Entenda qual a relação entre Covid-19 e o aumento de amputações no Brasil durante a pandemia

Um estudo recente produzido pela Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV) aponta um aumento no número de amputações de pernas ou

Postado em: 24-06-2022 às 17h38
Por: Ícaro Gonçalves
Os procedimentos ocorreram principalmente nas regiões Sudeste e Nordeste | Foto: Reprodução

Um estudo recente produzido pela Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV) aponta um aumento no número de amputações de pernas ou pés no Brasil durante a pandemia de Covid-19.

Os dados, divulgados quinta-feira (23/6), foram levantados no período entre 2012 e 2021. Ao longo do período, pelo menos 3 brasileiros sofreram amputação de membros inferiores a cada hora, o que corresponde a um total de 245 mil brasileiros amputados.

Segundo o estudo, em 2020, a média diária de amputação dos membros inferiores era de 75,64. Em 2021, com o agravamento da pandemia, o número subiu para 79,19 cirurgias por dia. O aumento pode estar relacionado à descontinuidade no acompanhamento de pacientes com doenças crônicas, como o diabetes.

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Nos últimos dois anos, foram 56.513 brasileiros submetidos ao processo de amputação ou desarticulação.

Sinal de alerta

Para os profissionais da SBACV, os dados alertam para as consequências da suspensão de tratamentos clínicos na pandemia, o que pode se agravar neste anos de 2022. Dados preliminares de janeiro até março deste ano mostram uma média mensal que já ultrapassa a observada em 2021, com pelo menos 82 pessoas amputadas por dia.

Os procedimentos ocorreram principalmente nas regiões Sudeste e Nordeste, sendo a primeira responsável por mais de 42% de todas as cirurgias feitas no Brasil, ou 103,5 mil pessoas amputadas. Já o Nordeste somou mais de 80,1 mil procedimentos de amputação ou desmobilização de membros inferiores. Na sequência, vem a região Sul, com 35,2 mil registros; o Centro-Oeste, com 13,5 mil; e o Norte, com 13,4 mil.

Fatores de risco para amputações

Segundo os especialistas da SBACV, as cirurgias dos membros inferiores podem estar relacionadas a fatores de risco como tabagismo, hipertensão arterial, dislipidemia (níveis elevados de lipídios no sangue), idade avançada, insuficiência renal crônica, estados de hipercoagubilidade e histórico familiar.

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