Kajuru diz que informação da compra de Viagra nas Forças Armadas veio de “gente que está ao lado de Bolsonaro”

Em entrevista concedida na quinta-feira (14/4) ao historiador Marco Antônio Villa, senador pelo Podemos de Goiás afirmou que ficou estarrecido com a descoberta do gasto público para impotência sexual vindo do Ministério da Defesa

Postado em: 15-04-2022 às 17h13
Por: Augusto Diniz
Em entrevista concedida na quinta-feira (14/4) ao historiador Marco Antonio Villa, senador pelo Podemos de Goiás afirmou que ficou estarrecido com a descoberta do gasto público supostamente superfaturado para impotência sexual feito pelo Ministério da Defesa | Foto: Reprodução/YouTube

O senador Jorge Kajuru (Podemos) disse na quinta-feira (14/4), em entrevista ao historiador Marco Antonio Villa no YouTube, que “gente que está ao lado do presidente Jair Bolsonaro (PL)” deu o caminho para que o parlamentar por Goiás e o deputado federal Elias Vaz (PSB) descobrissem os gastos do Ministério da Defesa para as Forças Armadas com mais de 35 mil comprimidos de Viagra com suspeita de superfaturamento de 143%, próteses penianas e lubrificantes sexuais.

“A que ponto chegamos com essas denúncias incontestáveis, insofismáveis?”, indagou Kajuru. O senador lembrou durante a entrevista que os militares tiveram ganhos no mesmo momento em que o Congresso Nacional discutia a Reforma da Previdência para o restante da população. “Então cada um não tem o seu dinheiro para comprar o seu Viagra, para ter uma prótese peniana? E fazer isso com o dinheiro público, com o dinheiro do contribuinte?”

Quando se deparou com os números e a cifras da compras, o senador disse que falou para Elias Vaz “vamos ter calma”. Em seguida, Kajuru confessou que ficou “estarrecido”. “35 mil comprimidos de Viagra com superfaturamento de 143% para um presidente que diz ser imbroxável, mas que o seu governo é definitivamente broxante. Quando chegou na prótese peniana, Villa, do mesmo jeito que você ficou eu fiquei. […] É realmente de se revoltar”, descreveu.

Continua após a publicidade

De acordo com Kajuru, as pessoas ligadas a Bolsonaro que denunciaram os pregões supostamente supostamente superfaturados de medicamento para impotência sexual para o Exército, a Marinha e a Aeronáutica são aliados do governo federal que viram os dados e ficaram indignados a ponto de passar adiante a informação.

“Entramos com ação no TCU [Tribunal de Contas da União]. Está nas mãos do ministro Antonio Anastasia”, revelou o senador. Na sequência, Villa comentou que o assunto “chegou até em programa humorístico [dos Estados Unidos]”. “Viramos motivo de chacota”, destacou o historiador. Para Kajuru, “não tem como você não se enojar”. “São pessoas realmente que a gente não pode esperar delas nenhum pudor”, afirmou o parlamentar.

Novas descobertas

De acordo com o senador, o trabalho parlamentar de fiscalizar suspeitas que envolvem recursos do governo federal continua. “O que gasta esse ano da eleição o governo Bolsonaro com a imprensa. São R$ 420 milhões para espalhar. A quem? A veículos de comunicação por critério técnico de audiência, de abrangência, ou para quem o presidente quer? Esse é um campo de investigação que daqui a pouco a gente já vai apresentar.”

Kajuru disse estar de olho nas emendas de relator, o chamado orçamento secreto. “Há outros que vão confirmar com mais detalhes o escândalo do orçamento secreto. Nós temos, inclusive, gravações de parlamentares que, em seus Estados e municípios, revelaram quantias faraônicas. Um deles, por exemplo, um senador, disse que já recebeu R$ 340 milhões do governo. Para defender o governo, ele ganhou esse dinheiro para espalhar e ninguém sabe para onde vai, o que vai acontecer com esse dinheiro”, adiantou o senador.

CPI do MEC

Para Kajuru, “só pode ser contra a CPI do Bolsolão no Ministério da Educação quem tem um rabo muito preso”. “Eu tenho amigos dentro do meu partido, o Podemos, que são contrários, mas são sérios. Acham apenas que é uma CPI eleitoreira. Para mim não interessa se ela é eleitoreira. Ela tem é que ser aberta, mostrar fatos comprovados sem revanchismos e deixar a opinião pública opinar.”

O senador lembrou que, caso a Comissão Parlamentar de Inquérito seja aberta, ele se tornará membro titular da comissão. “Não sou candidato a nada, não vou participar de campanha de ninguém. Não vou sair de Brasília, vou ficar aqui nesse período em que quase ninguém vai ficar em Brasília. Essa é outra investigação que precisa de gente independente para mostrar a realidade ao Brasil”, pontuou Kajuru

Veja abaixo a entrevista completa:

Veja Também