Djavan e Milton Nascimento lançam juntos, música ‘Beleza Destruída’ para novo álbum

A misteriosa melodia, sobre a harmonia inventada no violão de Djavan são base para uma letra urgente, política e ecológica

Postado em: 28-07-2022 às 09h09
Por: Lanna Oliveira
Apesar dos anos de amizade, a colaboração inédita entre Djavan e Milton Nascimento foi muito aguardada pelos fãs | Foto: Ricardo Brunini

Um encontro de comover corações sensíveis e encantar quem é verdadeiramente apaixonado por música. Djavan e Milton Nascimento se encontram pela primeira vez na música ‘Beleza Destruída’, que antecede o álbum ‘D’ do cantor alagoano. Já disponível em todas as plataformas digitais, o single apresenta uma melodia que anuncia as participações, calcada em uma sequência harmônica de acalmar qualquer multidão. Já a letra foi pensada para falar pelos dois. Enfim, tudo conspirou para a obra ser o marco que é.

Apesar dos anos de amizade, a colaboração inédita entre Djavan e Milton Nascimento foi muito aguardada pelos fãs. ‘Beleza Destruída’ é um marco na música, a junção de duas das vozes mais importantes mundialmente traz para o cenário brasileiro uma concepção histórica. O segundo single do 26º álbum de Djavan, ‘D’, programado para ser lançado na noite de 11 de agosto com 12 músicas inéditas no repertório inteiramente autoral, faz jus ao precedente dos artistas. Com carreiras consolidadas, os cantores sabem o que fazem.

Voz divina, amplificada na era dos festivais em meio ao surgimento do gênero musical brasileiro rotulado como MPB, Milton Nascimento revelou admirável mundo novo ao Brasil a partir de 1967 ao apresentar as primeiras composições de obra de arquitetura sonora inédita. Projetado nacionalmente em 1975 em festival que tentou em vão reeditar a fervura da era da década anterior, Djavan também se impôs (quase) instantaneamente pela moldura original do cancioneiro sinuoso, de harmonias inventivas.

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Fato é que o mineiro teve sua parcela de influência naquela geração, inclusive diretamente na forma de ouvir música de Djavan. Ao ser perguntado sobre Milton Nascimento, Djavan sai do usual cuidado com as palavras, quando fala, e se utiliza de termos grandiosos: “Bituca é uma coisa do outro mundo. Ele é improvável na sua originalidade”, afirma. “Talvez nem ele saiba como foi importante na minha formação, o período em que eu estava ouvindo toda a música do mundo e ele me causou um arrebatamento enorme”, relembra.

Também ‘improvável em sua originalidade’ de compositor e cantor, Djavan passou a vida encontrando furtivamente o Milton por aí. Outra característica comum dos dois, a timidez, contudo, nunca os aproximou para além da amizade e do carinho de colegas. Nos últimos tempos, pessoas próximas de Djavan, sem saber uma das outras começaram a questionar, “poxa, você nunca fez nada com o Milton”. Muito provavelmente pensando no que a ‘improvável originalidade’ de ambos não daria quando reunidas.

Quando começou a pensar no que seria o álbum ‘D’, Djavan finalmente teve a convicção de que era o momento de fazer algo com o Milton. E compôs uma melodia para que os dois cantassem juntos. Soma-se uma melodia descoberta em seu violão, mas que poderia, justamente pela originalidade, também ser de Milton, à uma letra, que fala sobre a relação da humanidade com a natureza, ou melhor da preservação da natureza sempre ameaçada de destruição, dos indígenas e povos da floresta.

Nasceu assim, urgente e já eterna, ‘Beleza destruída’, uma das canções mais importantes da obra de Djavan, com todas as características de uma grande canção e mais o fato de unir finalmente Djavan e Milton Nascimento no estúdio. A canção e o clipe foram realizados por Giovanni Bianco, diretor artístico do projeto. O registro audiovisual também traz a energia que música transmite, leveza e nuances marcantes. Com um fundo preto e branco e apenas algumas cores pontuais, as imagens resgatam a sensibilidade e a força dos artistas. 

A gravação do tão aguardado encontro teve todos os ingredientes dos grandes momentos. Djavan compôs e arranjou a música no que imaginou ser o tom melhor para as vozes dos dois. Ao receber a gravação, Milton achou que estava alto para ele. Mas ao chegar no estúdio viu que não: a canção cabia-lhe perfeitamente no tom original. Por pedido dele, gravou ao lado de Djavan, segurando-lhe a mão. O resultado, uma soma da ‘improvável originalidade’ dos dois artistas é, antes de tudo, muito emocionante.

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