Enquanto tentou não cumprir uso de tornozeleira, Daniel Silveira deixou de negociar partido para disputar reeleição

Parlamentar até dormiu na Câmara para demonstrar que não acataria ordem judicial, mas tem esquecido de negociar abrigo político para permanecer no cargo

Postado em: 31-03-2022 às 17h39
Por: Augusto Diniz
Parlamentar até dormiu na Câmara para demonstrar que não acataria ordem judicial, mas tem esquecido de negociar abrigo político para permanecer no cargo | Foto:

O deputado federal Daniel Silveira (União Brasil-RJ) continuava na sua tentativa de descumprir uma ordem judicial e não utilizar a tornozeleira eletrônica até a situação ficar inevitável. Já dormiu no gabinete que ocupa na Câmara dos Deputados, aguardou manifestação do presidente da Casa, o deputado federal Arthur Lira (PP-AL), de que o Congresso Nacional é inviolável e foi até o Palácio do Planalto para receber o apoio de ministros da gestão Jair Bolsonaro (PL). Mas de nada adiantou. Teve de colocar o item de monitoramento nesta quinta-feira (31/3).

Mas, até o momento, não se manifestou ou, aparentemente, não tem se movimentado para garantir a filiação em um partido para garantir o direito de disputar a reeleição em outubro. O prazo para quem pretende concorre a algum cargo eletivo em 2022 se encerra no sábado (2/4). A partir da meia-noite de domingo (3/4), quem não for filiado a uma legenda não poderá se candidatar em agosto, quando começa a campanha. O intervalo mínimo de seis meses já terá passado.

Para os partidos interessados em contar com Daniel Silveira na chapa de deputado federal, a briga com o Supremo Tribunal Federal (STF), especificamente com o ministro Alexandre de Moraes, só afasta as siglas do parlamentar. O próprio União Brasil, sigla à qual o parlamentar está filiado, não pretende incluir o nome de Daniel Silveira entre os que vão disputar cadeira na Câmara dos Deputados e constarão na ata da convenção partidária.

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Partido do presidente Jair Bolsonaro, o PL também abriga o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro. E é justamente o chefe do Executivo fluminense um dos políticos no Estado que não quer saber de Daniel Silveira no Partido Liberal. Para muitos no circuito político, o “deputado bombadão”, como foi apelidado, é tratado com o parlamentar mais encrencado do Brasil.

Roberto Jefferson e Marcus Vinicius “Neskau”

De olho em filiação no PTB do Rio, está com o presidente Roberto Jefferson cumprindo prisão domiciliar. Quem preside o PTB no Estado do Sudeste é o ex-genro de Jefferson, o deputado estadual Marcus Vinícius “Neskau”, que foi afastado da presidência do partido em solo fluminense por 180 dias. Tanto Daniel Silveira como Neskau dependem de decisões do ministro Alexandre de Moraes. Se persistir a situação no Rio, o PTB pode enfrentar problemas jurídicos para registrar a chapa de deputado federal que contaria com Daniel Silveira.

O ministro Alexandre de Moraes aponta que há indícios de uso de dinheiro público pelo PTB do Rio para fazer ataques de forma escancarada e reiterada às “instituições democráticas e ao próprio Estado Democrático de Direito”. A ação se daria por meio de disseminação de mensagens. Enquanto isso, aumenta a resistência à filiação de Daniel Silveira no PTB.

Briga com o STF

Além disso, o comando do PTB no Rio é disputado na Justiça por Neskau e Graciela Nienov. São várias situações que complicam, por enquanto, a chegada de Daniel Silveira ao partido. Lideranças petebistas defendem que não parece interessante para o partido comprar uma briga com o STF por causa de um deputado que usa o mandato para deixar claro que não pretende respeitar as leis, os poderes e as instituições brasileiras.

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