Justiça acolhe denúncia contra padre acusado de assediar oito monges em monastério, em MG

Com o recebimento da denúncia do MPMG, foi instaurada uma ação penal e Ernani passou de denunciado a réu.

Postado em: 15-02-2022 às 10h15
Por: Ícaro Gonçalves
Com o recebimento da denúncia do MPMG, foi instaurada uma ação penal e Ernani passou de denunciado a réu | Foto: Reprodução

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) denunciou à Justiça mineira o padre Ernani Maia dos Reis, líder do Mosteiro Santíssima Trindade, após relatos de violência sexual cometida contra quatro monges da instituição. Segundo a denúncia, o padre usava da condição de autoridade para se intitular “pai” dos religiosos, de forma que conseguia a confiança das vítimas e cometia os abusos durante “sessões de psicanálise”.

Os crimes teriam sido cometidos entre 2011 e 2018. Em relato obtido pelo portal Uol, um dos monges revelou que procurou o padre para pedir conselhos sobre um empasse vivido, se deveria seguir a vocação sacerdotal ou matrimonial. Em resposta, Ernani teria afirmado que o monge era gay e colocado a mão dele em seu pênis. “Você está precisando disso aqui, de pinto”, teria dito.

Os relatos dos crimes sexuais chegaram ao conhecimento da Igreja Católica através de denúncias internas. No entanto, ele só foi afastado das atividades sacerdotais quando pediu para sair do mosteiro, em agosto de 2018, alegando “cansaço” e “crise vocacional”. Atualmente, Ernani tem um consultório de psicanálise. Ele nega que tenha cometido os crimes.

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Denúncia

A decisão de acolher a denúncia foi do juiz Roberto Troster Rodrigues Alves, da comarca do município de Monte Sião (MG). Com o recebimento da denúncia do MPMG, foi instaurada uma ação penal e Ernani passou de denunciado a réu. Caso seja condenado ao fim do processo, a pena prevista é de 2 a 6 anos de reclusão. Além das quatro vítimas apresentadas na denúncia, pelo menos outras quatro já foram identificadas, todas homens entre 20 e 40 anos.

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