Ex-ministro do Afeganistão vira entregador a domicílio na Alemanha

Postado em: 31-08-2021 às 12h32
Por: Giovana Andrade
Há anos, os afegãos compõem o segundo maior grupo de migrantes na Alemanha, atrás apenas dos sírios. | Foto: Jens Schuleter / AFP

Após o Talibã retomar o poder no Afeganistão, milhares de afegãos deixaram seu país, em voos das forças de coalizão que ocuparam o país durante 20 anos, e espera-se que mais deles devem chegar por conta própria em contingentes ainda maiores nos próximos meses e anos.

Entretanto, para além dos acontecimentos mais recentes, os afegãos são, há anos, o segundo maior grupo de migrantes na Alemanha, atrás apenas dos sírios. Há cerca de 210 mil pedidos de asilo registrados desde 2015 no país europeu.

Um desses imigrantes é Sayed Sadaat, de 50 anos, que chegou à Alemanha meses antes da retomada de poder pelo Talibã. No Afeganistão, ele foi ministro de Comunicações entre 2016 e 2018, mas decidiu deixar o cargo por estar farto da corrupção dentro do governo. Ele encontrou trabalho como consultor no setor de telecomunicações, mas decidiu deixar o país em 2020, quando a segurança começou a se deteriorar. 

Agora, vivendo na cidade de Leipzig, ele ganha a vida de bicicleta, entregando comida em domicílio. A jornada é de seis horas, de segunda a sexta; nos finais de semana, de meio-dia às 22h. Sayed usa um uniforme laranja, característico de sua empresa, e a mochila onde carrega os pedidos de seus clientes.

“Não tem por que ter vergonha. É um trabalho como outro qualquer. Se há emprego, é porque há uma determinada demanda e que alguém deve se encarregar de satisfazê-la”, conta. Sorrindo, ele diz que o emprego o ajudou a ficar em forma, pedalando cerca de 1.200 quilômetros por mês.

Sayed ganha 15 euros por hora (cerca de R$ 92), um salário modesto, mesmo que seja bem acima do salário mínimo na Alemanha (R$ 58 por hora). Ele afirma que o dinheiro é capaz de atender às suas necessidades, mas não pretende permanecer no posto de entregador. “É por um período limitado, até que eu encontre outro emprego”, diz ele.

Com a retirada das forças da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) no Afeganistão, Sadaat acha que pode ser útil na Alemanha. “Posso aconselhar o governo alemão e tentar fazer com que o povo afegão tire proveito disso, porque posso dar a eles uma imagem realista do terreno”, completa. Por enquanto, porém, não tem contatos, então a prioridade é a entrega em domicílio.

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