Terça-feira, 20 de fevereiro de 2024

Moradia precária no Brasil tem impacto no desenvolvimento infantil

Carência habitacional afeta milhões de crianças, comprometendo educação, saúde e condições sanitárias.

Postado em: 28-11-2023 às 18h24
Por: Luana Avelar
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Foto: TETO CO

A carência de moradia adequada no Brasil reflete uma situação que afeta não apenas adultos, mas especialmente crianças. Essa realidade tem impactos no desenvolvimento infantil, manifestando-se em desafios como dificuldades de crescimento, alimentação precária e problemas cognitivos.

Os dados do Censo 2022 apontam para 11,4 milhões de domicílios desocupados, enquanto a Fundação João Pinheiro, em 2019, destacou um déficit habitacional de mais de 5,8 milhões de moradias.

Os efeitos da privação do direito à moradia digna são evidentes em diversos aspectos, incluindo a educação, saúde e condições sanitárias. A análise revela que 32 milhões de crianças e adolescentes enfrentam condições sociais inadequadas, com 1 em cada 10 vivendo em moradias inadequadas, especialmente no Norte do país, destacando-se Amazonas, Amapá e Roraima com indicadores acima de 20%.

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A pesquisa da Unicef, abrangendo o período de 2019 a 2022, aponta que 11% das crianças e adolescentes vivem em moradias com superlotação e construção inadequada de paredes e tetos. Essa situação é mais prevalente em áreas rurais, afetando principalmente crianças negras e residentes do Norte e Nordeste.

A importância da habitação no desenvolvimento infantil é evidente, especialmente na primeira infância, influenciando negativamente o desenvolvimento cerebral e aumentando as chances de problemas educacionais e precariedade no emprego. Moradias precárias também contribuem para a falta de condições sanitárias adequadas, resultando em maus hábitos de higiene e desnutrição infantil, impactando o desenvolvimento motor, cognitivo e socioemocional.

Os problemas relacionados às moradias precárias incluem a falta de espaço para estudo, saneamento básico inadequado, renda e alimentação insuficientes, e a escassez de acesso à água de qualidade. Estes desafios são exacerbados pela carência de infraestrutura, sendo mais prevalentes em áreas urbanas como Rio de Janeiro e São Paulo, onde mais de 10% das crianças vivem em condições precárias, mesmo diante do alto desenvolvimento econômico dessas regiões.

A análise mais aprofundada desses problemas destaca a urgência de abordar essa questão. A falta de infraestrutura adequada amplia disparidades sociais, impactando desproporcionalmente crianças e adolescentes vulneráveis.

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