigação.

“Os empregos acabam ficando mais escassos, especialmente no período de crise e pós-crise. Então, recentemente, os pequenos negócios passam a ter mais relevância nesse contexto de emprego, renda e economia de uma maneira geral”, informa. Os termos atuais são: empreender ou viver em dificuldades.

Setores de crescimento

Quando se trata em gerar empregos, os pequenos negócios dominam os resultados. Os saldos positivos nos negócios de empreendedorismo acumularam 533 mil vagas entre as micro e macros empresas.

No mês de junho, 78 mil postos de serviços estabeleceram um alívio no mercado de trabalho. Negócios digitais, alimentação saudável, mercado de beleza, exportação, setor de energia, brechó, mercado financeiro são os maiores setores investidos neste ano. Agora com a nova medida proclamada pelo Programa Nacional de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Pronampe), os interessados em abrir o próprio negócio podem procurar as instituições financeiras para fazer empréstimos a pequenas empresas com juros mais baixos e prazo maior, assim facilitando o pagamento. A companhia pode pegar empréstimos de até 30% da receita bruta anual registrada em 2019, mas deve optar pelo financiamento, mantendo o número de empregados por até 60 dias após a tomada do crédito.

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