Terça-feira, 20 de fevereiro de 2024

Com preços atrativos, produção goiana de arroz deve crescer 8,1%

Produtor deve intensificar os cuidados quanto ao manejo de irrigação e de pragas, tendo em vista as altas temperaturas previstas para o verão

Postado em: 02-12-2023 às 07h00
Por: Alexandre Paes
Imagem Ilustrando a Notícia: Com preços atrativos, produção goiana de arroz deve crescer 8,1%
A estimativa oficial é que o rendimento médio por hectare recue para 5,5 toneladas (-1,4%) | Foto: Seapa

Ocupando o 10º lugar no ranking nacional de maiores produtores, Goiás deve registrar crescimento em área cultivada e volume de arroz na safra 2023/2024. A rizicultura goiana foi o tema de capa da edição de dezembro do Agro em Dados. O boletim técnico mostra que a produção estadual do arroz deve atingir 88,2 mil toneladas no ciclo atual (+8,1% em relação ao ciclo passado), enquanto a área cultivada deve chegar a 16 mil hectares (+9,6%). 

A cultura do arroz tem grande relevância histórica, social, econômica e cultural no estado de Goiás. A maior parte das áreas produtivas existentes no Estado, ocupadas tanto pela agricultura ou pecuária, já tiveram arroz de sequeiro cultivado em suas aberturas. Esta prática era comum na implantação da agropecuária goiana, pelo fato de o arroz cultivado na época ser resistente ao regime hídrico e às características de acidez dos solos do Cerrado.

“Com o passar dos anos e a evolução tecnológica na agropecuária, o cultivo de arroz de terras altas, como era chamado o arroz cultivado em regime de sequeiro, foi perdendo relevância e competitividade frente ao cultivo de outros grãos”, expõe Pedro Leonardo Rezende, secretário de estado da agricultura e pecuária de Goiás (Seapa). 

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Atualmente, o plantio de arroz em regime de sequeiro em Goiás está limitado à produção em pequenas propriedades de subsistência, enquanto o cultivo em nível empresarial se resume às áreas irrigadas. Após recuo na área cultivada verificado na temporada anterior, nesta safra, a cultura tenta recuperar espaço na agricultura goiana, encorajada pela atratividade dos preços, que seguem acima dos patamares de anos anteriores. No entanto, o cultivo de arroz também deve sofrer influência na produtividade em decorrência do El Niño.

Segundo o secretário da Seapa “a valorização do arroz no mercado é decorrente, sobretudo, dos impactos climáticos extremos sofridos no Sul do Brasil nos últimos anos, com consequentes reduções da área plantada e menor disponibilidade do produto”. Vale destacar que a alta nos preços do arroz reflete na elevação do valor da cesta básica, o que impacta no orçamento do consumidor goiano.

Para a atual temporada, o produtor deve intensificar os cuidados quanto ao manejo de irrigação e de pragas, tendo em vista as altas temperaturas previstas para o verão. Este controle influencia significativamente na produtividade final da cultura e nas margens de comercialização do produtor. “Outro fator importante, é observar como se desenvolverá a safra nos estados do Sul, principal região produtora do país, que pode impactar diretamente nas cotações nacionais do cereal”, orienta a Seapa no último boletim do Agro em Dados de dezembro.

Além disso, Pedro Leonardo recorda que o impacto do El Niño deve ser percebido mais claramente na produtividade. A estimativa oficial é que o rendimento médio por hectare recue para 5,5 toneladas (-1,4%). O Agro em Dados apresenta cotações atuais; séries históricas de preço e produção, rankings de Valor Bruto de Produção (VBP) e municípios produtores no Estado; além de exportações. Um texto analítico, assinado pela equipe de Inteligência de Mercado Agropecuário da Seapa, detalha a situação da rizicultura goiana hoje — praticada majoritariamente em áreas irrigadas — e revela a perspectiva para a temporada em curso.

“Após o recuo na área cultivada verificado na temporada anterior, nesta safra, a cultura tenta recuperar espaço, encorajada pela atratividade dos preços, que seguem acima dos patamares de anos anteriores”, pontua. Como é praxe, a nova edição do Agro em Dados traz também números relativos às principais cadeias agropecuárias goianas: bovinos, suínos, frangos, lácteos, soja e milho. “Esse é um trabalho complexo que envolve a compilação, o tratamento e a análise de informações provenientes de fontes confiáveis, com o objetivo de levar ao leitor conteúdo de qualidade, que realmente faça a diferença na hora de tomar decisões”, finaliza o titular da Seapa.

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