Quarta-feira, 28 de fevereiro de 2024

Brasil mantém liderança global em taxas de juros elevadas, apesar das expectativas de redução

Juros reais altos impactam economia e destacam desafios estruturais do país

Postado em: 04-12-2023 às 11h48
Por: Luana Avelar
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Taxa Selic de 13,75% resulta em juros reais que excedem a média global, afetando o custo do crédito para a população. | Foto: Freepik

O Brasil mantém a liderança global em taxas de juros elevadas, uma posição que persiste devido a fatores estruturais na economia. Apesar das expectativas de um ciclo de cortes na taxa básica de juros, o país permanece à frente de outras economias no ranking de juros reais. A previsão de redução da taxa Selic ocorre em um contexto de enfraquecimento da inflação, contrastando com a tendência de elevação de taxas em outros países, como os Estados Unidos.

O juro real, descontando a inflação projetada, destaca-se como um dos mais altos do mundo, impactando tanto investidores quanto aqueles que buscam empréstimos. Embora países como a Argentina tenham taxas básicas superiores, o juro real efetivamente pago pelos argentinos é menor devido à alta inflação. No Brasil, a taxa Selic de 13,75% resulta em juros reais que excedem a média global, afetando o custo do crédito para a população.

Economistas atribuem a persistência dos juros elevados no Brasil ao conceito de “juro neutro” ou “juro de equilíbrio”, estimado em cerca de 4,5%. Este patamar reflete o limite até o qual os juros podem cair, considerando o histórico endividamento público brasileiro. A dívida líquida do setor público, atingindo 61% do PIB, influencia diretamente o juro neutro, destacando a importância do controle fiscal para a redução sustentável das taxas.

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O debate sobre os juros altos envolve questões complexas, incluindo a necessidade de conter a inflação, mas também os impactos negativos nos empréstimos, consumo e investimentos. O spread bancário no Brasil, a diferença entre os juros pagos pelos bancos e cobrados dos clientes, é exorbitante, colocando o país em uma posição desfavorável em comparação com outros emergentes. Especialistas apontam para a necessidade de reformas microeconômicas, como o marco legal das garantias de empréstimos, como uma das formas de reduzir os juros e promover um ambiente econômico mais saudável.

Embora a expectativa de queda na taxa Selic seja uma resposta à desaceleração da inflação, os riscos globais, como a onda inflacionária decorrente da pandemia e eventos geopolíticos, ainda pairam sobre a possibilidade de reduções mais expressivas. A liderança brasileira em juros elevados persistirá, destacando a complexidade dos desafios econômicos e a necessidade contínua de equilibrar diferentes objetivos macroeconômicos.

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