Síria: comboio de ajuda humanitária leva alimentos e remédio a cidades sitiadas

Postado em: 17-02-2016 às 15h24
Por: Redação
Os primeiros caminhões de ajuda humanitária entraram hoje (17) na cidade sitiada de Muadamiya al-Sham, a sudoeste da capital síria de Damasco

Os primeiros caminhões de ajuda humanitária entraram hoje
(17) na cidade sitiada de Muadamiya al-Sham, a sudoeste da capital síria de
Damasco. A informação foi  divulgada pelo Observatório Sírio dos Direitos
Humanos.

De acordo com a organização não-governamental, o comboio de
ajuda humanitária, composto por dezenas de veículos, transportava alimentos e
outros bens essenciais para as cidades sitiadas de Al Zabadani e de Madaya, nos
subúrbios de Damasco, e também para Fua e Kefraya, na província de Idleb, no Norte
da Síria.

As cidades de Muadamiya al-Sham, Madaya e Al Zabadani estão
cercadas pelas forças do regime do presidente sírio, Bashar al-Assad, e pelos
seus aliados; enquanto Fua e Kefraya, de maioria xiita, estão sitiadas pela
Frente Al-Nusra, ramo sírio da Al-Qaida, e por outras fações armadas de
oposição.

Antes da entrada da ajuda humanitária, uma delegação do
Crescente Vermelho Árabe Sírio (SARC), organização que trabalha com a Cruz
Vermelha Internacional, entrou hoje em Madaya com uma clínica móvel para
avaliar os casos de doentes que precisam de ser transportados para hospitais
fora da cidade.

Ontem (16), o porta-voz das Nações Unidas, Farhan Haq,
informou que o governo sírio autorizou a Organização das Nações Unidas (ONU) a
enviar ajuda humanitária para estas localidades sitiadas e também para as zonas
de Kafr Batna, nos arredores de Damasco, e de Deir al-Zur, no Nordeste do país.

O anúncio da ONU surgiu após uma visita a Damasco do enviado
especial das Nações Unidas para a Síria, o diplomata italo-sueco Staffan de
Mistura. Na capital síria, o diplomata se reuniu com o ministro dos Negócios
Estrangeiros sírio, Walid al-Mualem, e, depois do encontro, afirmou que a ONU
ia tentar levar ajuda humanitária, a partir de hoje, para as áreas sitiadas, em
uma ação que, segundo o enviado especial, iria testar a vontade do governo
sírio.

As palavras de Staffan de Mistura não foram bem recebidas
pelo governo sírio, que respondeu que não iria permitir que ninguém testasse
seu nível de seriedade. A Síria acusou o diplomata de fazer declarações
“completamente contraditórias” ao conteúdo das reuniões conjuntas realizadas
previamente.

As grandes potências internacionais envolvidas no caso
sírio, especificamente a Rússia (aliada tradicional da Síria) e os Estados
Unidos (que apoiam a oposição moderada síria), concluíram, há cerca de uma
semana, na cidade alemã de Munique, um acordo que previa uma trégua na
Síria, por uma semana, além de aumentar a ajuda humanitária.

Segundo a ONU, cerca de 486 mil pessoas vivem nas 18 zonas
cercadas no território sírio, a maioria por forças militares do regime.
(Agência Brasil) 

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